Artista plástico francês radicado no Rio de Janeiro há quase três décadas, Jerôme Poignard construiu uma trajetória marcada pelo diálogo entre sua formação europeia e a energia criativa da cidade que escolheu como lar. Em sua obra, cores vibrantes, emoção e identidade se entrelaçam, refletindo tanto suas origens francesas quanto a influência do cotidiano carioca.
Nesta entrevista, o artista fala sobre os caminhos que o trouxeram ao Brasil, sua relação com a arte desde a infância, o processo de formação na França, os hábitos cariocas que o surpreenderam, a gastronomia, o sentimento de pertencimento ao Rio de Janeiro e a honra de ter sido nomeado Embaixador do Turismo da cidade.

Chico Vartulli – Como você decidiu vir para o Rio de Janeiro?
Jerôme Poignard – Vim porque me casei com uma brasileira que conheci em Paris; ela estudava na Sorbonne. Quando cheguei ao Rio, senti-me muito bem acolhido e, desde então, percebo uma vibração positiva que me ajuda a criar. Por isso resolvi ficar. Estar presente no dia a dia de uma cidade que me inspira no processo de criação é, afinal, a minha vida.
Chico Vartulli – O que significa arte para você?
Jerôme Poignard – A arte é a essência da minha vida. Aos cinco anos de idade, conheci um desenhista criando à minha frente e fiquei emocionado; achei tudo maravilhoso. Foi a partir dessa idade que comecei a desenhar e a mergulhar na criação. Arte é criação, identidade, emoção e conexão.
Chico Vartulli – Como se deu a sua formação?
Jerôme Poignard – Estudei design na França, primeiro perto de Fontainebleau e depois na escola Les Gobelins, em Paris. Em seguida, trabalhei com Asterix e Obélix, um dos berços dos quadrinhos franceses, o que moldou bastante a minha visão como designer e artista. Quando cheguei ao Rio, abri novos caminhos de criação no meu dia a dia.
Chico Vartulli – A sua arte é mais carioca ou francesa?
Jerôme Poignard – As duas coisas. Francesa pela minha formação, pelo meu passado e pela minha cultura. Carioca pela energia positiva que sinto aqui. O Rio é viver com boas energias, criações e conexões. Minhas obras têm muitas cores vibrantes, e são essas cores que captei no Rio que fazem o meu diferencial: arte e cor.

Chico Vartulli – Que hábitos cariocas lhe surpreendem até hoje?
Jerôme Poignard – A capacidade de transformar qualquer momento em celebração. E o famoso “jeitinho carioca”, que inicialmente me desafiava como francês, mas que aprendi a enxergar como criatividade e adaptabilidade.
Chico Vartulli – O que você mais sente falta da França?
Jerôme Poignard – Sinto falta da minha família, dos amigos de infância, dos meus vilarejos no entorno de Fontainebleau e das exposições culturais em Paris. Mas o Rio me deu la joie de vivre et de créer. Não se descreve uma vida inteira no Rio em poucas palavras — já são 28 anos. É uma troca que faço com alegria.
Chico Vartulli – A gastronomia francesa é bem representada no Rio?
Jerôme Poignard – Há excelentes chefs franceses no Rio, inclusive amigos, assim como brasileiros que sabem dar um toque francês à cozinha. Mas confesso que ainda sinto falta da comida do meu pai, que também era chef francês. Por outro lado, a gastronomia brasileira me conquistou completamente: é sempre bem servida e muito completa.
Chico Vartulli – Como você se sentiu ao ser nomeado Embaixador do Turismo do Rio de Janeiro?
Jerôme Poignard – Foi uma honra imensa. Como estrangeiro que escolheu o Rio como lar, poder representar esta cidade que tanto amo é um reconhecimento que me emociona profundamente. É a minha forma de retribuir tudo o que o Rio me deu.
Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação


