A companhia brasileira de teatro estreia, no dia 2 de julho de 2026, o espetáculo História, no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Com texto e direção de Marcio Abreu, a montagem reúne em cena Carolina Virgüez, Rafael Bacelar e o músico Felipe Storino.

A nova criação celebra os 25 anos da companhia e dá sequência à pesquisa do grupo sobre memória, sonho e história. O espetáculo reflete sobre os mecanismos que definem quais relatos serão validados e quais terão seu direito de existência negado pela chamada “história oficial”.

Carolina Virgüez e Rafael Bacelar acabam de conquistar os Prêmios APTR de Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante, respectivamente, por suas atuações em Ao vivo [Dentro da cabeça de alguém] e Veias abertas 60 30 15 seg.

A partir da ideia de que “se não fizermos a História, seremos feitos por ela”, o espetáculo questiona quem está verdadeiramente autorizado a escrever a história e quantas narrativas são apagadas em favor de uma única versão dos fatos. Em um tempo marcado pela emergência de vozes pretas, LGBTQIA+, indígenas e de outras existências historicamente silenciadas, História se insurge contra antigos mecanismos de formulação das verdades estabelecidas.

Com texto construído coletivamente, História integra uma trilogia formada por [Ao vivo] Dentro da cabeça de alguém, de 2024, e Sonho elétrico, de 2025, ambos em turnê nacional. O novo espetáculo investiga o cruzamento entre memória individual e coletiva, partindo da compreensão de que cada corpo é também memória e, portanto, história.

“Criar possibilidades de futuro só será possível quando entendermos nossa capacidade de imaginar e sonhar futuros possíveis agora, em cada ação que fizermos diariamente. Essa consciência em ação traz para o centro da roda outras noções de memória. Esse é o tempo de criar memória, imaginando como a vida pode ser e fazendo ela acontecer, apesar de todo fluxo contrário e muitas vezes impeditivo, que insiste em nos empurrar para um abismo de padronização e apagamento”, afirma Marcio Abreu.

Ensaio do espetáculo História, nova criação da companhia brasileira de teatro que investiga os limites entre memória, sonho e história oficial. — Foto: Ethel Braga / Divulgação

O teatro surge como território fértil para essa investigação, justamente por comportar a subjetividade, o sonho e a imaginação. Ao entrelaçar memórias do elenco e da equipe à chamada “história oficial”, o espetáculo não oferece respostas definitivas, mas corporifica perguntas que atravessam gerações: quantas histórias legítimas foram silenciadas em nome de uma única história elevada ao status de oficial?

Sinopse

Dois atores, Carolina Virgüez e Rafael Bacelar, e um músico, Felipe Storino, levam à cena fragmentos de vivências e memórias despertados por fotos, canções, vestígios e histórias reais e ficcionais. Rejeição, abandono parental, preconceito, relações familiares, guerras e outras experiências revelam um mundo fraturado, que não se sustenta mais em uma única “história oficial”. A montagem coloca em cena múltiplas verdades que não aceitam mais ser apagadas ou silenciadas ao longo do tempo.

A montagem

História se desdobra de forma não linear, por associações de ideias, em uma construção orgânica e desordenada, próxima da maneira como a memória e a vida cotidiana se apresentam. O cenário de Marcelo Alvarenga é formado por escombros, restos de um mundo em ruínas, explodido e em movimento.

A cena se apresenta em fragmentos, como as memórias e os discursos. A ação alterna relatos individuais e momentos de interação entre os intérpretes. A música ao vivo também integra a ação cênica, executada por Felipe Storino, que canta e toca guitarra.

O espetáculo História é apresentado pela Petrobras e pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e conta com apoio do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro.

Cena do espetáculo História, nova criação da companhia brasileira de teatro que investiga as relações entre memória, sonho e história oficial. — Foto: Lídia Ueta / Divulgação

Sobre a companhia brasileira de teatro

A companhia brasileira de teatro é um coletivo de artistas de várias regiões do país, fundado pelo dramaturgo e diretor Marcio Abreu em 2000, em Curitiba. Sua pesquisa é voltada sobretudo para novas formas de escrita e para a criação contemporânea.

Entre suas principais realizações estão peças com dramaturgia própria, escritas em processos colaborativos e simultâneos à criação dos espetáculos, como Sem Palavras (2021), PRETO (2017), PROJETO bRASIL (2015), Vida (2010) e O que eu gostaria de dizer (2008).

