O texto de Leonardo Netto tem como questão central: como pode um indivíduo pacífico, tranquilo, manso e com repulsa à violência ser tomado por um impulso e praticar um ato violento?
O texto é dramático, tenso, problematizador da violência em todos os seus tipos, níveis e graus; questionador, crítico, reflexivo e contemporâneo. Apresenta, de forma crítica, uma reflexão sobre o ser humano e sua capacidade de eliminar e destruir vidas.
O monólogo é protagonizado por Eduardo Moscovis. Ele se apresenta sentado durante todo o tempo da peça, em uma cadeira localizada no centro do palco. E, daquele lugar, dá o seu recado. Eduardo consegue manter o espectador atento à sua fala, que é clara, de fácil entendimento, com ritmo adequado e boa retórica. Ele interpreta com qualidade, emociona e deixa o público inebriado e comovido.
O ator narra o processo que levou Antonio, um matemático, sujeito calmo e de paz, a ser tomado por um impulso que o levou a cometer um ato violento. Ele se apresenta de forma tão convincente que nem sentimos transcorrer o tempo de duração da peça. Tal é a força da sua palavra. Portanto, uma atuação notável.

A direção de Rodrigo Portella focou no texto e deixou Moscovis à vontade naquela cadeira para realizar sua absoluta atuação.
A cenografia de Rodrigo Portella e Milla Fernandez é mínima: uma única cadeira no centro do palco, onde Antonio narra o processo que o levou a cometer um ato violento.
O figurino de Gabriella Marra é simples e de bom gosto. Roupa do cotidiano: camisa de manga curta xadrez, calça e sapato.
A iluminação de Ana Luzia de Simoni apresenta uma luz branca única, que ora está mais intensa, ora menos. Não há variação de tons. Ainda assim, contribui para realçar a interpretação do personagem pelo ator.
O espetáculo é um monólogo que apresenta um texto potente, crítico e reflexivo; um ator com uma atuação notável; e uma direção competente e precisa.
Excelente e imperdível produção cênica.


