– Cuidado: quem não bebe água reabsorve água do cocô!

Para manter o organismo funcionando, o corpo extrai líquidos do bolo fecal. Como resultado, o intestino grosso reabsorve a água residual das fezes, deixando-as ressecadas. Isso pode causar prisão de ventre e outros problemas de saúde.

O processo de absorção intestinal de líquidos é explicado pela fisiologia do sistema digestivo. O intestino delgado absorve a maior parte da água, mas o intestino grosso (cólon) é crucial para recuperar a água restante antes da eliminação. Quando há desidratação, o corpo intensifica essa reabsorção, favorecendo o ressecamento das fezes. A hidratação diária, geralmente calculada em 35 ml por quilo de peso corporal, é essencial para manter a consistência adequada das fezes.

– Você come proteína ou é somente marketing?

A “febre da proteína” é, em grande parte, uma estratégia de marketing da indústria alimentícia. Embora o nutriente seja essencial, o consumo exagerado de produtos industrializados hiperproteicos costuma camuflar alimentos ultraprocessados ou desnecessários.

Para separar o que é ciência do que é propaganda, confira o que realmente importa:

O que é marketing e o que é realidade?

Marketing: produtos como barras, doces e bebidas com o selo “+Proteína” estampado na parte da frente da embalagem.

A realidade: na maioria das vezes, esses produtos continuam ricos em gorduras, açúcares e sódio. A lista de ingredientes revela que a proteína vem de fontes isoladas e adicionadas à formulação.

Nutrição de verdade: fontes naturais, como ovos, frango, carne, peixe, laticínios, lentilha e grão-de-bico, são mais eficientes e baratas, além de fornecerem micronutrientes essenciais.
Quanto você realmente precisa?

Pessoas sedentárias: a recomendação padrão gira em torno de 0,8 a 1,0 g por quilo de peso corporal.

Praticantes de musculação e atletas: precisam de um pouco mais, com valores que variam de 1,4 a 2,0 g por quilo de peso corporal para favorecer a recuperação e o ganho muscular.

O perigo do excesso: comer mais proteína do que o corpo precisa não é sinônimo de maior ganho de massa muscular. O limite de absorção por refeição varia de 25 a 30 g. O excedente pode ser armazenado como gordura ou até sobrecarregar os rins e o fígado.

– O que acontece com o seu corpo se você comer um ovo por dia?

Comer um ovo por dia fornece proteínas de alta qualidade e vitaminas essenciais, como A, D, E e B12. Isso contribui para o ganho de massa muscular, aumenta a saciedade, protege a visão e favorece a saúde cerebral, sem prejudicar o coração de pessoas saudáveis.

Entre seus diversos efeitos positivos para o organismo, estão:

Manutenção muscular e saciedade: as claras são fontes de proteína, que contribuem para a manutenção dos músculos e ajudam a reduzir a vontade de comer alimentos pouco nutritivos ao longo do dia.

Melhora da memória: a gema contém colina, substância necessária para o bom funcionamento do cérebro.

Visão protegida: antioxidantes como a luteína e a zeaxantina ajudam a diminuir o risco de catarata e degeneração macular.

Ossos fortes: o ovo fornece vitamina D, que auxilia na absorção do cálcio e contribui para a saúde dos ossos.

– Mitos e verdades sobre nutrição: o ovo aumenta o colesterol ruim (LDL)?

Mito. Estudos científicos modernos mostram que o colesterol presente no ovo tem pouco impacto no colesterol sanguíneo para a maioria das pessoas. Os principais responsáveis pelo aumento do LDL, o chamado colesterol ruim, são as gorduras saturadas e trans, frequentemente consumidas junto com o ovo, como no bacon ou no preparo com manteiga.

– Mitos e verdades sobre nutrição: água com limão em jejum queima gordura?

Mito. A mistura não derrete gordura, mas fornece vitamina C e antioxidantes. O que realmente promove o emagrecimento é o déficit calórico mantido ao longo do dia.

– Mitos e verdades sobre nutrição: suco de fruta natural é menos saudável do que a fruta inteira?

Verdade. O suco costuma exigir uma quantidade maior de frutas, concentra mais açúcar, na forma de frutose, e perde boa parte das fibras, fundamentais para controlar a saciedade e os picos de glicemia.

– Mitos e verdades sobre nutrição: a tapioca é sempre melhor do que o pão francês?

Mito. Em termos de calorias e carboidratos, ambos são muito parecidos. A escolha deve se basear nas preferências e na saciedade de cada indivíduo.

– Crononutrição: alimentos para comer na hora certa

A crononutrição alinha o que você come ao seu relógio biológico, ou ritmo circadiano. Pela manhã, o metabolismo está preparado para processar energia; à noite, o corpo deve repousar. Concentre as calorias e os carboidratos no início do dia e mantenha o jantar leve e antecipado.

Manhã (janela de alta energia): este é o momento ideal para fornecer energia ao corpo após o jejum noturno.

O que comer: carboidratos complexos e proteínas.

Exemplos: batata-doce, inhame, banana-da-terra, pão integral, ovos mexidos, iogurte e castanhas.

Almoço (pico metabólico): o corpo está em um momento favorável para digerir e absorver nutrientes que sustentarão as atividades da tarde.

O que comer: refeições completas e ricas em nutrientes.

Exemplos: arroz integral, feijão, carnes magras ou peixes e uma variedade de vegetais e legumes.

Tarde (lanches estratégicos): os lanches ajudam a manter a saciedade e evitam oscilações de energia que podem causar cansaço.

O que comer: lanches leves e de fácil digestão.

Exemplos: frutas com sementes, como chia ou linhaça, mix de castanhas ou iogurte proteico.

Noite (foco no repouso): à noite, o metabolismo desacelera e o corpo prioriza o armazenamento de energia. Por isso, evite refeições de digestão pesada.

O que comer: alimentos com baixo índice glicêmico e fontes naturais de melatonina para ajudar no sono.

Exemplos: legumes cozidos, lentilha, aveia e frutas leves, como maçã, pera e abacaxi. Evite carnes muito pesadas e refeições ricas em gordura e açúcar.

Para implementar essa rotina com sucesso, recomenda-se manter um jejum de 10 a 12 horas durante a noite e encerrar as refeições pelo menos duas a três horas antes de dormir.

– Superalimento do mês — julho: abacate

O abacate é o superalimento do mês e uma das estrelas da safra de inverno. Rico em gorduras monoinsaturadas, como o ácido oleico, fibras, potássio e vitaminas C e E, ele contribui para a saúde cardiovascular, aumenta a saciedade e favorece a saúde da pele e dos cabelos.

Por que a ciência o considera um superalimento?

Controle do colesterol: ajuda a reduzir o colesterol “ruim” (LDL) e a aumentar o “bom” (HDL).

Absorção de nutrientes: facilita a absorção de vitaminas lipossolúveis presentes em outros vegetais consumidos na mesma refeição.

Ação anti-inflamatória: seus fitoesteróis e antioxidantes auxiliam no combate a inflamações, inclusive em casos de osteoartrite.

Como consumir e aproveitar a safra: por ser versátil, o abacate pode servir de base para guacamole, recheios salgados, vitaminas e saladas, ou ser consumido in natura com um pouco de limão e sal.

Compartilhar.

Matheus Oliveira é colunista da Revista Vislun, nutricionista especializado em nutrição clínica e esportiva. Escreve sobre saúde, alimentação e qualidade de vida.

Adicione um comentário
Você precisa fazer o para publicar um comentário.