Jonathan Anderson estreia na alta-costura da Dior reposicionando o ofício dos ateliês e homenageando a história da casa.



As flores, evidenciam tema inerente à Dior. Pois Christian Dior cresceu na Normandia, cercado por jardins, se inspirou nas rosas desde a primeira coleção da casa e carregava lírios-do-vale no bolso como amuleto. O simbolismo à feminilidade de Jonathan Anderson remetem a influência botânica as Orquídeas, lírios brancos e suculentas são transformados em adereços de ombro, brincos arredondados, franjas presas na cintura e bolsas compridas.




As silhuetas esculturais abaloadas foram referência da obra da ceramista britânica Magdalene Odundo, conhecida por seu trabalho com vasos que emulam curvas femininas. Em alguns looks, os volumes ultrapassam bastante o desenho do corpo. Em outros, eles são mais contidos, concentrados na barriga ou no torso. A investigação de modelagens continua nas novas leituras da jaqueta bar, agora reinterpretada como casacos longos ou blazers de construção mais solta, com lapelas torcidas.




No release enviado à imprensa, Jonathan escreve: “quando você copia a natureza, você sempre aprende algo. Ela não oferece conclusões, apenas sistemas em movimento – evoluindo, se adaptando e resistindo”. O estilista aplica essa lógica à couture: sem tempo, evolução e valorização, o ofício não sobrevive. É uma forma especialmente bonita de inaugurar a nova era da alta-costura da Dior: projetando-a para o futuro e oferecendo novos caminhos, sem se limitar exclusivamente ao passado.

POR FRANCISCO MARTINS – COLUNISTA DE MODA
DIOR I ALTA – COSTURA I VERÃO 2026
@dior


