Na semana de moda de Nova York, a Coach revisita o sonho americano e as memórias afetivas para falar com a geração Z.




A coleção com olhar para a moda feita nos Estados Unidos como um estado de espírito que vai além da geografia, algo que se estende dos ateliês de alfaiataria da Sétima Avenida ao visual utilitário e às culturas jovens. Outra inspiração é O mágico de Oz. Baseada no filme chamou a atenção: o medo, a alegria e a esperança de ver o próprio mundo ganhar complexidade e cor são universais. Não importa quem somos, todos atravessamos esse limiar juntos.




No desfile o conceito de herança e continuidade aparecem de forma bem direta. O jeans propositalmente desbotados e rasgados, barras desfiadas e superfícies que simulam marcas de uso pontuam a coleção. Saias mídi de jeans ganham recortes diagonais e costuras aparentes, enquanto calças amplas mantêm o efeito de desgaste.




A alfaiataria incorpora a ideia de transformação. Blazers xadrez bem estruturados, com camadas internas aparentes, são usados diretamente sobre o corpo, sem camisa, criando um contraste entre rigor e exposição. Em alguns momentos, o forro deixa de ser detalhe escondido e integra o visual, como se a peça estivesse virada do avesso.



O diálogo com a geração Z, outro foco da Coach nos últimos anos, aparece nas jaquetas varsity, nas camisetas esportivas e nos tricôs gráficos. Está também as referências ao grunge dos anos 1990, como shorts e saias de denim de cintura baixa combinados a suéteres robustos. Há ainda vestidos leves com aplicações de estrelas em fundo preto, remetendo ao céu noturno e interpretações de códigos clássicos dos Estados Unidos –jaquetas shearling de camurça com golas marcadas fazem dupla com bermudas amplas e bolsas generosas, trazendo para o presente uma estética ligada ao vestuário utilitário e à cultura universitária.
POR FRANCISCO MARTINS – COLUNISTA DE MODA
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