A companhia também desenvolveu criações a partir da obra de autores inéditos no país, como POR QUE NÃO VIVEMOS? (2019), adaptação da obra Platonov, de Anton Tchekhov; Krum (2015), de Hanock Levin; Esta Criança (2012), de Joël Pommerat; Isso te interessa? (2011), a partir do texto Bon, Saint-Cloud, de Noëlle Renaude; Oxigênio (2010), de Ivan Viripaev; Apenas o fim do mundo (2006), de Jean-Luc Lagarce; e Suíte 1 (2004), de Philippe Myniana.

Suas peças mais recentes são Ao vivo [dentro da cabeça de alguém] (2024), com texto e direção de Marcio Abreu, e Sonho elétrico (2025), também com texto e direção de Marcio Abreu, com interlocução do neurocientista, capoeirista e pensador Sidarta Ribeiro.

A companhia realiza frequentes intercâmbios com artistas no Brasil e no exterior, mantém repertório ativo e circula com frequência pelo Brasil e pela Europa. Ao longo de sua trajetória, recebeu alguns dos principais prêmios das artes cênicas no país.

Ficha técnica

Texto final e direção: Marcio Abreu
Pesquisa e criação: Marcio Abreu, Nadja Naira, Cássia Damasceno e José Maria [companhia brasileira de teatro]
Dramaturgia: Marcio Abreu, Carolina Virgüez, Rafael Bacelar, Key Sawao, Nadja Naira, Felipe Storino, Idylla Silmarovi, Cássia Damasceno e José Maria
Textos de Rafael Bacelar e Marcio Abreu
Criação e performance: Carolina Virgüez e Rafael Bacelar
Direção de produção e administração: Cássia Damasceno e José Maria
Direção técnica, iluminação e assistência de direção: Nadja Naira
Direção musical, trilha sonora original e performance: Felipe Storino
Direção de movimento, assistência de direção e colaboração criativa: Key Sawao
Figurinos: Luiz Cláudio Silva | Apartamento 03
Cenografia: Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura
Assistência de dramaturgia e colaboração criativa: Idylla Silmarovi
Assistência de iluminação: Wagner Corrêa
Contrarregras, assistência de produção e arte: Taís Morgado, Kauê Mar e Emily Cristine
Design e técnicos de som: Gil Costa e Chico Santarosa
Montagem técnica: Iuri Wander, Victor Emanuel, João Gaspary, Ricardo Barbosa e Dafne Rufino
Adereço “Cabeça Rafael”: Bruno Dante
Transporte: Edmilson Ferreira da Silva
Cenotécnicos: Fabiano Hoffmann, Norival Gafke, André Baliu, Heros Amâncio e Ricardo Dombroski

Equipe de acessibilidade

Coordenação e audiodescrição: Graciela Pozzobon da Costa
Audiodescrição: Maria Thalita Baptista de Paula, Rodrigo Simões Silva e Jaderson Fialho Fonseca
Apoio e recepção — audiodescrição: Aline Saldanha Rocha e Isabela Fonseca
Técnico audiodescrição: Bruno Ribeiro
Intérpretes em Libras: JDL Traduções
Coordenação e monitoria para pessoas neurodivergentes: Fernanda Costa

Fotos dos ensaios — etapa RJ: Nana Moraes
Fotos dos ensaios — etapa SP: Ethel Braga
Fotos do espetáculo: Lídia Ueta
Captação e edição de imagens: Lídia Ueta e Allan Raffo
Programação visual: Pablito Kucarz e Mia Fontoura
Mídias sociais: Kalindi D’Elia
Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação — João Pontes e Stella Stephany

Serviço

Espetáculo: História
Temporada: de 2 a 26 de julho de 2026

Local: Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro
Horários: quinta a sábado, às 19h; domingos, às 18h
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 meia-entrada
Vendas: bilheteria do CCBB ou site bb.com.br/cultura
Capacidade: 155 lugares
Duração: 80 minutos
Gênero: drama
Classificação indicativa: 16 anos
Acessibilidade: todas as sessões contam com audiodescrição, Libras e monitoria para pessoas neurodivergentes

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 20h. Fechado às terças.
Aos domingos, das 8h às 9h, há horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme a Lei Municipal nº 6.278/2017.

Redes sociais do CCBB: facebook.com/ccbb.rj | instagram.com/ccbbrj | tiktok.com/@ccbbcultura

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