“A Traição das Imagens”, em cartaz na Galeria Patrícia Costa, será encerrada no dia 26 de setembro, sábado, com um bate-papo entre o artista Sergio Allevato e a curadora Vanda Klabin.

Subvertendo e reorganizando a lógica, Allevato apresenta um repertório que vai da investigação literal à fabulação, evocando questões de ordem histórica, científica, política e filosófica. A partir de um recorte de trabalhos recentes, a individual reúne obras que desafiam certezas e propõem novas leituras sobre o mundo.

Sob a curadoria de Vanda Klabin, foram selecionadas pinturas em tinta acrílica e a óleo sobre tela e linho, além de dois objetos escultóricos da série Tempo, produzidos com relógios de parede antigos arrematados pelo artista em leilões.

“Os relógios da série Tempo são esculturas que utilizam relógios antigos da marca americana Ansonia, que são transformados em personagens. Esses personagens dialogam com um momento muito urgente e muito atual que estamos vivendo.

A série parte justamente da ideia do tempo como uma experiência que, embora tentemos medir, controlar e organizar, parece cada vez mais escapar das nossas mãos. É o tempo que passa, que se acelera, que voa e que nos coloca diante de um futuro que não sabemos exatamente para onde está caminhando.

O relógio, nesse sentido, carrega também essa dimensão do passado, do presente e do futuro. Ele vem do passado, é transformado no presente e, de alguma maneira, aponta para aquilo que ainda está por vir.

E existe uma relação muito forte com o nosso momento histórico: as transformações ambientais, a crise climática, as mudanças profundas que estamos vivendo e essa sensação de que o mundo está se transformando numa velocidade que muitas vezes não conseguimos acompanhar.

É quase uma sensação de que o tempo corre contra nós, justamente diante de questões que são urgentes e que dizem respeito ao nosso futuro”, detalha Allevato.

A exposição evidencia a consistência da pesquisa desenvolvida pelo artista ao longo dos últimos anos, articulando rigor formal, imaginação e reflexão crítica. Nesse percurso, A Traição das Imagens reafirma a pintura como espaço de pensamento e descoberta.

Um dos destaques é a série Colapso, descrita por Vanda Klabin como “o fio narrativo que se desloca para outras leituras críticas, ainda marcadas pelos ecos das incessantes crises mundiais. Estão presentes, nessa cartografia povoada por vestígios, uma maior fluidez nas pinceladas e no uso das cores. Não encontramos ali uma unidade perceptiva, mas contornos imprecisos e ritmos imprevistos. São construções visuais que trazem a ideia de um mundo desarticulado, provocante, perturbador e com grande poder de corrosão”.

Obra sem título, da série Colapso (2025), de Sergio Allevato, óleo sobre tela, 100 × 85 cm. — Foto: Jaime Acioli / Divulgação

A linguagem desenvolvida por Allevato também nasce de um repertório construído ao longo de sua trajetória. Em seu ateliê, referências à colonização, ao meio ambiente e aos biomas se misturam a elementos eruditos e ícones pop, revelando parte do universo que alimenta sua produção.

Sergio Allevato estudou a flora brasileira na Fundação Botânica Margaret Mee, no Royal Botanic Gardens, Kew, em Londres, onde aprofundou seus conhecimentos a partir das ilustrações de elementos botânicos e de estudos com componentes científicos.

Nascido no Rio de Janeiro em 1971, aos 16 anos morou em Florença por três meses, onde cursou pintura e desenho na Scuola Lorenzo de’ Medici.

Mestre em Arte Contemporânea pela Goldsmiths College of London, em Londres, de 2006 a 2008, frequentou o Parque Lage em 2005 e 2006. Em 2001, foi artista em residência do Museu do Deserto do Arizona, em Tucson, nos Estados Unidos. Em 2007, ganhou o Prêmio Aquisição do Salão da Bahia, tendo duas de suas obras passado a integrar a coleção do MAM Bahia. Foi indicado ao Prêmio PIPA em 2010 e 2012.

Entre suas exposições recentes, destacam-se Paisagens em Travessia, com obras do MNBA, na Caixa Cultural Salvador, Bahia, em 2026; Baile, na Galeria Luciana Caravello, em São Paulo, em 2026; Paisagens em Suspensão, com obras do MNBA, na Caixa Cultural Belém, Pará, em 2025; Adiar o Fim do Mundo, na FGV Arte, Rio de Janeiro, em 2025; A Partilha do Imperador Pedro II, no Museu da Justiça, Rio de Janeiro, em 2025; e Imaginary Amazon, na SDSU Gallery, San Diego, Estados Unidos, em 2024.

Algumas obras pertencem a acervos de coleções públicas como San Diego Museum of Art, Estados Unidos; MAR — Museu de Arte do Rio; Museu Nacional de Belas Artes; MAM Bahia — Museu de Arte Moderna da Bahia; Arizona-Sonora Desert Museum, Estados Unidos; Smithsonian Museum, Washington, Estados Unidos; New York Natural History Museum, Estados Unidos; Natural History Museum of London, Reino Unido; e MAM Rio — Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Em 2024, Allevato ilustrou o convite da exposição Imaginary Amazon, na San Diego State University.

Serviço
“A Traição das Imagens” – Sergio Allevato apresenta pinturas e objetos escultóricos
Curadoria: Vanda Klabin
Conversa e encerramento: dia 26 de setembro, sábado, às 15h
Local: Galeria Patricia Costa
Endereço: Av. Atlântica, 4.240/lojas 224 e 225 – Copacabana – RJ
Telefone: (21) 2227-6929/(21) 98868-1993
Contatos: www.galeriapatriciacosta.com.br

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