O estilista mineiro Francisco Terra traz ao Brasil a Maldito Paris, marca criada na França e marcada por uma linguagem autoral que cruza referências LGBTQIA+, fetichismo, sensualidade e volumes exagerados.



Radicado há 20 anos em Paris, Francisco Terra fundou a Maldito Paris em 2020, no início da pandemia, movido pelo desejo de se reconectar com suas raízes brasileiras por meio de processos artesanais.
Ao apresentar a coleção no Cine Copan, em São Paulo, o estilista transforma o desfile também em uma afirmação desse desejo de retorno e aproximação com o Brasil.



A narrativa da coleção parte de uma imagem descrita pelo próprio criador.
“Nesta, pensei em um grupo de amigos que, nos anos 1980, vai para uma cachoeira observar o Cometa Halley”, afirma Francisco Terra.
A partir dessa ideia, surgem na passarela personagens vestidos com maiôs cavados no estilo asa-delta, microbiquínis e calças jeans que deixam parte do bumbum à mostra.


À medida que o desfile avança, a viagem ganha contornos cada vez mais psicodélicos.
Dessas alucinações surgem saias balonê rígidas, construídas com finas camadas de espuma utilizada em travesseiros, vestidos com estruturas tubulares envolvendo o torso e trench coats de mangas bufantes e proporções exageradas.
O trabalho de construção das peças é minucioso e incorpora técnicas associadas aos barracões de Carnaval, com o uso de barbatanas, enchimentos e estruturas internas capazes de produzir formas armadas e volumes escultóricos.

POR FRANCISCO MARTINS – COLUNISTA DE MODA
MALDITO PARIS – FRANCICO TERRA – MODA AUTORAL
@maldito. Paris


