Um ator, Olivo, interpretado por Evandro Santiago, está sozinho em um ateliê esquecido de um teatro, fechado por razões políticas. Nesse espaço, entre bonecos, manequins e figurinos abandonados, decide reviver, em um espetáculo solo, as cenas da última peça que ensaiava antes da interrupção: o clássico Romeu e Julieta, de William Shakespeare.
O texto Romeu e Julieta, de William Shakespeare, com tradução de Bárbara Heliodora, foi adaptado por Ana Rosa Genari Tezza. A adaptação constrói uma narrativa na qual um único ator interpreta todos os personagens da obra do bardo inglês. Sozinho no palco, ele assume a responsabilidade de realizar Romeu e Julieta. E dá conta!
Evandro Santiago apresenta uma atuação notável e comovente. Interpreta com qualidade todos os personagens da tragédia shakespeariana e emociona o público. Comove, contagia e empolga. O ator conduz o texto com clareza, utilizando uma linguagem acessível e estabelecendo uma comunicação eficaz com a plateia por meio de gestos, expressões faciais e movimentos corporais. Em sua atuação, faz uso do teatro de objetos, manequins, figurinos, máscaras e música ao vivo. Canta com afinação e boa entonação, em parceria com dois músicos que o acompanham em cena com instrumentos musicais. Domina o palco e ocupa todos os espaços, resultando em uma atuação comovente e amplamente merecedora de elogios.
Cabe destacar, em sua apresentação, as diversas vozes utilizadas para interpretar os múltiplos personagens masculinos e femininos, evidenciando uma sólida preparação vocal. Também se sobressai sua capacidade interpretativa e expressiva.

A direção de Ana Rosa Genari Tezza apresenta marcações certeiras e precisas, conferindo unidade e qualidade à performance do ator.
A coreografia e a preparação corporal de Ane Adade contribuem significativamente para o dinamismo e a movimentação do espetáculo.
Os figurinos criados por Eduardo Giacomini revelam qualidade, bom gosto e criatividade.
A cenografia concebida por Daniel Pinha é bem planejada, criativa e original, apresentando um espaço cênico repleto de objetos, como manequins, máscaras, máquina de costura, mesa, banquinhos e outros elementos ligados ao universo da costura.
A iluminação assinada por Beto Bruel e Rodrigo Ziolkowski apresenta um belo desenho de luz, contribuindo para realçar a interpretação do ator e a construção de seus personagens. Além disso, a iluminação marca o ritmo e o dinamismo do espetáculo, variando de acordo com o contexto das cenas e complementando as falas.
A direção musical é de Arthur Jaime e Breno Monte Serrat, responsáveis pela trilha sonora e pela criação das canções, que apresentam letras melodiosas e conteúdo que auxilia na compreensão do texto. Arthur e Breno também acompanham o ator em cena, complementando a narrativa com a execução ao vivo de instrumentos musicais.
Texto, direção, direção musical, cenografia, figurino e iluminação formam um conjunto harmônico e equilibrado, evidenciando a excelência do espetáculo.
Excelente e imperdível produção cênica!


