Lucas Leão é carioca, mas, ao olhar a coleção que desfilou na Rio Fashion Week no sábado (18.04), talvez não dê para perceber isso de cara. Neto de um alfaiate e de uma costureira especialista em vestidos de noiva, ele retoma essa expertise em sua etiqueta homônima. Para tanto, seu olhar se volta ao Rio de Janeiro dos anos 1920, quando a profissão de sua família era valorizada.



“Quando eu era pequeno, eles já estavam meio que deixando os ateliês para seguir outras profissões. Mas eu conseguia ver, em casa, os clientes chegando e pedindo roupas sob medida.”



Na passarela, a modelagem da época aparece nas ombreiras, nos blazers de abotoamento duplo, nos trench coats e nas calças de caimento solto. As lapelas duplas e os forros compridos, em tons contrastantes, são utilizados para exemplificar as etapas de uma peça feita sob medida.
“Com tanta roupa descartável no mundo, eu quero fazer exatamente o contrário. Quero peças que demoram para serem feitas”, disse Lucas no backstage.



Da memória da avó vêm as plumas de zibeline cortadas a laser, que aparecem aos poucos nas sobreposições de sobressaias em ternos e explodem nos looks finais, com os vestidos volumosos. As peruquinhas de penas foram feitas com mão de obra dos barracões.
“Quero que todo mundo compreenda o quanto isso é luxuoso, o quanto essa expertise do Carnaval pode ser usada para fazer moda de passarela.”



Afeto, textura e o Rio como matéria-prima, Lucas busca na memória afetiva a sua inspiração. Nas coleções anteriores, ele já havia flertado com as vitrines de vestidos de noiva e o Bate-Bola, um dos movimentos mais tradicionais do Carnaval carioca. Mas, antes de ganhar a passarela iluminada, a coleção é desenvolvida a muitas mãos e em um processo de produção acelerado:
“Um blazer leva uma semana apenas para ser confeccionado, e isso só considerando a parte prática.”
Ficha Técnica:
Texto e Montagem – Francisco Martins – Jornalismo de Moda
LUCAS LEÃO – RIO FASHION WEEK @lucasleo.co



