Jornalista e editor, publicitário, relações-públicas, produtor de eventos, professor universitário e autor de livros de sucesso em sua área, Sergio Zobaran também se dedica, há quatro anos, à atividade de galerista à frente da gozto, galeria de design localizada no Largo do Boticário, no Rio de Janeiro.

O paulista completa 50 anos de atuação no eixo Rio–São Paulo com o mesmo entusiasmo de quem transformou a comunicação em trabalho e paixão. Sua trajetória começou aos 18 anos, como assessor de imprensa, em uma época na qual os textos eram impressos e reproduzidos em mimeógrafos. Desde então, atravessou redações, televisão, publicidade, eventos, arquitetura, design e arte, sempre explorando as diferentes camadas da comunicação.

Chico Vartulli – Como tudo começou? Sua vontade de se comunicar surgiu ainda na infância?

Sergio Zobaran – Sim. Tudo começou no jardim de infância, em Ipanema, quando aprendi a ler e a escrever sozinho — e tudo errado. Fizeram-me, então, avançar para o primeiro ano do curso primário. Nos ditados e nas leituras em pé, no meio da sala, percebi que era naquele lugar que eu melhor me encontrava.

Doze anos depois, escolhi o que, no meu caso, parecia inevitável: o curso de Comunicação Social da PUC-Rio. Naquela época, era possível se formar, simultaneamente, em Jornalismo, Relações Públicas, Radialismo, Publicidade e Editoração, com as cinco habilitações registradas no diploma.

Deu no que deu: pratico essa polivalência até hoje. Afinal, para mim, tudo isso é uma coisa só: comunicação.

Sergio Zobaran em retrato exclusivo para a coluna, que celebra seus 50 anos de atuação nas diferentes áreas da comunicação. — Foto: Chrys Tchan / Divulgação

Chico Vartulli – Em quais áreas da comunicação você já trabalhou? Existe alguma em que prefira atuar?

Sergio Zobaran – Já fiz quase tudo. Depois da experiência inicial na assessoria de imprensa, trabalhando com música clássica, jazz e dança, nacionais e internacionais, na Aulus Promoções, passei pelo radialismo.

Naquela época, eu visitava as redações de rádios, emissoras de televisão, revistas e jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo levando press releases, fotografias, slides, cromos e fitas de vídeo.

Tive um estágio curto na Rádio JB, sob a editoria de Ana Maria Machado, hoje integrante da Academia Brasileira de Letras. Ela me recomendou imediatamente e, literalmente, encaminhou-me ao Caderno B do Jornal do Brasil.

Esse suave empurrão, ao mesmo tempo protetor e desafiador, iniciou-me no melhor jornalismo cultural da época. Isso aconteceu em 1976, há exatos 50 anos, e começou com uma matéria de capa, publicada em página inteira no Caderno B.

O sonho continuou na então estreante revista Domingo, do mesmo jornal, também com muitas capas assinadas por mim.

Em seguida, pelas mãos de Leopoldo Câmara, meu professor na faculdade e um publicitário brilhante, surgiu o convite e a grande oportunidade de estrear na Rede Globo da chamada Era Boni.

Foram mais de oito anos de atividades. Comecei na redação publicitária da agência da casa e, depois, assumi dois cargos de gerência nacional: o de Publicidade, aos 23 anos, e o de Comunicação, aos 28, na televisão e na Fundação Roberto Marinho, respectivamente.

Saí de lá aos 28 anos e fui imediatamente trabalhar como assessor de imprensa do primeiro Rock in Rio, realizado em janeiro de 1985, a convite de Luiz Oscar Niemeyer.

Ao final do projeto, recebi um incentivo decisivo de Roberto Medina, que sugeriu que eu abrisse uma empresa de assessoria de imprensa para atender aos clientes da Artplan, como a Inega.

Deu certo. Foram 20 anos de escritórios entre Ipanema e Leblon, sempre cheios de jovens entusiasmados, atendendo centenas de marcas e produtos. O trabalho acabou evoluindo também para a organização de eventos.

Saímos do papel inicial de divulgadores e alcançamos um novo patamar no mercado: surgia a figura do promoter, responsável por lançamentos de marcas de automóveis, barcos, shopping centers, grandes projetos imobiliários, moda, gastronomia, hotelaria, luxo e cultura, incluindo filmes, livros, discos, shows e exposições de arte.

Também realizamos grandes eventos comemorativos para empresas, muitas vezes em parceria com a cenógrafa Maria Pfisterer.

A prática do jornalismo só retornou muitos anos depois, em São Paulo, onde vivi por quase duas décadas. Esse “vício” também me levou à editoração de diversas revistas customizadas para empresas.

Hoje, continuo colaborando com textos para mais de cinco revistas, impressas e digitais, no Brasil e no exterior. Nessa atividade, escolhi me especializar em arquitetura e design, dando continuidade a outras frentes em que já atuava, como divulgação, criação, organização e curadoria de mostras de decoração e design.

Sergio Zobaran, sentado em poltrona de Zanini de Zanine, ao lado de João Victor Lioi, diretor criativo da gozto, na poltrona Mole, de Sergio Rodrigues. — Foto: Joaquim Nabuco / Divulgação

Chico Vartulli – Quando nos conhecemos, você já estava intensamente envolvido com eventos de decoração, não é?

Sergio Zobaran – Sim, e essa passagem nunca terminou. Aprendi a produzir mostras enquanto trabalhava como assessor de imprensa da CASACOR Rio, atividade que exerci durante 12 anos.

Fui o primeiro curador da Mostra Black, em São Paulo, entre 2011 e 2015, e também curador da primeira edição da Casas Conceito, na Bahia. Assinei um espaço na Mostra+Sustentável, em Campinas, e criei, ao lado de Maria di Pace, a Modernos Eternos, em 2014.

O evento mantém, em Belo Horizonte, uma trajetória gloriosa há 11 anos, ao lado da minha sócia, a craque Josette Davis.

Para 2027, estamos organizando o retorno da Modernos Eternos a São Paulo e também ao Rio de Janeiro. O local da edição carioca já foi escolhido.

Chico Vartulli – Desde a criação da gozto e sua entrada mais direta no universo da arte, quais são os seus planos?

Sergio Zobaran – O ideal é conquistar um lugar de respeito para o design autoral, contemplando peças únicas ou de edições limitadas e assinadas, sempre com originalidade, qualidade e proposta.

Queremos estabelecer um diálogo com colecionadores e também com pessoas que estão começando e desejam se aprofundar na compreensão do design como arte.

Entramos no quinto ano de atuação nesse mercado ao lado do nosso diretor criativo, o jovem designer João Victor Lioi. Já realizamos 25 exposições entre Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Em 2026, São Paulo tornou-se nosso principal foco. Estabelecemos uma parceria recente com a BS Galleria, onde permanecemos durante os meses de junho e julho, além de participarmos do Boom SP Design e da DW! Semana de Design, realizada em março.

No Rio de Janeiro, também desenvolvemos ações fora da nossa sede no Largo do Boticário. Participamos com peças em mostras de decoração, como a CASACOR, e em eventos de design, como a Feira Dex, nos últimos dois anos.

Também estivemos na DWRio, com uma exposição na Hathi, no CasaShopping.

Atualmente, apresentamos trabalhos de 15 artistas em um novo espaço: uma galeria pop-up da gozto instalada na 26ª edição da mostra Master Casa, realizada até 20 de setembro, em Araras, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

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Chico Vartulli é colunista da Revista Vislun, arquiteto especializado em interiores e apaixonado por arte e cultura. Escreve sobre histórias, entrevistas e experiências do universo artístico.

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