O espetáculo voltado para o público infanto-juvenil é uma idealização de Naira Carneiro, da Cia Os Buriti, que também é a atriz protagonista. Ela assina a direção e a dramaturgia em parceria com Duda Rios.

O texto narra a jornada de Arian, personagem que tem a missão de impedir que o Sol se ponha e nunca mais volte a nascer. Sua função é a de vigiar o Sol, e a sua sina é um desígnio de Deus.

O sol é o nosso “astro-rei”. É ele quem ilumina a Terra. Nós, seres vivos, precisamos dos raios solares para sobreviver. Luz é vida, é conhecimento, é saúde, é alegria.

Se Arian deixar o sol se por, o planeta ficará mergulhado na escuridão, nas trevas. E na penumbra, a vida não floresce. Por exemplo, como os vegetais irão realizar a fotossíntese sem a luz solar? Como iremos nos alimentar? A ausência de luminosidade faz com que os seres vivos adoeçam, fiquem tristes e desolados, solitários, isolados, e passa reinar a ignorância.

Por isso, Arian, um ser de luz, juntamente com a nuvem Caralampia, se empenham na missão de manter o Sol no seu devido espaço: no lugar mais alto do céu, por cima de tudo e de todos.  Os “arranha-céus” das grandes cidades são espaços ideais para ele se esconder. Mas, Arian vigia para isso não acontecer.

Crédito: Diego Bresanin

Para que o breu não reine, Arian não pode deixar o sol se por. Então, ela pega uma jangada e adentra o mar com a ideia de remar sempre em direção ao astro, uma vez que no imenso oceano azul, o Sol não tem onde se esconder.

O texto deixa transparecer o seu caráter lúdico. Exala poesia e lirismo. É claro, simples e objetivo. A mensagem é facilmente compreendida. É uma viagem pela imaginação, uma história que para compreendermos devemos deixar nossa mente vagar.

E não podemos deixar de sublinhar que Arian é a inversão do nome Naira, da atriz. Realidade e sonho.

Ainda que o texto tenha uma mensagem de fácil compreensão, não é sinônimo de “infantilóide”. Ele apresenta uma mensagem e uma reflexão importante. Vamos cuidar do sol! Nós precisamos dele! Vamos vigiar e mantê-lo em equilíbrio constante!

A atriz desempenha bem o papel de Arian. Ela domina o texto e o palco. Sabe transmitir a mensagem e apresenta uma boa interpretação. A sua Arian é cuidadosa, vigilante, atenta, pois ela é uma heroína.

O figurino criado por Eliana Carneiro apresenta um macacão em tom vermelho e uma capa presa as costas em  azul. Lembra uma heroína. É de bom gosto, bonito, e adequado.

O cenário idealizado por Marcelo Larrea e Ianara Elisa é constituído por um imenso pano branco que cobre todo o palco. Ao pano estão presas cordas que dão movimentação ao mesmo e formam imagens, como nuvem, jangada, manto divino, mar, estrelas, entre outros. O cenário é bastante criativo, sobretudo por não ser algo estático, e apresentar movimentação. Arian interage o tempo todo com o cenário.

Cenário e figurino são produções do pai e da mãe da atriz. Uma peça produzida em família!

A iluminação é de Felipe Medeiros, qie apresenta uma luz bonita, que também interage com o cenário. Bastante interessante é o momento em que a atriz está por trás do pano e a luz ao refletir no mesmo, projeta a sombra de Arian.

A trilha musical composta por Beto Lemos apresenta bonitas canções, com uma doce melodia, e agradável aos ouvidos.

E Arian nos conquistou! Deixamos o teatro felizes da vida porque o sol não repousou. Ele permanecerá lá em cima, lindo como ele só, irradiando as “luzes”.

Excelente produção cultural infanto-juvenil!

Texto redigido por Alex Gonçalves Varela.

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Alex Gonçalves Varela é historiador, professor do Departamento de História da UERJ, e autor de diversos enredos para escolas de samba, tendo sido autor dos enredos campeões do carnaval de 2006 e 2013. É autor de livros e artigos.

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