A abertura da exposição O Caminho do Ouro, realizada na a.thebaldigaleria, no CasaShopping, reuniu artistas, colecionadores, curadores, arquitetos e convidados em uma tarde marcada por encontros, trocas e contemplação estética. A coletiva, concebida pelo marchand Edson Thebaldi — que celebra 40 anos de trajetória à frente da galeria — apresentou ao público obras inéditas dos artistas mineiros Hélio Siqueira, Paulo Miranda, Paulo Torres e Petrillo, em uma mostra que transforma memória, território e matéria em linguagem visual.
Logo na entrada, o visitante era conduzido por diferentes atmosferas que dialogavam entre tradição e contemporaneidade. Cerâmicas queimadas à lenha, pigmentos minerais, carvão, lona, concreto, colagens e superfícies marcadas pelo tempo compunham um percurso sensível sobre pertencimento e identidade mineira.
As obras de Hélio Siqueira chamavam atenção pela força escultórica e afetiva. Suas “Bilhas”, inspiradas em objetos da vida rural, evocavam memórias de fazenda, utensílios antigos e a relação ancestral com a terra e o fogo. O público observava atentamente os detalhes das peças em cerâmica de alta temperatura, produzidas em longos ciclos de queima artesanal.
Já nas pinturas de Paulo Miranda, a paisagem surgia quase como estado emocional. Tons terrosos, verdes densos, áreas de sombra e luminosidade criavam imagens silenciosas e contemplativas, convidando o olhar à desaceleração. A obra Terra Vermelha, um dos destaques da mostra, atraía atenção pela intensidade cromática e pela sensação de deslocamento e movimento tectônico presente na composição.

A pesquisa urbana de Paulo Torres trouxe outro ritmo à exposição. Suas obras, construídas a partir de fragmentos retirados diretamente das ruas e calçadas das cidades, apresentavam uma espécie de arqueologia contemporânea da paisagem urbana. Texturas, marcas e resíduos transformavam-se em composições abstratas que revelavam a cidade para além do concreto visível.
Encerrando o percurso, as obras de Petrillo mergulhavam o público em geografias imaginárias inspiradas nas jazidas e montanhas de Minas Gerais. Com tonalidades terrosas e superfícies matéricas, o artista criava paisagens oníricas que transitavam entre abstração, memória e invenção.
Durante a inauguração, convidados circularam pelos ambientes da galeria comentando a diversidade técnica e a unidade poética da coletiva. Entre conversas sobre arte contemporânea, território e processos criativos, a exposição revelou um ponto em comum entre os quatro artistas: a capacidade de transformar matéria em experiência sensível.
Mais do que uma coletiva, O Caminho do Ouro se apresentou como um percurso visual sobre origem, deslocamento e permanência — uma travessia poética entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro.


















Para quem deseja visitar a exposição, O Caminho do Ouro segue em cartaz na a.thebaldigaleria, no CasaShopping, até o dia 14 de junho de 2026. A mostra reúne obras inéditas de Hélio Siqueira, Paulo Miranda, Paulo Torres e Petrillo, em um percurso visual que atravessa memória, paisagem e matéria a partir de diferentes linguagens e investigações contemporâneas.
A galeria está localizada na Avenida Ayrton Senna, 2150, lojas F e M, bloco G, na Barra da Tijuca, com funcionamento de segunda a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos, das 14h às 20h. Mais informações podem ser obtidas pelo WhatsApp (21) 3325-3322 ou através do perfil @a.thebaldigaleria.
Uma visita que vale a pena pela potência visual, pela diversidade de técnicas e pela sensível conexão entre arte, território e identidade brasileira.


