Pierpaolo Piccioli estreou na alta-costura à frente da Balenciaga e a sensação, para o bem e para o mal, é a de que ele já estivesse ali antes mesmo de chegar.

Durante sua longa trajetória na Valentino, Piccioli sempre foi um verdadeiro devoto dos códigos de Cristóbal Balenciaga. As formas arquitetônicas que desafiam a gravidade, a precisão da construção, o domínio dos volumes e das silhuetas monumentais sempre fizeram parte do seu vocabulário. Por isso, o desfile transmitiu uma forte impressão de continuidade e segurança na direção artística.

As peças volumosas e arquitetônicas, com uma paleta de cores intensa e vibrante, marcaram a coleção. A magia aflorou repetidas vezes neste trabalho de vários meses: vestido sem alças em organza e gazar de seda com estampa multicolorida, bordado com plumas em cetim de seda; macacão com gola alta estruturada em crepe de lã e seda roxo-escuro, combinado com luvas de pele de borrego cor de vinho; casaco em tweed bouclé verde-anis; saia em gazar de seda revestida de tiras de organza, cortadas em viés e franzidas, em cinzento-pérola; conjunto bordado com plumas de avestruz em tom de quartzo-rosa, composto por um cocar que cobre a cabeça e o busto e saia em super-tafetá de seda; ou ainda um trio formado por vestido-balão, bolero em seda preta e luvas de ópera em couro preto.

A coleção desperta expectativa em torno da criatividade de um dos grandes coloristas da moda contemporânea, de um designer que, ao longo da carreira, construiu uma linguagem própria e demonstrou compreender, como poucos, o legado de Cristóbal Balenciaga, “o mesmo mestre de todos nós”, reverenciado por Christian Dior e Gabrielle Chanel.

POR FRANCISCO MARTINS — COLUNISTA DE MODA
BALENCIAGA — VERÃO 2027 — ALTA-COSTURA
@balenciaga

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Francisco Martins é colunista da Revista Vislun, stylist e especialista em moda. Escreve sobre tendências, estilo e comportamento.

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