Artista plástica, escritora, gestora cultural e fundadora da marca LAD – Literatura, Artes & Design, Maria Araújo construiu uma trajetória marcada pelo diálogo entre arte, memória e identidade cultural. Com atuação no Brasil e no exterior, sua obra transita entre as artes visuais, a literatura e a preservação do patrimônio, sempre com olhar atento à tradição, à história e ao fazer artístico consciente. Nesta entrevista, Maria fala sobre a criação do LAD, sua pesquisa sobre o emblemático Edifício Seabra, sua formação tardia e consistente nas artes plásticas, as referências que moldam seu trabalho e a importância do reconhecimento internacional recebido no Senado da França. Uma conversa que revela uma artista comprometida com a cultura, a educação sensível e a preservação de valores que atravessam gerações.
Chico Vartulli – Olá Maria Araújo! Como surgiu a marca LAD – Literatura, Artes & Design?
Maria Araújo – A marca LAD – Literatura, Artes & Design surgiu do desejo de integrar linguagens e promover o diálogo entre diferentes expressões culturais. Ao longo da minha trajetória, profissional, sempre transitei entre a escrita, as artes visuais, o design e a curadoria, compreendendo que essas áreas se fortalecem quando caminham juntas.
O LAD nasceu como uma plataforma cultural, voltada não apenas à criação autoral, mas também ao incentivo e à valorização de artistas, escritores e designers, promovendo exposições, publicações e projetos culturais no Brasil e no exterior.
Chico Vartulli – Por que você se interessou em estudar o Edifício Seabra?
Maria Araújo – O interesse pelo Edifício Seabra nasceu da convivência cotidiana com esse marco arquitetônico da Praia do Flamengo e da percepção de sua importância histórica e cultural. Ao estudá-lo, busquei resgatar a memória de uma arquitetura que dialoga com arte, design e identidade urbana, refletindo sobre a necessidade de preservação do patrimônio como forma de respeito à história e à cultura de uma cidade. Esse estudo resultou em livro, exposições e pesquisas que marcaram profundamente minha trajetória.
Chico Vartulli – Como se deu a sua formação como artista plástica?
Maria Araújo – Minha formação como artista plástica foi construída de maneira sólida aos 50 anos quando senti o ninho vazio filhos criados e o marido empresario não se aposentou, então de forma contínua, uni o estudo acadêmico a prática artística e vivência cultural.
Acredito que a formação artística não se encerra em um diploma, mas se amplia através da pesquisa constante, do contato com diferentes linguagens, da convivência com artistas e do diálogo com a história da arte, no Brasil e no exterior.
Chico Vartulli – Quais são as suas referências (teóricas e práticas) no campo das artes plásticas?
Maria Araújo – Minhas referências estou aberta as artes, como um todo creio que essa a forma de análise do autor, mas há tempos que fluímos para um determinado seguimento, São fases que ao longo do tempo evolui para outros seguimentos artísticos e literários, foi dessa forma que ocorreu quando me dediquei a Europa Paris e França, ao editar o livro de minha autoria Edifício Seabra sobre Imigração europeia, essa Obra foi muito aceita pela frança especialmente as tradições francesa e italiana, na arte moderna.
Tenho admiração me inspira também, arquiteturas histórica, gosto muito da arquitetura brasileira, com influência europeia, sua riqueza simbólica e também a miscigenação que nos trouxe o erudito, com os mestres das artes e arquitetura.
No campo teórico, procuro sempre o dialogo com estudos de história da arte, estética, patrimônio cultural e identidade, buscando sempre compreender a arte como expressão de tempo, memória e civilização.
Chico Vartulli – Quais são as características do seu “fazer artístico”?
Maria Araújo – Meu fazer artístico é marcado pela narrativa, pela memória e pela identidade cultural.
Tenho dado muita importância em levar minha arte para o exterior , já expus Obras no EUA arte Basel, na Itália e na França, são atuações que muito me emocionam participar.
Trabalho com símbolos, elementos da natureza, arquitetura e figuras que dialogam com o tempo e com a história, buscando sempre construir uma arte que comunique sentido e permanência. Vejo a arte como uma linguagem que deve emocionar, provocar reflexão e preservar valores, respeitando o processo criativo e o significado de cada obra. Nesse percurso, fui honrada quando a obra Brincadeira de Criança, de minha autoria, utilizada como capa de um livro didático da Editora ZMF, destinado a professores de crianças de 4 a 6 anos, foi indicada ao Prêmio Jabuti. A criação dessa imagem nasceu como uma reflexão sobre a liberdade de outros tempos, quando as crianças brincavam nas ruas com tranquilidade — realidade muito distinta dos dias atuais, marcados pelo isolamento, pelo excesso de telas e pela fragilização dos vínculos afetivos.
Com o mesmo carinho, desenvolvi a capa do livro sobre lendas brasileiras, inspirada em nosso folclore, hoje muitas vezes substituído por referências externas, como o Halloween. Esses movimentos de resgate cultural, afetivo e identitário são centrais no meu trabalho, tanto nas artes visuais quanto na literatura, como forma de preservar memórias, emoções reais e valores que considero fundamentais.

Chico Vartulli – Qual foi a importância de você ter sido agraciada com a Medalha de Ouro da Société d’Encouragement au Progrès, no Senado da França?
Maria Araújo – Receber a Medalha de Ouro da Société d’Encouragement au Progrès, no Senado da França, foi uma honra de grande significado. Esse reconhecimento internacional contempla não apenas artistas ou escritores mas ciências e tecnologia, prima por pesquisar nesses personagens além da atuação profissional as o olhar para o social, fiquei muito honrada por terem tido um olhar na minha trajetória não só como minha atuação artista e escritora, mas também meu trabalho como gestora cultural, incentivando artistas, promovendo projetos e fortalecendo o diálogo entre culturas. Representa a validação de uma trajetória construída com seriedade, estudo e compromisso com as artes e a literatura.
Chico Vartulli – Qual é a definição de arte que você compartilha?
Maria Araújo – Para mim, a arte é uma forma de conhecimento sensível e de criar e restabelecer a preservação da memória. Ela educa, emociona e constrói identidade, sendo um legado que atravessa gerações. Acredito na arte como instrumento de elevação cultural, respeito à tradição e expressão autêntica do ser humano.
Chico Vartulli – Quais são os seus projetos futuros?
Maria Araújo – Meus projetos futuros estão voltados à continuidade e ao fortalecimento do LAD – Literatura, Artes & Design, incentivando as artes, a literatura e o design a partir de um olhar atento às artes conservadora, clássica e moderna, hoje muitas vezes esquecida na contemporaneidade, mas com respeito a todas as manifestações artísticas que respeitem tradições baseadas no fio da meada histórica, que possam trazer conhecimentos dos grande mestres históricos para o enriquecimento cultural de novas gerações, tando de artistas como espectadores.
Busco valorizar o respeito ao ofício, o carinho pelo fazer artístico, a dedicação e o mérito de artistas e designers das épocas clássica e moderna, reafirmando a importância da tradição cultural — valores que dialogam diretamente com o reconhecimento recebido no Senado Francês.
Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação



