É sempre especial quando alguém que atravessou mais de cinco décadas de carreira artística decide transformar a própria memória em livro. Em “A reinvenção: Altos e baixos da minha vida”, a atriz Narjara Turetta (@narjaraturetta) revisita sua trajetória iniciada ainda na infância, sem esconder os momentos de brilho nem os períodos em que esteve temporariamente afastada dos holofotes. É essa história, contada com franqueza e sem a preocupação de construir uma versão idealizada de si mesma, que ela leva agora ao encontro do público na noite de autógrafos de sua biografia em Niterói, na sexta dia 2 de outubro, na Livraria Leitura do Plazza Shopping — uma oportunidade rara de conversar de perto com uma artista que tantas gerações aprenderam a reconhecer na tela.

E Narjara está em um momento em que passado e presente se encontram de maneira particularmente feliz. Depois de uma temporada recente de sucesso da peça “O Filho das Mães” (@ofilhodasmaes.teatro), de João Bethencourt, a atriz volta aos palcos em outubro com a comédia “As Loucas de Copacabana” (@asloucasdecopacabana), de Gugu Olimecha, às quintas-feiras no Teatro Vannucci. Essa peça ágil e com um elenco afinado que já conquistou plateias em diversos teatros, voltou a pedido do público. Para quem acompanha a carreira de Narjara, é uma chance de vê-la não apenas como o rosto familiar da televisão, mas em uma experiência de proximidade que o teatro proporciona de maneira única: ali, a reação do público acontece diante dela, em tempo real.

Nesta conversa, Narjara Turetta fala sobre a coragem de contar a própria história, o carinho que recebe de diferentes gerações e o prazer de estar em cartaz nos palcos teatrais. Também revela a saudade das novelas e o desejo de voltar ao audiovisual, além de deixar um conselho precioso aos jovens que estão começando: estudar, ler, observar o mundo e compreender que a vida, com tudo o que oferece, pode ser matéria-prima para a construção de um personagem. Acompanhe a entrevista dada ao jornalista Rodolfo Abreu.

Narjara Turetta lança a biografia A reinvenção: Altos e baixos da minha vida, na qual relembra diferentes momentos de sua trajetória pessoal e profissional. — Foto: Divulgação

Rodolfo Abreu: Você escreveu sua biografia para contar diversos aspectos da sua vida sem omitir partes importantes, colocando os altos e baixos de sua carreira. Como foi sua decisão para abordar amplamente a sua trajetória profissional?

Narjara Turetta:
Sempre fui muito autêntica e quando surgiu a oportunidade de contar minha história, resolvi que não omitiria nenhum detalhe. E quando eu comecei a relembrar minha trajetória pude ver o quão bem aventurada eu fui, apesar dos altos e baixos. As oportunidades que tive, e as agarrei com unhas e dentes, me fizeram mais forte para continuar lutando, mesmo quando eu já não estava mais “na crista da onda”.

Capa de A reinvenção: Altos e baixos da minha vida, biografia de Narjara Turetta. — Imagem: Divulgação

Rodolfo Abreu: O público tem tido a oportunidade recentemente de assistir você nos palcos com peças teatrais de bastante sucesso. Terminou há pouco uma temporada de “O Filho das Mães” de João Bethencourt, e agora em outubro volta com mais uma temporada de “As Loucas de Copacabana” de Gugu Olimecha. O que o público pode esperar dessa nova temporada?

Narjara Turetta:
Mais gargalhadas com certeza e acho que uma maior intimidade minha com os palcos que eu não tinha, pois sou cria da TV com muito orgulho, mas estar nos palcos é muuuuito  prazeroso e beeem diferente de estar na frente das câmeras porque a reação é imediata. Então eu espero divertir mais ainda o público nessa nova temporada e me divertir também!

Narjara Turetta integra o elenco da comédia As Loucas de Copacabana, que terá nova temporada em outubro no Teatro Vannucci. — Foto: Divulgação

Rodolfo Abreu: Você tem um dos rostos mais conhecidos da nossa cultura. Sua imagem chega na casa das pessoas há mais de cinco décadas e você sempre se dedicou em todos os trabalhos que realiza. Como você percebe o carinho do público com você, como uma atriz reconhecida e admirada por várias gerações?

Narjara Turetta:
Olha vou te dizer com muito amor, eu AMOOOOO ser reconhecida pelos meus trabalhos na TV, amo quando o público vem falar comigo e diz que cresceu comigo, que gosta dos meus personagens,  que sente falta de mim na tv… e o que mais me dá orgulho não é a FAMA pela fama, não! É o RECONHECIMENTO do meu trabalho,  de que algum personagem meu mexeu com aquela pessoa, isso me deixa feliz e agradecida por exercer a profissão que escolhi desde meus 3 anos de idade!

Rodolfo Abreu: Você tem diversos trabalhos na TV, no cinema, no teatro e também é dubladora, mostrando sua versatilidade na atuação com diferentes personagens. Dentro dessas linguagens, o que você gostaria mais de atuar em próximos projetos?

Narjara Turetta:
Sem sombra de dúvidas eu estou com muitas saudades do audiovisual, especialmente de fazer novela que é o que eu amooooo fazer. Fazer mais cinema também eu gostaria muito, já que fiz pouco e eu amo ir ao cinema.

Narjara Turetta vive Nádia na comédia As Loucas de Copacabana. — Foto: Divulgação

Rodolfo Abreu: Muitos jovens atores estão buscando seu lugar ao sol. Aproveitando sua experiência colocada em sua biografia, o que poderia dizer para esses jovens, considerando o cenário da atuação nos dias de hoje?

Narjara Turetta: Olha, dar conselhos é muuuuito difícil,  ainda mais hoje em dia, onde o número de seguidores anda escolhendo os futuros atores. Mas o que posso dizer, sendo uma atriz autodidata, é que leiam sempre, muito, estudem, se interessem por vários assuntos, nos livros principalmente e não só nas redes sociais e que observem muitíssimo tudo a sua volta, porque tudo o que acontece poderá ser material um dia para a construção de um bom personagem!

Narjara Turetta como Miram em O Filho das Mães, de João Bethencourt. — Foto: Divulgação
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Rodolfo Abreu é colunista da Revista Vislun, jornalista e produtor cultural. Escreve sobre cultura, comportamento e cultura pop.

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