Com uma carreira marcada por passagens por diferentes continentes e experiências junto a chefes de Estado, o Cônsul-Geral do México no Rio de Janeiro construiu sua trajetória diplomática entre a formação familiar, pautada pela disciplina e pelas boas maneiras, e o aprendizado prático na chancelaria mexicana e nos postos que ocupou ao redor do mundo.
Nesta entrevista, ele relembra momentos marcantes de sua vida profissional, fala sobre os desafios e as responsabilidades de representar o México no Brasil, analisa sua percepção sobre o Rio de Janeiro e destaca a presença cultural e econômica mexicana na cidade. Uma conversa que revela os bastidores da diplomacia e a importância do diálogo entre nações.
Chico Vartulli – Como se deu sua formação como diplomata?
Hector Valezzi – Minha formação como diplomata deu-se, de forma informal, em casa, pois minha mãe era muito cuidadosa com as boas maneiras e as formas. Já de maneira formal, formei-me no exercício da profissão, aprendendo com os outros, na chancelaria mexicana e, pouco depois, nos postos diplomáticos que ocupei no exterior.
Chico Vartulli – Em quantos países já serviu?
Hector Valezzi – O Rio de Janeiro é o meu nono posto. Servi em Brasília (1984–1988), Washington (1988–1990), Índia (1990–1992), Bélgica/União Europeia (1995–1998), França (2000–2003), Etiópia (2007–2011), África do Sul (2011–2015) e Bolívia (2015–2019), e estou no Rio desde 2019. Nos anos intermediários, servi na Cidade do México, em diferentes cargos.

Chico Vartulli – Houve alguma experiência que lhe marcou?
Hector Valezzi – Tive muitas experiências memoráveis, algumas felizes e outras não. Entre as desfavoráveis, posso mencionar, por exemplo, os falecimentos do presidente Tancredo Neves, do primeiro-ministro Rajiv Gandhi e do presidente Nelson Mandela. Também tive muitas experiências positivas: apresentei cartas credenciais a 13 chefes de Estado, em razão das concorrências. Quando estive na Etiópia, por exemplo, fui embaixador concorrente em Djibouti e, quando fui embaixador na África do Sul, também o fui, de forma concorrente, em Angola, Botsuana, Maurício, Moçambique, Lesoto, Suazilândia, Namíbia, Zimbábue e Zâmbia. Na Bolívia, não tive concorrências.
Chico Vartulli – Quais os grandes desafios de ser Cônsul-Geral do México no Rio de Janeiro?
Hector Valezzi – Na verdade, não existe um grande desafio como tal. O Rio de Janeiro não é um posto difícil. Contamos sempre com a colaboração das autoridades municipais e estaduais. Se tivesse que mencionar um desafio, seria oferecer o melhor serviço possível. Também o é promover a cultura e a economia do México, o que representa um verdadeiro desafio diante dos poucos recursos de que dispomos.
Chico Vartulli – Como tem percebido o Rio de Janeiro?
Hector Valezzi – Percebo o Rio de Janeiro como uma cidade maravilhosa, com um ambiente único e agradável, que oferece serviços de alto nível e uma dinâmica fascinante. O Rio também tem grandes desafios, como a questão da segurança.
Chico Vartulli – Há uma presença mexicana no Rio?
Hector Valezzi – Sim. De forma permanente, contamos com o monumento a Cuauhtémoc, o último imperador asteca. O monumento foi oferecido ao povo do Brasil em 1922, por ocasião do centenário da Independência, e encontra-se na Praça Cuauhtémoc, no início da Avenida Oswaldo Cruz, no bairro do Flamengo.
Temos também a presença permanente da deusa asteca Xochipilli, deusa das flores e da flora, cuja réplica se encontra no Jardim Botânico. Há ainda a presença permanente de alguns restaurantes mexicanos e de importantes empresas mexicanas, como a Claro (telecomunicações) e a Plusvita (panificação).
De forma não permanente, realizamos nossa cada vez mais conhecida comemoração do Dia dos Mortos, em 2 de novembro de cada ano, que ao longo de três dias recebe cerca de 100 mil visitantes, no Museu da República (Catete).
Chico Vartulli – Quantos países conhece?
Hector Valezzi – Conhecer países leva tempo. Eu diria que conheço muito poucos, e nunca em sua totalidade. Conheço os países em que vivi, mas tive a oportunidade de visitar cerca de 70 países. Alguns muito exóticos para mim, como o Iêmen e o Nepal. Fui afortunado. Os países que gostaria de visitar são a Croácia, a Geórgia, a Jordânia e os três países bálticos.

Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação
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