Com trajetória consolidada no universo da moda e do luxo, Nina Kauffmann construiu seu nome como uma das principais vozes de conteúdo, relacionamento e análise de tendências do setor. Líder de conhecimento, influenciadora e RP, ela atua como elo entre grandes marcas internacionais, o mercado brasileiro e um público atento ao comportamento contemporâneo. Observadora da moda como expressão cultural, histórica e social, Nina defende um luxo pautado por propósito, experiência e autenticidade. Nesta entrevista, ela compartilha reflexões sobre sua formação, sua atuação à frente da plataforma Visão da Moda, sua presença nos principais eventos internacionais e sua visão sobre o papel da moda em tempos de mudanças rápidas e valores em transformação.
Chico Vartulli – Olá, Nina! Com o seu conhecido know-how em moda, você deve ter uma visão muito própria da área. Em linhas gerais, qual o balanço que você faz da sua trajetória como líder de conhecimento na indústria da moda e especialista da indústria do luxo?
Nina Kauffmann – Olá! Tenho muito orgulho da minha trajetória no universo da moda e do luxo. Sempre acreditei que a moda vai muito além do vestir — ela comunica valores, identidade e comportamento. Ao longo dos anos, construí uma carreira pautada em conectar pessoas, marcas e experiências. Meu papel como líder de conhecimento é justamente esse: traduzir tendências em oportunidades reais, inspirar negócios e fortalecer o diálogo entre o mercado de luxo e o consumidor brasileiro. Acredito que o luxo, hoje, é sobre propósito, qualidade e relacionamento.
Chico Vartulli – Normalmente, o talento daqueles que se destacam é uma coisa que os acompanha desde cedo. No seu caso, essa máxima é verdadeira? Quando você começou a se interessar por moda?
Nina Kauffmann – Sim, acredito que o talento e a sensibilidade estética me acompanham desde muito cedo. Desde menina, eu me encantava com o universo da moda — as revistas, os desfiles, as cores, os tecidos… Tudo isso me fascinava. Sempre fui muito observadora e curiosa com o comportamento das pessoas e como a roupa reflete o estado de espírito e a personalidade. Com o tempo, esse interesse se transformou em propósito e profissão.
Chico Vartulli – O âmbito da moda vem contextualizado na história dos costumes. Civilizações diferentes de todas épocas – e de toda parte do globo – tiveram seu próprio modo de se vestir e se projetar na sociedade. Você estudou esses campos correlatos? Sentiu necessidade de cursar a História dos Modismos através dos tempos? Como se deu a sua formação na área?
Nina Kauffmann – A moda é um reflexo direto da história e da cultura, e entender esse contexto é fundamental. Sempre busquei estudar os modismos, os movimentos artísticos e as transformações sociais que moldaram o vestir ao longo dos séculos. Minha formação foi construída na prática, com experiências no mercado, viagens, cursos de atualização e uma observação constante do comportamento humano. Gosto de unir o olhar acadêmico à vivência real, que é o que torna a análise mais rica e conectada ao tempo presente.
Chico Vartulli – Você poderia falar um pouco sobre o blog Visão da Moda? Qual é o público principal do blog e o conteúdo veiculado?
Nina Kauffmann – A Visão da Moda nasceu do desejo de compartilhar informação de qualidade, inspirar e aproximar o público do universo fashion e do lifestyle de luxo de forma acessível e verdadeira. O público é formado majoritariamente por mulheres interessadas em moda, comportamento, arte, viagens e networking. Hoje, o blog evoluiu para uma plataforma de relacionamento, onde abordo tendências, eventos e reflexões sobre o papel da moda na sociedade contemporânea.
Chico Vartulli – Dentre os seus inúmeros clientes internacionais, qual é a sua preferência? Justifique a sua resposta, por gentileza.
Nina Kauffmann – Tenho o privilégio de trabalhar com diversas marcas internacionais incríveis, cada uma com sua identidade e propósito. Mas confesso que tenho um carinho especial por Dior, porque a marca traduz como poucas o equilíbrio entre tradição e reinvenção. Ela representa o luxo atemporal, a elegância feminina e a capacidade de se adaptar sem perder sua essência — algo que admiro profundamente.
Chico Vartulli – Você frequenta diversas feiras de moda mundo afora. Quais são as principais, as que você vai costumeiramente e as que considera mais importantes? Justifique.
Nina Kauffmann – Costumo frequentar as grandes semanas de moda, como Paris, Milão e Nova York, além de feiras especializadas como a Pitti Immagine em Florença e a Première Vision em Paris. São eventos fundamentais para entender o que vem por aí em termos de comportamento, tecidos, design e posicionamento de marca. Estar presente nesses ambientes é essencial para quem trabalha com informação de moda e quer estar à frente das tendências.
Chico Vartulli – Você também atua como RP. De fato, para uma influencer de moda, com um branding estabelecido, ainda que informalmente, tem tudo a ver… Como se dá a sua atuação na área?
Nina Kauffmann – Minha atuação como RP surgiu naturalmente, como uma extensão do meu trabalho de influência. Sempre acreditei que as relações humanas são o verdadeiro luxo. Gosto de criar experiências autênticas, que conectem marcas a públicos qualificados, de maneira sofisticada e emocional. Meu papel é transformar eventos em momentos memoráveis e construir pontes sólidas entre o mundo corporativo e o universo fashion.
Chico Vartulli – Algumas pessoas consideram o mundo da moda um reino meio frívolo, um mundo de aparências. O filósofo Zygmunt Bauman, que chamou esses tempos novos de “tempos líquidos”, classificou o nosso momento de mundo como uma era de incerteza e instabilidade, uma tal modernidade marcada por mudanças rápidas. Nessa era contrária à solidez do passado, em que tudo se esvai como se fosse o mundo “líquido”, fluido, mutável, como se posiciona a moda? Nesses tempos transitórios, como uma mulher de Moda, quais são os seus planos futuros?
Nina Kauffmann – A moda reflete o espírito do tempo — e, nesse mundo líquido descrito por Balmain, ela se reinventa constantemente. Acredito que, mais do que nunca, a moda precisa ter propósito, autenticidade e sustentabilidade. O luxo hoje está no significado e não apenas na aparência. Meus planos futuros seguem esse caminho: continuar promovendo conexões verdadeiras, apoiando marcas com propósito e fortalecendo projetos que unem inclusão, arte, cultura e comportamento. Acredito em uma moda que inspira, acolhe e transforma.
Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação




