Você já viu as bolsas da Coach no desfile de abertura extraoficial da Semana de Moda de Nova York Verão 2027? Em um caramelo quente, com variações de tons e acabamentos, elas aparecem na passarela acompanhando os looks, o que dá uma dimensão da importância do acessório para a marca, hoje uma potência na moda e um sucesso entre um público bem diferente daquele que a acompanhou durante a maior parte de seus 85 anos de existência.



Os looks, o styling e a beleza do desfile mostram claramente o foco da Coach: a Gen Z. Desde 2014, com a chegada do estilista Stuart Vevers, esse foco vem se evidenciando, sobretudo nos últimos cinco anos. O clima de festa jovial da apresentação aparece nos modelos com chapeuzinhos de aniversário e pacotes dourados de presentes nos braços. O glitter está no corpo dos modelos, mas também nas peças, para traduzir o clima de celebração e glamour. Mas Vevers faz isso de um jeito criativo e descontraído. Um exemplo? A bolsa caramelo com maxiglitters coloridos.



As amarrações das blusas na cintura em looks monocromáticos, blazers com estampa esmaecida de flores, em uma narrativa de estilo urbano meio rock and roll, meio alfaiataria, com cabelos messy, mostram a irreverência da Coach com o “luxo acessível”. Para se ter uma ideia, as bolsas da marca já foram desmontadas por especialistas da área e comparadas, com vantagem na relação entre qualidade e preço, às de outras maisons.
Messy hair é um estilo de cabelo com aparência propositalmente desgrenhada, natural e com bastante textura.






Mais do que simplesmente rejuvenescer, a Coach conseguiu fazer algo especialmente difícil na moda: transformar aquilo que poderia ser visto como uma herança envelhecida — suas bolsas de couro, seus arquivos, seus códigos americanos — justamente no produto que uma nova geração quer carregar. Brooklyn, Tabby e outras bolsas hoje virais mostram que, por enquanto, a festa de aniversário tem bons motivos para continuar.
POR FRANCISCO MARTINS – COLUNISTA DE MODA
COACH – VERÃO 2027 – NYFW
@coach


