A apresentação contou com Coro e Orquestra Sinfônica do TMRJ. A regência é de Luiz Fernando Malheiro, também responsável pela direção musical.

O triângulo central da ópera gira entre dois pescadores de pérolas, Nadir e Zurga, ambos apaixonados por uma sacerdotisa, Leila. Tudo isso ambientado em um local longínquo, o Sri Lanka, outrora chamado de Ceilão.

Leila interpretada pela soprano Michele Menezes foi a grande estrela da noite, a voz de melhor qualidade. Ela apresenta uma voz suave e afinada, bem como um bonito timbre lírico com uma projeção mais que notável. Deixa transparecer o amor, calma, serenidade, tranquilidade e paz.

Nadir interpretado pelo tenor Caio Duran apresenta uma voz de timbre atrativo, de emissão correta. Voz melodiosa e doce. Apaixonado por Leila. Seu doce encanto. Esperançoso.

Fotos: Daniel Ebendinger

Zurga interpretado pelo barítono Homero Velho foi o que menos impactou. Ele apresentou uma excelente performance cênica. Contudo, sua voz carece de um timbre grave, pouco determinado e preciso. Em alguns momentos pareceu rouco. E o personagem exige um intérprete impactante. Deu a sua vida em nome do amor de Leila e Nadir!

O baixo Leonardo Thieze fez um Nourabad correto. A sua parte foi praticamente composta por frases isoladas que o cantor resolveu tranquilamente. Severo. Lembrou do juramento.

No conjunto, uma atuação de forte qualidade, com apresentações corretas e adequadas tanto a nível cênico como no aspecto musical.

A orquestra, sob a direção de Luiz Fernando Malheiro, teve uma atuação segura e firme, que foi complementada pelo coro, com uma formação que soou completamente harmoniosa, rica e com uma forte unidade.

A concepção cênica de Julianna Santos é correta, tradicional e funcional. Não há nenhuma ousadia cênica.

A cenografia e os figurinos foram criados por Desirée Bastos.

Fotos: Daniel Ebendinger

Os figurinos são de bom gosto, coloridos, e adequados. Ganham destaque os figurinos de homens e mulheres da comunidade de camponeses localizada no Ceilão.  Transparece um ar oriental nos trajes!

A cenografia é original e criativa. Representa uma região litorânea, com um rochedo com uma carcaça de embarcação, e uma ponte de madeira. Telão ao fundo com projeção de imagens. Ganhou destaque a projeção das águas do mar na areia da aldeia, e a do espaço celeste a noite, com o céu repleto de estrelas.

As coreografias criadas por Bruno Fernandes e Matheus Dutra são adequadas e corretas, ganhando destaque aquelas de gestos hindus.

A Iluminação criada por Paulo Ornellas apresenta um bonito desenho de luz, e contribui para realçar as interpretações dos cantores de seus personagens.

A música de Bizet é absolutamente deslumbrante. Prepara o caminho para Carmem com o Tra-la-la.

Pescadores de Pérolas apresenta uma regência firme, segura e equilibrada, complementada por um coro uníssono; um conjunto de cantores líricos que apresenta uma atuação de forte qualidade; e, cenografia e figurinos de bom gosto, criativos e originais.

Excelente produção cênica!

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Alex Gonçalves Varela é historiador, professor do Departamento de História da UERJ, e autor de diversos enredos para escolas de samba, tendo sido autor dos enredos campeões do carnaval de 2006 e 2013. É autor de livros e artigos.

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