Em um momento de amadurecimento artístico, o ator Andriu Freitas (@andriufreitas) vive uma fase de consolidação da carreira. Depois de atuar na comédia dramática “NÓS”, com direção de Daniel Dias da Silva, que mostrou sua versatilidade na atuação, Andriu retorna em julho e agosto com a nova temporada de seu primeiro monólogo, o tão falado “Absolvição(@absolvicao.peca), com direção do renomado Daniel Herz (@odanielherz).

É de contrastes e de dualidades que a carreira desse jovem ator vai se construindo. Além de participações em produções audiovisuais para TV e para o cinema, Andriu segue se dedicando aos estudos na profissão. Por isso está preparado para trazer  novamente os temas incômodos que a peça “Absolvição” trata em cartaz. Desta vez no Teatro Poeirinha, em Botafogo todas as terças e quartas, às 20h. Há espetáculos que terminam quando as luzes se apagam; outros seguem reverberando na memória do público por dias, alimentando debates e provocando questionamentos – o que é o caso do monólogo apresentado por Andriu, que desperta intensas discussões sobre ética, justiça e os limites da moralidade.

A versatilidade na atuação é um dos pontos fortes da carreira de Andriu Freitas, que transita entre a comédia dramática e temas de forte tensão emocional. — Foto: Divulgação

Paralelamente, o artista também amplia sua presença nas redes sociais, onde compartilha bastidores do fazer teatral, indicações literárias e momentos de sua rotina. A comunicação direta com o público revela um intérprete interessado não apenas em divulgar seus trabalhos, mas também em estimular o interesse pela arte e pela leitura, aproximando diferentes públicos de temas que considera fundamentais.

Nesta entrevista exclusiva ao jornalista Rodolfo Abreu, Andriu Freitas fala sobre a expectativa para a nova temporada de “Absolvição”, comenta o processo de construção de personagens tão distintos que viveu em cena no último ano e revela como equilibra a intensidade emocional do palco com a leveza da vida fora dele. Uma conversa sobre teatro, dedicação e o compromisso de fazer da arte um espaço permanente de reflexão. Acompanhe.

Andriu Freitas em cena no monólogo Absolvição, espetáculo dirigido por Daniel Herz que provoca reflexões sobre ética, justiça e moralidade. — Foto: Victor Hugo Cecatto / Divulgação

Rodolfo Abreu: Você está voltando em julho com seu monólogo “Absolvição”, que estreou no início do ano passado e está há quase um ano sem apresentá-lo. O que espera da nova temporada e o que temos de novo?

Andriu Freitas: Estou muito ansioso com essa temporada. Esse é um teatro muito importante para a cena teatral brasileira e ter “Absolvição” em cartaz ali, é um sonho que sempre tive. Então minha expectativa é continuar a provocar as reflexões que o texto da peça propõe para o público.

A peça já está com um caminho bacana… estreamos em março de 2025 no Espaço Abu em Copacabana, depois ficamos em cartaz no Teatro Laura Alvim, em Ipanema, e depois tivemos uma temporada convidada no Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), no centro, pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Em todos esses lugares o espetáculo gerou debates e opiniões bem acaloradas sobre ética e justiça. E esse é o papel do teatro… quero continuar a provocar esses debates com minha arte.

Rodolfo Abreu: Antes de voltar com “Absolvição”, você estava em outro espetáculo teatral totalmente diferente, uma comédia dramática. Como foi a experiência?

Andriu Freitas: Sim, atuei com o Ricardo Beltrão na peça “NÓS”, do David Persiva, que teve a direção do Daniel Dias da Silva e apresentamos em setembro de 2025 no Teatro Futuros Arte e Tecnologia, no Flamengo. É um trabalho totalmente diferente de “Absolvição”. Em “NÓS” pude colocar muito humor na minha personagem, ao mesmo tempo que falávamos de relacionamento, do início e do fim de um mesmo relacionamento. Foi uma ótima oportunidade para apresentar minha atuação em outro tipo de texto e dinâmica cênica. Eu gosto de desafios e em “NÓS” exercitei isso. Adorei também as reações do público, que se envolvia na história. E, apesar de apresentarmos um casal de homens, a história era universal, para todo tipo de casal. E tivemos um público bem variado por conta disso e das escolhas de nossa montagem. O texto é de um autor inglês e originalmente era com um homem e uma mulher.

Ricardo Beltrão e Andriu Freitas em cena no espetáculo NÓS, com direção de Daniel Dias da Silva. — Foto: Rodolfo Abreu / Divulgação

Rodolfo Abreu: “Absolvição” chamou atenção por ganhar ótimas críticas sobre a montagem e sobre sua atuação. Como recebeu esse reconhecimento?

