A entrevista apresenta a trajetória de criação da marca Eternità, destacando como a empresa surgiu a partir de um momento pessoal e evoluiu por meio de estudo e experimentação até se consolidar como uma marca de arte botânica. Ao longo da conversa, são abordados os principais aspectos do trabalho desenvolvido, como a produção de biojoias a partir de flores naturais preservadas, o conceito de arte botânica e o processo artesanal de confecção das peças. A entrevista também explora a relação entre arte, natureza e design contemporâneo, além de discutir a preocupação com a preservação dos elementos naturais. Por fim, são apresentados o perfil dos consumidores da marca e os planos futuros de expansão e fortalecimento da Eternità no mercado.

Chico Vartulli – Olá Paula! Como se deu a criação da Eternità?

Paula Sjöstedt – A Eternità nasceu de um momento muito especial. Em 2023, no casamento da minha irmã, quis criar um presente diferente a partir das flores do buquê dela. Naquele momento, eu ainda não conhecia as técnicas de preservação, mas ali comecei a me encantar com o processo. A partir daí, mergulhei nesse universo, estudando, testando e aprimorando a técnica ao longo de dois anos. Em 2025, com mais segurança no trabalho e no conceito, decidi lançar a Eternità como uma marca de arte botânica. O que sempre me fascinou foi justamente o contraste entre a beleza das flores e o fato de serem passageiras. Trabalhar com flores é lidar com algo vivo, e meu papel é dar a isso permanência.

Chico Vartulli – Quais são as atividades principais da empresa?

Paula Sjöstedt – A Eternità é dedicada à criação de biojoias a partir de flores naturais preservadas, sempre com um olhar muito voltado para a estética e para a delicadeza dos elementos botânicos. Mais do que produzir peças, o trabalho envolve uma curadoria das flores, a criação de composições e a busca por um equilíbrio entre natureza, arte e design. Cada coleção nasce desse processo, respeitando a singularidade de cada espécie e a linguagem da marca. No fim, a Eternità é uma forma de transformar elementos naturais em peças autorais, traduzindo a beleza da natureza em uma linguagem artística contemporânea.

A designer Paula com peças da coleção PRIMA – Choker Aura e Brinco Essenza Margherita.

Chico Vartulli – O que é a arte botânica?

Paula Sjöstedt – A arte botânica é uma forma de expressão que utiliza elementos da natureza, especialmente plantas e flores, como matéria-prima para criação artística. Ela pode se manifestar de diferentes maneiras, desde ilustrações até trabalhos tridimensionais, sempre com um olhar atento à beleza e às formas do mundo natural. No meu trabalho, ela se traduz na preservação de flores reais e na criação de peças que mantêm suas formas, cores e delicadeza. É uma forma de aproximar arte e natureza, respeitando o tempo e a singularidade de cada elemento. Para mim, a arte botânica é, acima de tudo, um exercício de observação e de sensibilidade em relação à natureza.

Chico Vartulli – Como são confeccionadas as biojoias?

Paula Sjöstedt – O processo começa com a seleção das flores, escolhidas principalmente pela sua forma, composição e beleza. Em seguida, passam por um processo de desidratação, cujo tempo varia de acordo com cada espécie e exige cuidado para preservar suas características naturais. Depois disso, as flores são encapsuladas em resina, em um trabalho manual que exige precisão para manter suas formas e cores. Essa etapa cria um efeito de transparência que revela os detalhes do elemento botânico. A partir daí, as peças são finalizadas com elementos metálicos, dando forma à joia. É nesse encontro entre o orgânico e o material que cada criação ganha sua identidade.

Chico Vartulli – Como você relaciona arte, natureza e design contemporâneo?

Paula Sjöstedt – Para mim, essa relação acontece de forma muito natural. A natureza já traz formas e estruturas que são, por si só, muito ricas. A arte entra como um olhar, uma forma de perceber e valorizar esses elementos. O design contemporâneo aparece na maneira como isso é traduzido em peças que dialogam com o presente, sem perder a essência do que é natural.

Charme e descontração da designer Paula Sjöstedt. 

Chico Vartulli – O trabalho realizado pela Eternità tem uma preocupação preservacionista?

Paula Sjöstedt – Existe um respeito muito grande na forma como nos relacionamos com a natureza. Trabalhar com flores significa lidar com algo vivo, que já passou pelo seu próprio tempo e transformação. As flores utilizadas já passaram pelo seu ciclo natural e, de outra forma, seriam descartadas. O trabalho da Eternità surge justamente como uma forma de dar continuidade a isso, preservando e valorizando algo que é, por natureza, passageiro. Essa ideia de preservação está muito presente no trabalho, no sentido de manter e revelar a beleza de cada elemento, prolongando sua existência para além do seu ciclo.

Chico Vartulli – Quais são os principais consumidores dos produtos da Eternità?

Paula Sjöstedt – A Eternità conversa principalmente com pessoas que valorizam o trabalho manual, o cuidado com os detalhes e a singularidade de cada peça. São pessoas que buscam algo diferente, com mais identidade, e que se conectam com a beleza do natural e do feito à mão. Ao mesmo tempo, é interessante perceber como esse trabalho alcança públicos muito diversos. As peças transitam bem entre diferentes idades e estilos, e hoje a Eternità tem sido recebida por mulheres de perfis variados, desde as mais jovens até as mais maduras. Existe uma identificação que vai além de um público específico, e que passa pela forma como cada pessoa enxerga valor em peças autorais, com história e significado.

Chico Vartulli – Quais são os seus planos futuros?

Paula Sjöstedt – Os planos passam principalmente pela consolidação e expansão da marca. A Eternità já começou a chegar a outros estados, e a ideia é ampliar essa presença e ser reconhecida em todo o Brasil. Também estou investindo na criação de uma estrutura própria, com ateliê e orquidário, o que deve trazer ainda mais identidade e profundidade ao trabalho. Em paralelo, já estou desenvolvendo uma nova coleção após o lançamento da Prima. Ainda está em processo, com muitas ideias sendo exploradas, então prefiro manter um certo mistério por enquanto. Em breve, será um prazer dividir esse processo com quem acompanha a Eternità.

Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação

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Chico Vartulli é colunista da Revista Vislun, arquiteto especializado em interiores e apaixonado por arte e cultura. Escreve sobre histórias, entrevistas e experiências do universo artístico.

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