Luiz Garcia atua em uma das áreas mais estratégicas da indústria da música. Profissional de A&R — sigla para Artists and Repertoire, ou Artistas e Repertório —, ele trabalha na identificação e no desenvolvimento de talentos, além de contribuir para estratégias capazes de ampliar as possibilidades de carreira de artistas e o valor de seus catálogos.
Sênior de A&R na ONErpm, Luiz também traz para esse universo sua experiência em Marketing Criativo e Estratégico. Nesta entrevista, fala sobre o equilíbrio entre dados e sensibilidade humana, explica como artistas são descobertos e desenvolvidos e analisa a importância da criatividade, da tecnologia e das relações genuínas na construção de carreiras musicais.
Chico Vartulli – Olá, Luiz! O que é a função de A&R?
Luiz Garcia – A&R significa, em português, Artistas e Repertório (Artists & Repertoire). É uma das áreas mais estratégicas da indústria da música. O profissional de A&R é responsável por identificar talentos, desenvolver artistas e negociar catálogos, sempre buscando potencializar as oportunidades de carreira.
Chico Vartulli – Como é possível relacionar marketing com A&R?
Luiz Garcia – A&R e marketing caminham lado a lado. Não basta ter um grande artista nas mãos; é preciso entender para quem aquela música faz sentido, como ela será posicionada e quais estratégias podem ampliar seu alcance.
O marketing oferece ferramentas para compreender o comportamento do público, o consumo de conteúdo, o posicionamento e as tendências culturais. Essas informações ajudam o A&R a tomar decisões mais estratégicas. Quando criatividade e estratégia trabalham juntas, as chances de construir uma carreira sólida aumentam significativamente.

Chico Vartulli – Como se dá o processo de descoberta de talentos?
Luiz Garcia – A descoberta de talentos acontece de diversas formas. Ela pode surgir por indicação, apresentações ao vivo, redes sociais, plataformas digitais ou até pela análise de dados de consumo musical.
Mas nenhuma ferramenta substitui o olhar humano. Procuro identificar artistas que tenham personalidade, identidade própria, capacidade de evolução e disposição para construir uma carreira.
Chico Vartulli – Como se dá o processo de orientação do desenvolvimento criativo?
Luiz Garcia – O desenvolvimento criativo começa com a escuta. Antes de orientar, é preciso compreender quem é o artista, quais são suas referências, seus objetivos e sua visão artística.
O papel do A&R não é impor um caminho, mas ajudar o artista a explorar seu potencial, ampliar possibilidades e tomar decisões conscientes sobre repertório, produção, imagem e posicionamento. É um processo de parceria, confiança e construção conjunta.
Chico Vartulli – Como se dá o processo de moldar o repertório musical do artista?
Luiz Garcia – No modelo tradicional de gravadora, o A&R costuma participar diretamente da escolha das músicas e da construção do repertório do artista. Já na ONErpm, na grande maioria dos casos, os artistas chegam com seus projetos criativos definidos e prontos para distribuição.
Nosso papel passa a ser muito mais estratégico e consultivo. Em vez de escolher o repertório, buscamos entender a proposta artística do projeto e identificar oportunidades para potencializar seus resultados. O foco é agregar valor ao projeto sem interferir em sua essência.

Chico Vartulli – Como se dá o processo de desenvolvimento de estratégias para catálogo?
Luiz Garcia – O catálogo é um dos ativos mais valiosos da indústria da música. Desenvolver estratégias para ele significa olhar para o repertório de forma contínua, identificando novas oportunidades de consumo e monetização.
Isso pode incluir lançamentos comemorativos, remasterizações, sincronizações para cinema, TV, publicidade e games, projetos editoriais, conteúdos digitais e campanhas que conectem músicas já conhecidas com novas gerações. Um bom catálogo nunca deixa de gerar valor quando é trabalhado de forma estratégica e criativa.
Chico Vartulli – Quais são os seus projetos futuros?
Luiz Garcia – Meu objetivo é continuar contribuindo para o desenvolvimento de artistas e repertórios, unindo criatividade, estratégia e inovação com a ajuda de dados, mas sempre colocando a sensibilidade humana no centro do processo criativo.
Acredito que o futuro da indústria musical passa pelo equilíbrio entre tecnologia, criatividade e relações genuínas entre artistas e público.


