A curadoria é de Sissa Aneleh, que teve a sensibilidade de selecionar belas imagens produzidas por onze fotógrafas paraenses e organizá-las de modo a construir uma narrativa que expressa esse olhar feminino plural, representativo da diversidade. Por meio das fotos, o público consegue apreender toda a riqueza e multiplicidade da vida sociocultural de Belém do Pará, região inserida no complexo amazônico.
A coordenação e a produção são do Museu das Mulheres.
A exposição inicia no térreo com a visita a uma oca, proporcionando ao público uma experiência em realidade expandida, na qual é exibido o filme Mukatu’Hary. Ao lado, há uma vitrine com vestimentas e objetos utilizados na produção.
A experiência é fascinante. Ela nos leva a uma aldeia indígena, onde visualizamos um ritual de cura.
Na primeira sala, visualizamos fotografias em preto e branco que apresentam imagens do cotidiano amazônico: quilombolas, festas religiosas relacionadas ao culto de divindades afro-brasileiras, os romeiros do Círio de Nazaré, a região urbana de Belém, a rodovia Transamazônica, agentes sociais como pescadores, vendedoras de ervas, travestis e manifestantes.
Dando prosseguimento, entramos na Sala Açaí, assim chamada por causa da cor da fruta. Nesse núcleo, visualizamos fotografias coloridas que apresentam narrativas relacionadas a Dona Onete e outras cantoras populares de Belém; mulheres da terceira idade, representantes da memória e da experiência; mulheres e o sagrado; romeiros no Círio; o canto para Iemanjá; artistas trans; comunidades indígenas; lideranças nativas; registros de memória; o rio; crianças; quilombolas; mulheres brancas; vendedoras de ervas do mercado Ver-o-Peso; mães de santo; e o corpo feminino.
No centro da sala, encontra-se a instalação Banho de Cheiro: cordas suspensas com frascos de essências perfumadas trazem rótulos com pedidos às erveiras do Pará, reforçando a presença dos saberes tradicionais.
Na mesma sala, há também a instalação aromática Icamiabas, sobre mulheres guerreiras indígenas ancestrais, produção da artista Miriam Araújo. A obra é composta por seis composições olfativas, fruto dos saberes nativos.
Na terceira sala, Sala Bacaba, misturam-se fotografias coloridas e em preto e branco sobre a realidade amazônica e seus agentes sociais, bem como vídeo-instalações, como o vídeo-jornal de Paula Sampaio, e uma fotonovela. São produções híbridas, fruto do experimentalismo, de desdobramentos e desconstruções da fotografia tradicional. Ganha destaque a série Folhas, de Evna Moura, que evidencia a potência criativa da artista.
As fotógrafas apresentam uma gente bonita, feliz e vibrante que vive na região do Pará, terra dos povos originários, em plena Amazônia, onde permanecem vivos os legados da ancestralidade. As imagens possuem força e resistência que ecoam um grito de luta, mas também revelam poesia e beleza estética. As produções visuais representam a diversidade cultural e as identidades regionais e indígenas.
As fotografias, em preto e branco ou coloridas, constituem o testemunho dessas mulheres que, por meio de suas lentes, produziram conhecimento visual sobre Belém do Pará, no coração da Amazônia. O material torna-se fonte imprescindível para compreender a história regional, seus costumes, tradições e saberes. É a memória amazônica, construída por fotógrafas de distintas gerações, a partir de seus olhares plurais.
A exposição dialoga com um público amplo, interessado em conhecer a cultura paraense e a vida amazônica.
Uma excelente produção de artes visuais contemporâneas.


