“No Rio de Janeiro há de tudo – e até cariocas”. “Por enquanto o ser humano é apenas um projeto sempre adiado”. “O trágico na amizade é o dilacerado abismo da convivência”. “Em amor, deve-se mentir, sempre!”. Tais pensamentos só poderiam nascer da mente daquele que é considerado o maior dramaturgo brasileiro de todos os tempos: Nelson Rodrigues. Frasista genial, aclamado, odiado, censurado. Respeitado até por seus detratores. Sua obra desperta os mais variados sentimentos, jamais a indiferença. O mais carioca dos pernambucanos volta à cena em ‘Nelson Rodrigues – o passado sempre tem razão’. O jornalista Carlos Jardim assina a dramaturgia e a direção do monólogo que traz Bruce Gomlevsky interpretando o autor de clássicos como ‘Vestido de noiva’, ‘O beijo no asfalto’, ‘Álbum de família’, entre outros. A estreia nacional será no Teatro 2, do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), no dia 1º. de maio de 2026, em curtíssima temporada.
O monólogo não é uma biografia convencional. Carlos Jardim não conta de forma cronológica a vida de Nelson Rodrigues. O que está em cena é o pensamento, a palavra, a alma de um homem atormentado, contraditório e genial. “Busco mostrar o Nelson que não foge da polêmica, que faz reflexões profundas, mas que também se mostra humano e, às vezes, até vulnerável. A intenção é mostrar seu pensamento intenso, conturbado, que até hoje se mostra vivo e relevante”, explica Jardim, que ficou mais de quatro meses mergulhado no universo do escritor. Nada mais justo que as próprias falas e os escritos de Nelson sejam protagonistas do texto, com diversos pensamentos do autor reunidos por uma costura meticulosa.
O texto que ganha o corpo de Bruce Gomlesvky é quase 100% fiel às falas e escritos originais de Nelson Rodrigues, com pequenas intervenções de Carlos Jardim que, além de mergulhar na obra do homenageado, assistiu a inúmeras entrevistas em vídeo, vasculhou o material disponível em livros e crônicas e foi pinçando trechos até chegar à forma final do texto, que conta com a colaboração do próprio Bruce. “Cheguei à sala de leitura com um roteiro pronto, mas, desde o primeiro momento, deixei claro que estava aberto às sugestões. Bruce é um apaixonado pelo Nelson e sonhava em interpretar o dramaturgo. Conforme fomos lendo e trabalhando no texto, ele foi trazendo trechos incríveis, que se encaixavam com perfeição à ideia original”, exalta Jardim. “Quando li a dramaturgia inicial concebida pelo Carlos Jardim já me apaixonei pelo projeto, mas sugeri que continuássemos em uma busca que pudesse enriquecer ainda mais a dramaturgia. Temos um diretor brilhante e muito aberto para um processo colaborativo”, complementa Bruce.
A relação de Bruce com Nelson Rodrigues vem de longo tempo. Dirigiu espetáculos como ‘Bonitinha, mas ordinária’ e ‘Anti-Nelson Rodrigues’. Interpretar o dramaturgo é um desejo antigo. “Sou apaixonado pela obra dele. Com certeza, um dos maiores dramaturgos do século XX, no mundo. Um profundo conhecedor da psique humana. Autor de estilo único, criador de uma linguagem própria que, corajosamente, coloca em cena e desnuda o que há de mais profundo no inconsciente humano, despudoradamente e de forma amoral”, vibra o ator.
O monólogo traz reflexões importantes e mostra como o escritor se mantém cada vez mais atual. Em ano de eleições e Copa do Mundo, a paixão de Nelson por futebol e política e suas opiniões polêmicas entram em cena ao lado de temas sempre presentes na vida do escritor, como amor, adultério, morte, o Rio de Janeiro e suas contradições, o subúrbio carioca e seu cotidiano pulsante. Pensamentos muitas vezes polêmicos, frases que podem gerar identificação ou mesmo repúdio. Nelson nunca temeu dizer o que pensava e está presente no espetáculo em toda sua genial contradição. Para Carlos Jardim, trazer esses questionamentos é muito importante, ainda mais em um momento no qual o país vive tão polarizado: “o que mais me atrai é poder provocar discussões ainda muito pertinentes através do pensamento dele, especialmente no mundo de hoje, em que o diálogo e as dúvidas deram lugar a certezas absolutas e posições radicais que não admitem revisão”.
