Gustavo Gasparani volta aos palcos cariocas com o espetáculo solo Como Posso Não Ser Montgomery Clift?, em curta temporada no Teatro Laura Alvim, em Ipanema, de 3 a 26 de julho. Com texto do premiado dramaturgo espanhol Alberto Conejero López e direção de Fernando Philbert, a montagem mergulha na trajetória de Montgomery Clift (1920-1966), um dos maiores ícones do cinema americano na era de ouro de Hollywood.
A peça reflete sobre a opressão que a fama pode exercer sobre uma pessoa pública, a ponto de fazê-la se perder de si mesma ao tentar corresponder ao que o mundo espera e acredita. Indicado aos Prêmios APTR nas categorias Melhor Ator, Cenografia e Iluminação, o espetáculo venceu nesta última categoria.
Em cena, Gasparani interpreta um Montgomery Clift dividido entre a imagem projetada pela indústria cinematográfica e sua própria identidade. Um dos rostos mais marcantes de Hollywood, Clift viveu sob a pressão de esconder sua homossexualidade e atender às expectativas de público, imprensa e estúdios.
Como muitas estrelas de sua geração, o ator acabou recorrendo ao álcool e às drogas na tentativa de anestesiar o sofrimento. Sua vida foi marcada por um acidente de carro que desfigurou seu rosto e deixou sequelas que impactaram diretamente sua carreira no cinema.
A trama se passa no momento em que, exausto do assédio da imprensa e da pressão da indústria cinematográfica, Clift decide abandonar o cinema para voltar ao teatro e realizar o sonho de montar A Gaivota, de Tchekhov. Monty, como era conhecido na intimidade, enfrenta as sequelas do acidente, os conflitos com a própria sexualidade, a conturbada vida familiar e as relações com colegas de profissão.
A montagem aposta em uma atmosfera de exposição e vulnerabilidade. O cenário de Natália Lana traz uma grande banheira que remete a um túmulo, enquanto refletores de diferentes formatos, dispostos em tripés, aludem à permanente exposição do astro. Ao redor, garrafas vazias, objetos e roupas espalhados ajudam a compor o ambiente de desordem emocional. O figurino de Marieta Spada apresenta o ator vestindo um smoking já em desalinho.
“Se a dificuldade em lidar com a voracidade da fama e com a própria sexualidade criou um ambiente nocivo e tóxico em relação à profissão, levando o personagem ao abismo, é a paixão por essa mesma profissão que o faz emergir de suas profundezas e continuar. Quantos homossexuais vivem esse paradoxo? Quantos se escondem para vencer na profissão? Se a trágica vida de Montgomery Clift puder fomentar a discussão sobre este tema e suscitar reflexão, teremos cumprido a nossa missão”, afirma Gustavo Gasparani.
Escrita a partir de fatos reais da vida do ator, a peça apresenta o olhar ora lúcido, ora alucinado de Clift, a quem restou resgatar, do naufrágio de sua existência, seu bem mais precioso: o ofício de ator. A tradução para o português é de Fernando Yamamoto.
“A força deste projeto está no coração do ator. É um espetáculo construído no mergulho vertical e profundo da construção de presente, passado e do vislumbrar do possível futuro de um homem diante de seu próprio precipício, que são seus desejos mais sinceros e a luta por eles”, conclui o diretor Fernando Philbert.
Além deste trabalho, Gustavo Gasparani também está em cartaz como autor e diretor em Fafá de Belém, O Musical, em São Paulo, e Espelho Mágico, O Musical, no Rio de Janeiro.
O que diz a crítica
“Gustavo Gasparani dá corpo a esta crise contemporânea violenta, a crise gerada pela fama, com uma grandeza humana admirável.” — Tania Brandão
“Limito-me a agradecer à vida o privilégio de ter assistido a mais uma ótima performance deste ator de exceção.” — Lionel Fisher
“Imperdível para quem ama o cinema e o teatro.” — José Cetra
“Gasparani conduz com maestria o homem que sofre com as pressões do showbiz e vive à beira do precipício.” — Kyra Piscitelli
Ficha técnica
Texto: Alberto Conejero López
Tradução: Fernando Yamamoto
Direção: Fernando Philbert
Atuação: Gustavo Gasparani
Cenário: Natália Lana
Figurino: Marieta Spada
Iluminação: Vilmar Olos
Fotos: Nil Caniné e Erik Almeida
Programação visual: Mary Paz
Participação em áudio: Claudio Gabriel, Cesar Augusto e Isaac Bernat
Direção de produção: Cacau Gondomar
Assistente de direção: João Sena
Realização: Coisas Nossas Produções Artísticas
Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação — João Pontes e Stella Stephany
Serviço
Espetáculo: Como Posso Não Ser Montgomery Clift?
Estreia: 3 de julho, sexta-feira, às 20h
Temporada: de 3 a 26 de julho
Local: Teatro Laura Alvim — Casa de Cultura Laura Alvim
Endereço: Av. Vieira Souto, 176 — Ipanema, Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2332-2016
Horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h
Ingressos: R$ 60 e R$ 30,00 (meia)
Vendas: https://bit.ly/3QEdGEg e na bilheteria
Funcionamento da bilheteria: terça a sexta, das 16h às 20h; sábados e feriados, das 15h às 20h; domingos, das 15h às 19h
Duração: 70 minutos
Classificação: 16 anos
Gênero: monólogo
Capacidade: 190 espectadores
Acessibilidade: sessões com Libras e audiodescrição aos sábados, dias 11, 18 e 25
Observação: em dias de jogo do Brasil, não haverá espetáculo


