Na coluna desta edição, Chico Vartulli conversa com a fashion designer brasileira Eduarda Candeo, recém-formada em Fashion Design pela Kent State University, nos Estados Unidos. Em sua coleção de conclusão de curso, intitulada Saudade, a jovem criadora buscou traduzir referências emocionais e culturais do Brasil por meio da moda, explorando materiais, formas e narrativas ligadas à identidade nacional.

Chico Vartulli – Olá, Eduarda! Você poderia comentar sobre o projeto de encerramento do curso de moda da Kent State University?

Eduarda Candeo – O projeto foi desenvolvido como parte do encerramento da minha tese no curso de Bachelor of Fine Arts em Fashion Design, na Kent State University. Tivemos o desafio de criar uma coleção completa com sete looks e, entre eles, três foram selecionados para desfilar no Annual Fashion Show da universidade. Além da coleção, também desenvolvemos uma revista-tese explicando todo o conceito criativo, os processos e a pesquisa por trás do projeto.

A minha coleção se chama Saudade e foi totalmente inspirada no meu país, o Brasil. O objetivo era contar a história desse sentimento, trazendo referências culturais e emocionais por meio da moda.

Apryl Hanneman e Larissa Lemos desfilam looks da coleção Saudade, criada por Eduarda Candeo na Kent State University. — Foto: Jenna Mcmullen / Divulgação

Chico Vartulli – Você poderia comentar sobre a experiência do curso de moda da Kent State University?

Eduarda Candeo – A experiência no curso de moda da Kent State University foi muito enriquecedora e bem americana, principalmente por ser uma universidade localizada em uma cidade menor, onde existem vários colleges reunidos no mesmo campus. O curso de moda é um dos mais conhecidos e valorizados da universidade, então existe uma estrutura muito forte e muitas oportunidades para os alunos.

Chico Vartulli – Como está estruturado o curso de moda da Kent State University?

Eduarda Candeo – O curso de moda da Kent State University é estruturado em quatro anos. No início, as primeiras disciplinas são mais voltadas para o aprendizado das bases da moda, como costura, desenho e técnicas fundamentais de construção de roupa.

Conforme o curso avança, começamos a desenvolver matérias mais técnicas e criativas, como draping, modelagem tridimensional e desenvolvimento em 3D. Depois disso, entramos nos estúdios, que são disciplinas mais práticas, nas quais aplicamos tudo o que aprendemos em projetos e coleções.

Chico Vartulli – Quando você começou a se interessar pelo estudo da moda?

Eduarda Candeo – Eu me interesso por moda desde muito nova. Desde os meus 7 anos, sempre dizia que faria moda e que estudaria fora do país. Esse sempre foi um grande sonho para mim, algo que eu imaginava e esperava que um dia realmente acontecesse.

A moda sempre esteve muito presente na minha vida como uma forma de expressão, criatividade e identidade. Por isso, viver essa experiência internacional estudando moda foi a realização de um sonho que carrego desde a infância. Sou muito feliz por ter conseguido, junto com a minha família, transformar isso em realidade.

Chico Vartulli – O que mais lhe atrai nos estudos sobre moda?

Eduarda Candeo – O que mais me atrai nos estudos sobre moda é justamente o lado prático da área. Eu gosto muito da ideia de colocar a mão na massa, aprender fazendo e desenvolver as peças durante o processo criativo. Acho muito interessante como a moda permite experimentar, testar ideias e transformar conceitos em algo real.

Também acho fascinante o fato de que, na moda, existem muitas opiniões diferentes e quase nada é uma certeza absoluta. As coisas estão sempre mudando e evoluindo. Muitas vezes, você acredita que algo não vai funcionar e, no final, acaba dando muito certo. Isso mostra que não precisamos ficar presos ao que imaginamos no começo do processo, porque as ideias podem mudar completamente ao longo do caminho. Acho essa liberdade criativa uma das partes mais interessantes da moda.

Chico Vartulli – Qual é o campo da moda no qual você tem interesse de se especializar?

Eduarda Candeo – Tenho muito interesse no campo do design em si, porque a minha maior paixão dentro da moda é a criação. O que mais gosto é desenvolver conceitos, criar coleções e pensar na identidade visual e criativa de uma marca.

Tenho muito interesse em, no futuro, me tornar diretora criativa de uma marca, porque é exatamente essa parte criativa que mais me inspira. Também tenho uma grande paixão por marcas clássicas, pela elegância e pela construção de uma identidade forte dentro da moda. É isso que amo fazer e é a área em que quero construir a minha carreira.

Modelos apresentam looks em couro de pirarucu da coleção Saudade, de Eduarda Candeo. — Foto: Aschertyn Sixt / Divulgação

Chico Vartulli – Quais são as suas referências, teóricas e práticas, no campo da moda?

Eduarda Candeo – As minhas maiores referências no campo da moda vêm de grandes nomes clássicos da indústria, como Christian Dior, Coco Chanel e Oscar de la Renta. Sempre admirei muito a elegância, a sofisticação e a construção estética dessas marcas e designers que marcaram a história da moda.

A moda europeia sempre me encantou muito, principalmente pela tradição, pelo luxo e pela forma como o design é tratado como arte. Foi exatamente essa conexão com a estética europeia que me motivou a ir para a Europa em setembro, para continuar explorando esse universo de perto.

Apesar de ter amado estudar moda nos Estados Unidos e de ter tido uma experiência incrível na Kent State University, sinto que a visão estética e criativa que mais se conecta comigo está muito presente na moda europeia. É um estilo que conversa diretamente com o que eu gosto de criar e com a profissional que desejo me tornar.

Chico Vartulli – Quais são os seus projetos futuros?

Eduarda Candeo – No momento, o meu principal projeto futuro é iniciar o mestrado em Paris no segundo semestre deste ano. Esse é mais um grande passo na minha trajetória e também a realização de um sonho, principalmente por poder estudar e viver em um dos maiores centros da moda mundial.

Espero que essa nova experiência abra muitas portas na minha carreira e me permita crescer ainda mais profissionalmente dentro da indústria da moda. O meu maior objetivo é construir uma carreira de sucesso que, no futuro, me leve a me tornar diretora criativa de uma grande marca, trabalhando com criação, desenvolvimento de coleções e design, que é o que realmente amo fazer.

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Chico Vartulli é colunista da Revista Vislun, arquiteto especializado em interiores e apaixonado por arte e cultura. Escreve sobre histórias, entrevistas e experiências do universo artístico.

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