Bruce Gomlesvky tem experiência em interpretar personagens reais. Já viveu ícones como Renato Russo e Raul Seixas nos palcos, Henfil no cinema, e agora tem estudado todo o universo do escritor, bem como assistido a tudo que existe dele, entrevistas, depoimentos, em uma pesquisa minuciosa. A preocupação, contudo, não é mimetizar Nelson Rodrigues. “Essa questão pode aparecer em alguns momentos em cena, mas o mais importante é trazer a alma do Nelson. Inevitavelmente, será sempre o “nosso Nelson”. Um Nelson Rodrigues visto através de “nossas lentes” “.
Nascido em Recife, Nelson Rodrigues veio ainda criança para o Rio de Janeiro, onde tornou-se jornalista, escritor, firmou sua identidade e criou uma obra fundamental para a cultura brasileira. Autor de romances, crônicas, contos, foi no teatro que o autor alcançou seu apogeu com uma série de peças que são referência na dramaturgia criada no Brasil. A crítica nem sempre o aplaudiu. O público chegou a vaiar alguns de seus espetáculos. Muitas vezes, o reconhecimento só veio tardiamente, pois sempre esteve à frente de seu tempo. “O fascinante é que você não precisa concordar com ele para admitir sua genialidade”, vibra Jardim.
Quase cinquenta anos após sua morte, Nelson Rodrigues segue sendo celebrado, montado, debatido, mas permanece, muitas vezes, incompreendido. Embora se declarasse um romântico, ele nunca quis ser amado por todos. Muito pelo contrário, como cunhou em uma de suas mais célebres frases: “toda unanimidade é burra”.
Sinopse
O maior dramaturgo brasileiro nunca sai de cartaz, com suas peças sempre atuais e relevantes. Livros e ensaios são leituras obrigatórias para entender a força da escrita do “Shakespeare brasileiro”. ‘Nelson Rodrigues – O passado sempre tem razão’ vai além, e leva para o palco as próprias falas do autor de clássicos como ‘Vestido de noiva’ e ‘Álbum de família’.
Responsável pela dramaturgia da peça, Carlos Jardim “pescou” falas registradas em inúmeras entrevistas dadas por Nelson, além de trechos de crônicas e peças, formando uma dramaturgia própria para um grande ator levar esses pensamentos – sempre atuais – para a cena. Bruce Gomlevsky aceitou desafio com entusiasmo e já está mergulhado no universo rodrigueano, para absorver a atmosfera única do grande escritor.
“O passado sempre tem razão” é uma fala de Nelson que se mostra cada vez mais verdadeira, uma vez que o maior dramaturgo brasileiro, tão aclamado quanto odiado, está cada vez mais atual. Estão presentes em cena os temas que sempre apaixonaram Nelson, como amor, adultério, política, futebol e suas próprias peças. Destaque especial para as falas sobre futebol, as vésperas da Copa do Mundo. E também para o pensamento político do escritor, com suas teorias polêmicas e extremamente atuais, que vão criar um grande debate em 2026, ano em que vamos ter uma das mais importantes e polarizadas eleições presidenciais da nossa história.
Carlos Jardim
Diretor e roteirista de ‘Maria – Ninguém sabe quem sou eu’, sobre a cantora Maria Bethânia. Lançado pela Globo Filmes em 2022, foi o documentário nacional mais visto no ano. Autor e diretor da peça ‘Textos cruéis demais – Quando o amor te vira pelo avesso’, que estreou em janeiro de 2023, com temporadas no Rio e em São Paulo, onde teve lotação esgotada. Assina também texto e direção, ao lado de Eduardo Barata, da comédia ‘As tias do Adolfinho’, com estreia prevista para 2027.
