O texto e a atuação são de Giuliano Laffayette.
O texto é ficcional, humanista, reflexivo, contemporâneo, sonhador, distópico, relaciona a vida humana com o universo das galáxias, poético e sensível. Valoriza o indivíduo e a sua liberdade, o seu desejo de querer conhecer e se aventurar em novos mundos, querer experimentar e realizar as suas escolhas e opções, vivendo num universo que oscila entre a razão, a emoção e a fantasia.
Num mundo de aventuras e fantasias, o jovem rapaz quis se lançar ao desconhecido. Ele criou um foguete e se lançou rumo à Via Láctea. Ele queria ver os cometas, presenciar uma nebulosa, conhecer o sol e os planetas. E, lá foi ele rumo ao não conhecido. Até que seu foguete averiguou, e ele caiu num planeta.
O personagem transforma o tempo. Este deixa de ser algo linear e retilíneo, marcando horas, minutos, segundos, dias, o tempo do calendário, para se tornar um tempo espiralado, cheio de desvios, que vem e vai, presentificado, que acontece sobre o palco. Um tempo prenhe de possibilidades, expectativas, sonhos e esperanças, que acontece plenamente naquela ribalta, e ele tem consciência de que tem fim, pois é um ser finito, imerso num universo infinito.
Giuliano Laffayette é o ator protagonista. Ele está em processo de amadurecimento, crescimento e consolidação da sua carreira. Ele interpreta corretamente e também emociona. Realiza com garra, vontade e determinação. Ele sabe atuar, se posicionar e se movimentar no palco, preenchendo todos os espaços. Interage o tempo integral da apresentação com a cenografia. Apresenta uma boa comunicação com o público, expressando-se de forma simples e com uma boa retórica. Portanto, uma atuação deferida, feita com esmero, responsabilidade, determinação e querendo ascender como artista.
A direção é de Bárbara Abi-Rihan e Ricardo Rocha, que focaram na intensa interação do ator com a cenografia. Ele interage o tempo integral da peça com os elementos cenográficos. Ele sobe e desce, como se estivesse escalando, pula de pirâmide em pirâmide, desliza, deita e rola, se deita, deixando transparecer todo um conjunto de movimentos corporais associado à interpretação. Ator, cenografia e texto estão intimamente associados na montagem.

O figurino criado por Flavio Souza é de bom gosto, jovial, correta combinação de tons, sobressaindo o cinza e o bege, e facilita a movimentação do ator pelo palco.
A cenografia criada por Ricardo Rocha é criativa, original, bem planejada e disposta corretamente pelo palco. Ganha destaque a rampa de madeira com vãos para sustento das mãos, bem como cinco pirâmides de madeira, cujas partes são flexíveis e encaixáveis. A disposição da cenografia se modifica ao longo da encenação.
No fundo do palco, na parede, aparece em tom vermelho a sinalização do tempo (vinte minutos). Por acaso, o nome do planeta onde o foguete do indivíduo aterrissou.
A iluminação criada por Ricardo Rocha é boa e correta, imperando os tons branco e vermelho.
Há um casamento perfeito entre figurinos, cenografia e iluminação, formando um conjunto harmonioso e equilibrado.
20: Minutos: Daqui é um monólogo cujo texto é humanista e transmite uma mensagem de esperança e sonhos; um ator que deixa transparecer talento e está em processo de crescimento e busca de consolidação da sua carreira; e uma cenografia criativa e original.
Ótima produção cênica!


