No dia 28 de dezembro de 2025, o mundo das artes perdeu um de seus mais queridos e versáteis artistas. O ator Thierry Trémouroux, nascido na Bélgica e radicado no Brasil desde 1991, faleceu aos 65 anos, deixando um legado que atravessa teatro, cinema, televisão e a memória afetiva de colegas, amigos, alunos e público por onde passou. Thierry teve dois filhos,Tatau com sua companheira a atriz Raquel Karro, e Lara Trémouroux, também atriz, filha de seu relacionamento com a atriz Lorena da Silva.
Formado em Paris e com sólida formação internacional, Trémouroux chegou ao Brasil no início dos anos 1990 e rapidamente se integrou ao circuito artístico carioca. Ele participou da Cia. dos Atores, em inúmeras montagens teatrais que marcaram a cena contemporânea — incluindo o clássico Conselho de Classe e outras peças que refletiam sua sensibilidade única e compromisso com a dramaturgia viva.
Além de atuar, ele também explorou o ofício de diretor e professor de interpretação, contribuindo para a formação de gerações de artistas em escolas renomadas.
O palco como diário de vida: O Bicho Geográfico
Em 2025, Thierry estreou no Rio de Janeiro “O Bicho Geográfico”, um solo autobiográfico que rapidamente se tornou um dos acontecimentos teatrais mais emocionantes da temporada. Nesse monólogo, escrito e interpretado por ele, o artista conduziu o público numa viagem poética e bem-humorada pelas suas experiências pessoais no Brasil: o amor pelo país, as descobertas sobre costumes e linguagens, os encontros artísticos e, sobretudo, a luta contra o câncer.
Misturando humor, memória e reflexão, O Bicho Geográfico mostrou um Thierry em seu estado mais vulnerável e, ao mesmo tempo, mais criativo. A montagem tornou-se um relato de cura pela arte, um testemunho de vida e resistência que dialogou com plateias de diferentes gerações. “Era a arte dialogando com a saúde”, chegou a dizer ele em entrevistas, destacando como o palco foi um espaço de elaboração emocional e de conexão humana mesmo durante seu tratamento.

Contribuições no Cinema e na TV
No cinema e na televisão, Trémouroux também deixou sua marca. Entre os trabalhos mais conhecidos estão participações em produções aclamadas pela crítica e pelo público, como a novela Nos Tempos do Imperador (na Globo) e séries como Filhos da Pátria, além de filmes como Quase Memória. Em 2025 integrou o elenco da série Os Donos do Jogo, na Netflix.
Seus personagens, muitas vezes marcados por profundidade e sutileza, ganharam vida com uma presença que transitava entre o cômico e o existencial — reflexo de um artista que sempre viu a atuação como ferramenta de interpretação do mundo, não apenas como entretenimento.
A Arte como Caminho de Vida
Ao longo de sua trajetória artística, Trémouroux tornou-se referência não apenas pela diversidade de papéis, mas sobretudo pela intensidade com que encarou cada projeto. Sua carreira foi um convite à generosidade no ofício, à capacidade de reinventar-se e à coragem de transformar dor em criação. Até seus últimos meses de vida, enfrentando um câncer diagnosticado em 2022, ele manteve a arte no centro de sua existência — encontrando no palco um espaço de renovação e empatia. Seu tratamento realizado pelo SUS no Brasil, apesar dos altos e baixos, também se tornou público, através dos posts nas suas redes sociais e de sua família.
Legado que Permanece
Thierry Trémouroux deixa um legado que continua a inspirar: o poder da arte como espelho da experiência humana, a importância do diálogo cultural e a beleza de uma vida dedicada à criação. Sua passagem pelo Brasil, marcada pela generosidade e pela busca incessante por significado, será lembrada não apenas por seus personagens, mas principalmente pelo olhar amoroso e crítico com que transformou cada palco em casa. Registro meu abraço à família e aos amigos de Thierry Trémouroux.
Instagram:
https://www.instagram.com/thierrytremouroux4410/
Texto: @rodolfoabreu
Imagens: divulgação