Andriu Freitas: Fiquei muito feliz com o reconhecimento. Esse é um trabalho que apostei e continuo apostando rsrs. Foi o meu primeiro monólogo, um grande desafio pessoalmente para mim. Mas tenho uma equipe incrível que somou realmente para o resultado desse trabalho.

Desde que decidi me tornar ator, entrei totalmente de cabeça e dedico minha vida somente a isso. Então estudo, leio muitos livros, vou bastante a teatro, assisto filmes, faço pesquisas e participo de oficinas e workshops com pessoas que são referências na área. Eu faço isso, claro, por prazer, mas também porque sei da importância e da responsabilidade de atuar e levar ao público uma história tão impactante e com uma abordagem que precisa ser conversada, como em “Absolvição”.

Andriu Freitas se dedica ao ofício da atuação, entre estudos, pesquisa e preparação para personagens de forte intensidade dramática. — Foto: Divulgação

Rodolfo Abreu: A peça traz uma história tensa e percebemos que o público fica em silêncio o tempo todo. Como é para você lidar com as reações da plateia e como faz para se liberar da energia do personagem após o espetáculo?

Andriu Freitas: O silêncio do público acontece porque a história se desenvolve apresentando as confissões do homem que é obsessivo por caçar abusadores, depois de perceber que a justiça falhou. E tem diversas reviravoltas e revelações, o público vai juntando os pedaços da história. E também “Absolvição” acaba se tornando visualmente muito interessante também, pois a direção do Daniel Herz montou “imagens” que mostro ao contar cada uma das histórias. Por isso o público “enxerga” as coisas e as pessoas de quem o personagem fala, mesmo sem estarem ali.

Quanto a me livrar da energia do personagem, eu tenho certa facilidade pra isso pois na preparação já fui tateando o que sou eu e o que é personagem e até mesmo o que se mistura. No final do espetáculo, ao perceber que entreguei o meu melhor e receber o feedback do público isso já me puxa de volta também.

Andriu Freitas em cena no monólogo Absolvição, com direção de Daniel Herz. — Foto: Rodolfo Abreu / Divulgação

Rodolfo Abreu: Você tem se dedicado paralelamente a produzir conteúdo para as redes sociais. Como tem sido a experiência?

Andriu Freitas: Tudo começou por conta do teatro e da literatura, duas paixões minhas que estão conectadas. Comecei fazendo vídeos por conta das peças que atuo, como uma forma de divulgar, mostrar bastidores, apresentar meu processo de trabalho. Então também levei isso para minha conta pessoal. Acho que isso complementa meu trabalho em cena e também divulga. Mas também sempre senti a necessidade de compartilhar o que ando lendo. Muitos amigos me perguntam sobre livros interessantes e falar deles em vídeos para as minhas redes sociais também me dá prazer e ajuda a divulgar o hábito da leitura, que é algo que é benéfico para qualquer profissão.

Além disso, também tento mostrar um pouco da minha rotina, além dos eventos interessantes que tenho ido. Mas também, para deixar a rede social mais leve, eu faço de vez em quando vídeos mais engraçados, entro em algumas trends. É uma diversão para mim.

Andriu Freitas une suas paixões pelo teatro e pela literatura em seu dia a dia, compartilhando leituras, bastidores e reflexões sobre arte. — Foto: Divulgação

Rodolfo Abreu: Nos diga o que as pessoa podem esperar da nova temporada de “Absolvição” no Teatro Poeirinha.

Andriu Freitas: Podem esperar uma história forte e aquele tipo de teatro que você sai querendo continuar a refletir e conversar com quem viu para trocar ideia. Nessa nova temporada, pequenas mudanças estão sendo feitas, em especial na disposição do espaço cênico – o que eu acho que influi na dinâmica como o público assiste. E isso é muito interessante, estamos na adaptação tirando proveito disso. Portanto, é uma oportunidade de quem já assistiu a peça, voltar a vê-la… vai ser interessante. E quem ainda não viu, agora terá oportunidade pois ficaremos dois meses em cartaz: julho e agosto, sempre às terças e quartas, às 20h. Espero todos vocês!

Produzir espetáculos que provoquem reflexão é uma marca da trajetória de Andriu Freitas, que retorna aos palcos com a nova temporada de Absolvição. — Foto: Divulgação
Compartilhar.

Rodolfo Abreu é colunista da Revista Vislun, jornalista e produtor cultural. Escreve sobre cultura, comportamento e cultura pop.

Adicione um comentário
Você precisa fazer o para publicar um comentário.