Alumbramentos estreia no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro CCBB (RJ) no dia 22 de maio de 2026 com temporada até o dia 31 de maio de 2026, acompanhada de uma exposição de pintura do artista visual Rafael Prado. Na peça, um intérprete surdo e um ouvinte contracenam com os atores para garantir uma acessibilidade de qualidade diferenciada.

Alumbramentos reúne fragmentos de uma memória estilhaçada: restos de sonhos, vozes e gestos de uma comunidade ribeirinha atravessada por um desastre ambiental. Como afluentes de um rio, histórias e personagens surgem, se entrelaçam e se perdem, revelando modos de vida, tradições e uma íntima relação entre o vilarejo e a natureza.

A peça, dirigida por Erika Rettl, se baseia na linguagem do realismo fantástico e propõe uma reflexão poética sobre a relação entre seres humanos e a natureza, evocando saberes das culturas tradicionais e os efeitos da exploração ambiental. A dramaturgia, de Fidelys Fraga e Clara Anido, foi construída de forma colaborativa com a participação da diretora e dos atores a partir de uma inspiração livre no texto ‘Alumbramentos’ da escritora Nathercia Lacerda. Tem uma estrutura fragmentada e mistura diferentes tempos, criando uma cronologia que se dobra sobre si mesma.

A obra Dança da onça com a sucuri, do artista visual Rafael Prado, integra o universo poético de Alumbramentos, espetáculo em cartaz no CCBB Rio. — Foto: Rafael Prado / Divulgação

Em uma narrativa entrecortada e não-linear, surgem pistas de como o crescimento de uma fábrica corrói a identidade local. As memórias dos vários personagens são interpretadas pelos atores Joyce Araújo e Gustavo Vieira, que já fizeram parte do Núcleo de Pesquisa da Linguagem da Máscara Teatral, coordenado pelo Grupo Teatral Moitará. Eles contracenam com dois intérpretes, Ricardo Boaretto e Jhonatas Narciso, um surdo e outro ouvinte, usando tanto a Libras quanto os recursos do Visual Vernacular (VV), uma linguagem performática criada pela cultura surda. Boaretto e Narciso também participaram da pesquisa como consultores para garantir uma acessibilidade cultural criativa e diferenciada. O objetivo é que tanto o público surdo como ouvinte usufruam de um espetáculo profundamente imagético.

Rettl, diretora de Alumbramentos, vem se relacionando com artistas surdos há mais de 17 anos através do Ponto de Cultura Palavras Visíveis, um programa bilíngue (LIBRAS e português) coordenado pelo Grupo Moitará que integra experiências teatrais entre surdos e ouvintes. A temporada do espetáculo no CCBB ainda prevê uma roda de conversa intitulada“O visível e o invisível da construção dramatúrgica”, gratuita, com a presença de intérpretes de Libras que acontecerá no sábado 30 de maio, após a sessão.

Na equipe artística, o espetáculo ainda conta com direção musical de Caio Padilha e parceiros profissionais que acompanham o trabalho do Grupo Moitará de longa data, como Carlos Alberto Nunes, cenógrafo e figurinista, e Djalma Amaral, na criação de luz.

A pintura Miração II, de Rafael Prado, integra a exposição que acompanha o espetáculo Alumbramentos no CCBB Rio. — Foto: Rafael Prado / Divulgação

Alumbramentos propõe uma confluência entre arte, consciência ambiental e inclusão, fortalecendo o cenário cultural do Rio de Janeiro. Oferece ao público uma vivência única que alia estética, reflexão e responsabilidade social. Na entrada do teatro, estará instalada a exposição do artista visual Rafael Prado com quatro obras criadas especialmente para o espetáculo Alumbramentos, uma delas foi a base do cartaz e das artes do espetáculo. Prado é natural de Rondônia e desenvolve sua pintura a partir de referências do território amazônico e das encantarias regionais tecendo uma relação direta entre humano, animal e paisagem.

O projeto é realizado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc. Obteve o apoio do CCBB RJ para a estreia tanto do espetáculo quanto da exposição.

Serviço
Data: (sexta a domingo) 22, 23, 24 e 29, 30, 31 de maio de 2026
Horário: (sexta e sábado) 19h / (domingo) 18h30 
Local: Teatro III – CCBB Rio de Janeiro

Endereço: Rua Primeiro de Março, 66, Centro – Rio de Janeiro/RJ
Classificação indicativa: 14 anos
(espetáculo com acessibilidade em Libras)
Ingressos: (sexta e sábado) preços populares R$30 e R$15 (meia-entrada) à venda na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura   
(domingo – 24 e 31 de maio) ingresso solidário, em troca de 1kg de alimento não perecível, exclusivamente na bilheteria física do CCBB, a partir das 9h do dia do evento.

Ficha técnica:
Coordenação Geral: Grupo Teatral Moitará
Atores criadores: Gustavo Vieira e Joyce Araújo
Direção: Erika Rettl
Dramaturgia: Fidelys Fraga
Asistente de Dramaturgia: Clara Anido
Consultoria e acessibilidade cultural em Libras e Visual Vernacular:
Jhonatas Narciso e Ricardo Boaretto
Direção e Supervisão Musical: Caio Padilha
Cenografia e figurino: Carlos Alberto Nunes
Iluminação – Desenho de luz: Djalma Amaral
Direção de Produção: Grupo Teatral Moitará – Venício Fonseca
Produção Executiva: Chris Rebello
Intérpretes de Libras Roda de Conversa: Jhonatas Narciso e Lorraine Mayer
Artes visuais criadas para o projeto: Rafael Prado
Programação visual: Gustavo Vieira
Assessoria de Imprensa: Luna Gamez – Ôlivu Entertainment 
Mídia digital bilíngue (Libras / português):  Aline Gomes da Silva e Jhonatas Narciso 
Documentarista audiovisual: Gabo M. Barros.

Compartilhar.

Conteúdo sob a linha editorial da Revista Vislun, com informação, tendências atuais e olhar crítico contemporâneo.

Comentários estão fechados.