
Lino Villaventura celebra 50 anos de carreira com desfile histórico.

Pioneiro no reaproveitamento de materiais, o designer mantém a prática no seu ofício. “Quando comecei, nem se falava em upcycling, mas já fazíamos isso”, diz Lino. “Nesta temporada, usamos materiais de diferentes décadas do nosso acervo”, explica.


Com a direção de Inês Villaventura e o criativo de Régis Vieira, Lino apresentou sua coleção entrelaçada com seda pura, linho e algodão em construções sensuais e volumosas, com a releitura de um colete criado por Lino em 1976 – feito à mão que presenteou a Inês – e de um casaco exportado para o Japão nos anos 1980, agora com novas forma e textura.


O estilista reafirmou o seu olhar sobre o homem que é tão autoral quando o feminino . Entre formas arquitetônicas e tecidos de brilho metálico, os looks apresentaram uma alfaiataria não convencional — quase escultórica, que desafia proporções e redefine o gesto de vestir. Os tênis da marca Estilo Jef trouxeram um contraponto urbano e contemporâneo à sofisticação dramática das roupas, criando um diálogo entre o street e o ateliê. Essa mistura, longe de suavizar a teatralidade, a atualiza, conectando o legado de Lino às novas gerações.


Lino Villaventura tem uma belíssima trajetória de 50 anos carreira e participa da edição de Nº 60 SPFW que celebra 30 anos. Estilista cerra a temporada com coleção que mostra excelência em técnica de modulagem e de construção. As peças são escolhidas a dedo para vestir as modelos com assinatura criativa, estruturadas com arames, colagem de tecidos , bordados de linha, pedraria e cristais.


Com um estilo que transcende temas e tendências —, Lino Villaventura segue como um alquimista da forma e do tecido, transformando moda em espetáculo e emoção em permanência. Foi, mais uma vez, impecável.

POR FRANCISCO MARTINS – COLUNISTA DE MODA
LINO VILLAVENTURA I SPFW N60 I VERÃO 2026
@linvillaventura