Jornalista com 41 anos de experiência, Carlos Jardim trabalha na TV Globo há 29 anos, tendo passado por ‘Fantástico’ e ‘Jornal Nacional’, onde ganhou o Emmy Internacional de 2011 pela cobertura da ocupação do Conjunto de Favelas do Alemão, no Rio. Atualmente é Chefe de Redação da GloboNews, onde criou a faixa de minidocumentários ‘GloboNews Documento’. Carlos Jardim faz as entrevistas e assina direção, roteiro e edição. Já foram ao ar – e estão no Globoplay – os docs com Maria Bethânia, Zezé Motta, Daniela Mercury, Teresa Cristina e Fafá de Belém.
No Entretenimento da Globo, foi o idealizador, diretor geral e roteirista final do programa ‘Assim como a gente’, com apresentação de Fátima Bernardes, que estreou 2023 no GNT/Globoplay. Foi roteirista das temporadas 2019 e 2020 da ‘Escolinha do Professor Raimundo’, exibidas na Globo e no Canal Viva. Fez parte da equipe de criação do programa ‘Encontro com Fátima Bernardes’, em 2012.
Bruce Gomlevsky
Ator, produtor, cenógrafo e encenador teatral há 30 anos. Indicado ao prêmio Shell e ao prêmio Cesgranrio como melhor diretor de 2014, pelos espetáculos ‘Festa de família’ e ‘Funeral’, de Thomas Vinterberg. Participou de mais de 70 espetáculos teatrais. Destacam se: ‘Memórias do esquecimento’ (Prêmio APTR de melhor ator 2018); ‘Uma Ilíada’ (Prêmio Cesgranrio de melhor ator 2015); ‘O homem travesseiro’, de Martin Mc Donagh (prêmio APTR de melhor direção e melhor espetáculo 2012); ‘A volta ao lar’, de Harold Pinter; ‘Cyrano de Bergerac’; ‘Renato Russo’ (indicado ao prêmio Shell de melhor ator 2007 e visto por 500 mil pessoas em mais de 40 cidades brasileiras), entre outros. Integrou por 3 anos a Cia de Ópera Seca, dirigida por Gerald Thomas.
Bruce Gomlevsky é também fundador e diretor artístico da cia teatro Esplendor e seu espetáculo ‘Um tartufo’ foi indicado a mais de 8 prêmios na cidade do Rio de Janeiro, em 2018. Em 2022, dirigiu ‘Uma Revolução dos Bichos’ e, em 2023, ‘Outra Revolução dos bichos’, com o qual foi indicado ao prêmio Shell e APTR de melhor diretor. Atualmente, dirige ‘Hamlet’ e o solo ‘Pedrinhas Miudinhas’.
Ficha Técnica
Realização: Noticiarte Produções
Ator: Bruce Gomlevsky
Direção e dramaturgia: Carlos Jardim
Colaboração dramaturgia: Bruce Gomlevsky
Assistente de direção: Flávia Rinaldi
Trilha original: Liliane Secco
Direção de produção: Luiz Prado
Assistentes de produção: Bernardo Brito e Danielle Senra
Cenário: Nello Marrese
Iluminação e operação de luz: Elisa Tandeta
Figurinos: Maria Callou
Redes sociais: Clara Corrêa
Assessoria jurídica: Berenice Sofiete
Operador de som: Consuelo Barros
Fotos: Dalton Valério
SERVIÇO:
‘NELSON RODRIGUES – O PASSADO SEMPRE TEM RAZÃO’ –
Estreia: 01 de maio de 2026
Temporada: até 25 de maio de 2026
CCBB RJ – Teatro II
Horários:
Segunda – 19h
Quarta a sábado – 19h
Domingo – 18h
Duração: 1h15
Classificação etária: 14 anos
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), disponíveis no site bb.com.br/cultura, e na bilheteria do CCBB RJ.
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro – RJ
Contato: 21 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br
Mais informações em bb.com.br/cultura
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Funcionamento CCBB RJ:
De quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças).
ATENÇÃO: Domingos, das 8h às 9h – horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017)


