Escrita em 1947, é um mergulho denso no inconsciente familiar – uma tragédia brasileira em forma e espírito, marcada por paixões, desejos proibidos e morte. ‘Senhora dos Afogados’ nos mostra uma sociedade à beira do colapso. A montagem do Teatro Oficina, com direção de Monique Gardenberg, chega ao Rio no dia 18 de setembro e fará 10 apresentações, até 3 de outubro, no Ação e Cidadania, na Gamboa.

Nelson Rodrigues, como dizia Zé Celso, “é um artista dionisíaco, que estupra todas as máscaras sociais no cosmo da vida como ela é”. Ele é “um outro”, para lá do bem e do mal, tão imenso quanto Shakespeare, Rimbaud e Oswald de Andrade. 

“Monique é uma parceiraça, nos conhecemos em 1994 quando levou a nossa montagem de ‘Hamlet’ para o Rio, no Parque Lage, e sempre se manteve ligada ao Zé Celso. 30 anos depois, quando voltávamos do crematório após a morte do Zé, Monique perguntou o que iríamos fazer depois da montagem da ‘Queda do Céu’, o projeto que Zé estava trabalhando na adaptação. Foi aí que falei que seria filmar ‘Senhora dos Afogados’ e, na hora, saiu a pergunta se ela topava dirigir. Topou, e a direção da Monique é sensacional, com um processo completamente diferente do que estávamos acostumados. A mistura que ela faz do teatro com cinema, e nós acostumados à câmera em cena, deu muito certo”, conta Marcelo Drummond.

Nesta encenação, o espaço cênico é atravessado por elementos audiovisuais, trilha original e climas sensoriais. Um coro recorrente de “putas do cais” evoca Zé Celso e sua montagem operística reforça o clima alucinatório da narrativa. 

Cena de Senhora dos Afogados, espetáculo do Teatro Oficina que chega ao Rio de Janeiro para a Semana de Arte do Rio. — Foto: Divulgação

Ambientada em uma casa à beira-mar, onde o oceano é mais que cenário – é extensão simbólica da psique familiar – a peça propõe um mergulho nos limites entre realidade e delírio, desejo e culpa. A casa, impregnada de sal, luto e memória, torna-se um organismo vivo: muda como as marés, ecoa as vozes silenciadas e revela as camadas subterrâneas de uma família dilacerada e uma sociedade hipócrita. 

No centro da trama está Misael (Marcelo Drummond), juiz assombrado por segredos que emergem das profundezas do passado. Ao seu redor, giram personagens tomados por impulsos inconfessáveis: Moema (Lara Tremouroux), a filha intensa, e Eduarda (Leona Cavalli), esposa e figura central de uma dinâmica familiar marcada por moralismo, poder e ressentimento. 

“Fazer ‘Senhora dos Afogados’ no Rio é especial, um mergulho ainda maior nas águas profundas do universo de Nelson Rodrigues. Ao mesmo tempo em que celebramos a continuidade do Teatro Oficina, com essa direção de Monique Gardenberg homenageando Zé Celso; num grande encontro de atores e atrizes que trabalharam com ele”, afirma Leona Cavalli.

Senhora dos Afogados é um espetáculo que convida o público a encarar seus próprios abismos.

Senhora dos Afogados combina teatro e elementos audiovisuais em montagem dirigida por Monique Gardenberg. — Foto: Divulgação

Semana de Arte do Rio

Entre os dias 16 e 27 de setembro de 2026, a primeira edição da Semana de Arte do Rio reunirá mais de dez festivais de diferentes linguagens artísticas, além de exposições, intervenções urbanas e atividades culturais realizadas em equipamentos públicos e privados da região central da cidade. A programação reúne tanto projetos já consolidados na cena cultural carioca quanto festivais mais recentes, que refletem a diversidade e a produção artística contemporânea.

SERVIÇO:
Local: Ação e Cidadania (Rua da Gamboa, 246 – Santo Cristo)
Datas: Setembro – 18, 19, 20, 24, 25, 26, 27 | Outubro – 01, 02 e 03
Horários: Sessões às 19h | Domingos às 17h
Duração: 150 minutos (com intervalo)
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 495 lugares
Ingressos: R$120,00 (inteira) | R$60,00 (meia)
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/125561
 
FICHA TÉCNICA:
Família Drummond
Misael Drummond – Marcelo Drummond                                              
Dona Eduarda – Leona Cavalli                                                               
Dona Marianinha – Regina Braga
Moema – Lara Tremouroux
Paulo – Kael Studart
Dora – Zizi Yndio
Clarinha – Larissa Silva 
Vizinhas                                                                                                  
Cristina Mutarelli, Giulia Gam, Michele Matalon e Lígia Cortez 
 
Cais                                                                                            
Noivo – Roderick Himeros                                                                      
Mãe do Noivo – Sylvia Prado
Dona do Puteiro – Selma Paiva
Vendedor de Pentes – Marcelo Dalourzi                                           
Sabiá – Alexandre Paz 
 
Mulheres da Vida 
Danielle Rosa, Kelly Campêllo, Larissa Silva, Mariana de Moraes e Zizi Yndio do Brasil 
 
Michês 
Tony Reis e Victor Rosa
 
Banda
Carlos Eduardo Samuel, Felipe Botelho e Pedro Gongom 
 
Realização: Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona 
Texto: Nelson Rodrigues 
Direção e Trilha Sonora: Monique Gardenberg 
Direção de Vídeo: Igor Maros Dumont e Ciça Lucchesi 
Arquitetura Cênica: Marília Piraju 
Figurino: Cássio Brasil 
Visagismo: Sonia Ushiyama Souto 
Desenho de luz: Pedro Felizes e Sarah Salgado 
Direção Musical: Felipe Botelho 
Direção de Movimento: Marcia Rubin
Direção de Cena: Elisete Jeremias e Rafael Bicudo 
Desenho e Operação de Som: Camila Fonseca 
Adereços e Objetos: Abmael Henrique 
Máscaras Vizinhas: Ricardo Costa 
Direção de Produção: Tati Rommel 
Produção: Ana Sete e Filipe Fonseca 
Produção executiva: Anderson Puches 
Ass. de Direção: Maria Borba 
2o Ass. de Direção: Anderson Moreira Sales e Vinícius Tardite 
Câmera ao vivo: Igor Maros Dumont 
Operação de luz: Victoria Pedrosa e Monise Pedrosa
Assistente de som: Clevinho Ferreira 
Contrarregra: Uirá Clemente
Assistente de maquiagem: Erica Gabi e Cleiton Almeida
Camareira: Cida Melo 
Assistente de camareira: Yaminah Olubunmi 
Identidade visual e programa: Igor Maros Dumont 
Assessoria de Imprensa: Factoria Comunicação
Coordenação Acervo Oficina: Elisete Jeremias 
Guardiã Figurinos / Acervo Oficina: Cida Melo 
Arquivo Acervo Oficina: Thaís Sandri 
 
Montagem Rio de Janeiro
Produção: Maria Borba e Ciranda de 3 trupe
Sonorização: 220 Decibéis
Montagem de luz: LPL
Espaço cênico: P&G e Cenostage
Coordenador de montagem: Ney Silveira
Apoio Cultural: P&G, Cenostage, On Projeções e LPL 
Realização: Secretaria de Cultura do Município do Rio de Janeiro e Semana de Arte e Cultura do Rio de Janeiro

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Conteúdo sob a linha editorial da Revista Vislun, com informação, tendências atuais e olhar crítico contemporâneo.

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