Mais de um século após sua criação, Gaivota segue provocando o público ao revelar conflitos humanos que atravessam gerações e permanecem profundamente atuais. Escrita por Anton Tchékhov no final do século XIX, a obra retorna aos palcos pela Armazém Companhia de Teatro, versão cênica de Paulo de Moraes, como um retrato sensível das relações afetivas, das inquietações existenciais e da busca incessante por reconhecimento em uma sociedade marcada pela frustração e pela solidão. Na montagem, humor e melancolia se encontram para revelar personagens intensamente vivos, unidos por uma pergunta: como reconhecer a vida enquanto a estamos vivendo? A nova temporada carioca acontece de 22 de outubro a 1º de novembro, quintas e sextas às 19h, sábados e domingos às 17h (Não haverá espetáculo no domingo 25/10).
Ambientada em uma propriedade rural às margens de um lago, a peça acompanha personagens movidos por desejos interrompidos, ambições artísticas e amores não correspondidos. No centro da narrativa estão Konstantin Treplev (Jopa Moraes), jovem escritor que sonha transformar a linguagem teatral, e Nina (Lorena Lima), aspirante a atriz fascinada pela ideia de sucesso e realização artística. Ao redor deles, figuras consumidas pelo desgaste emocional expõem a fragilidade dos vínculos humanos.
Considerada um marco do teatro moderno, Gaivota rompeu com os modelos dramáticos tradicionais ao deslocar o foco das grandes ações para os conflitos íntimos e silenciosos de seus personagens. Com diálogos sutis, humor melancólico e forte carga psicológica, Tchékhov constrói uma obra em que o não dito ganha protagonismo, revelando tensões emocionais que continuam ressoando no presente.
A montagem dialoga diretamente com questões contemporâneas ao abordar temas como ansiedade, necessidade de validação, crise de pertencimento e pressão por reconhecimento social e profissional. Em uma época marcada pela exposição constante, pela competitividade e pela busca de visibilidade, os personagens de Tchékhov refletem angústias que permanecem presentes na vida contemporânea.
Ao discutir os embates entre tradição e renovação artística, Gaivota também lança um olhar sobre os desafios da criação cultural em tempos de transformação. O conflito entre diferentes gerações, linguagens e visões de mundo reforça a atualidade de uma obra que segue interrogando o papel da arte e das relações humanas diante das incertezas da sociedade.
Entre humor, desencanto e desejo, Gaivota permanece como um retrato profundo da condição humana – uma peça que atravessa o tempo ao transformar fragilidades íntimas em reflexão coletiva.
Sobre a montagem da Armazém Companhia de Teatro, o diretor Paulo de Moraes reflete que “um clássico não pode ser tratado com reverência. Ele permanece vivo justamente porque continua produzindo atrito, desconforto e conflito. Em Gaivota, o que mais me atravessa é a necessidade humana de pertencimento. Mais do que reconstruir Tchekhov, nosso desafio é descobrir como essa gaivota continua nos observando hoje.”
Ficha técnica
Direção: Paulo de Moraes
Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça, Jopa Moraes e Paulo de Moraes a partir da obra de Anton Tchekhov
Montagem da Armazém Companhia de Teatro
Elenco: Bruno Lourenço (Boris Trigórin), Felipe Bustamante (Dorn), Isabel Pacheco (Masha), Jopa Moraes (Konstantin), Lorena Lima (Nina), Patrícia Selonk (Irina Arkádina) e Sérgio Machado (Sórin)
Cenografia: Carla Berri e Paulo de Moraes
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurinos: Carol Lobato
Direção musical: Ricco Vianna
Preparação corporal: Paulo Mantuano
Aulas de Tai Chi Chuan: Leandro Castilho
Designer gráfico: Jopa Moraes
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotografias e vídeos: João Gabriel Monteiro
Produção executiva: Flávia Menezes
Assistentes de produção: William Souza e Malu Selonk
Direção de produção: Paulo de Moraes e Patrícia Selonk
Produção: Armazém Companhia de Teatro
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
Serviço
Sobre a “Ocupação” acesse @armazemciadeteatro ou producao@armazemciadeteatro.com.br
Sobre o espetáculo Gaivota:
Temporada: 22 de outubro a 1º de novembro de 2026, quinta e sexta às 19h, sábado e domingo às 17h (não haverá espetáculo no domingo 25/10).
Local: Teatro Municipal Carlos Gomes – Praça Tiradentes s/n, Centro, Rio de Janeiro
Valor do ingresso: R$ 80 (inteira) e R$40 (meia-entrada)
Estudantes, professores da rede pública e maiores de 65 anos pagam meia entrada.
Funcionamento da Bilheteria: Quartas das 14h às 18h, quintas e sextas das 16h às 20h, sábados e domingos das 14h as 18h
Duração: 120 minutos
Classificação: 16 anos


