A partir de encontros reais e afinidades inesperadas, o espetáculo “Uma Vida de Amizade” traz ao palco questões profundas sobre o universo feminino, especialmente no processo de envelhecimento. Em cena, temas como maternidade, afetividade, relações amorosas e etarismo são abordados com leveza e sensibilidade, sem abrir mão da profundidade. Nesta entrevista, a atriz Silvia Pfeifer fala sobre a construção do projeto, o entrosamento do elenco e os desafios de dar vida a uma narrativa tão íntima e atual.
A origem do espetáculo também revela um encontro curioso entre ficção e realidade. Quem conta é o autor, Gustavo Pinheiro:
“Escrever sobre o processo de envelhecimento da mulher, do ponto de vista de três jovens que tivessem sido modelos, era uma ideia que eu tinha há muito tempo. Eu tinha essa vontade, mas era uma ideia guardada na cabeça. Um dia, estou navegando no Instagram e vejo uma foto de Silvia, Helena e Adriana, e penso: caramba, como elas se parecem com as minhas personagens, elas poderiam ser as minhas personagens. Eu printei e guardei no celular. Passaram-se dois dias e Fernando Philbert, nosso diretor, me liga e diz: eu jantei com Silvia, Helena e Adriana, você precisa conhecer, elas falam coisas ótimas sobre o universo feminino. Eu disse: você não vai acreditar, eu acabei de printar uma foto delas… Então, realmente, tinha que ser.”
A partir daí, o que era ideia ganha corpo e voz. Em cena, três mulheres constroem um espaço de troca que transita entre leveza e profundidade, sem cair em discursos prontos. Há experiência, há escuta e, principalmente, há identificação.
Conversamos com Silvia Pfeifer, que integra o elenco, sobre o processo, os encontros e o que move esse trabalho.
Chico Vartulli – Olá, Silvia! Como se deu a sua inserção no projeto teatral Uma Vida de Amizade?
Silvia Pfeifer – Após a peça de teatro “Entre Franciscos, o Santo e o Papa”, com Paulo Gorgulho e César Mello, direção de Fernando Philbert, fomos todos jantar, e surgiram assuntos/falas que fizeram o Philbert dizer: “isso já é uma peça de teatro”. Tudo veio ao encontro do que vínhamos falando entre nós três, temas pertinentes, necessários de serem abordados. Entramos em contato com Gustavo Pinheiro, que já tinha um texto esboçado sobre amizade entre três amigas e que topou imediatamente o desafio de escrever sobre o que gostaríamos de falar.
Chico Vartulli – Qual é a temática da peça teatral?
Silvia Pfeifer – Muitos dos aspectos do universo feminino — fugindo do feminismo. Questionamentos e reflexões, principalmente após os 50 anos. Sobre realização — ou não — profissional, maternidade, sexualidade, afetividade, envelhecimento, relações amorosas, etarismo e algumas outras. Tudo com muita leveza e profundidade ao mesmo tempo, neste texto inteligente, ágil e com humor. E dirigido com muita sensibilidade.
Chico Vartulli – Você poderia comentar sobre a sua personagem?
Minha personagem é uma ex-modelo, ativa em outra área profissional, bem resolvida com a questão do envelhecer, conciliadora, cuidadosa com suas amigas/fatos/amizade; uma mulher que sabe se posicionar de maneira firme (e delicada ao mesmo tempo), mas que esconde um grande sofrimento. Tem dificuldade de lidar com um aspecto de sua vida que será revelado no último terço da peça.
Chico Vartulli – Como está o entrosamento entre você e as duas outras atrizes: Adriana Garambone e Helena Fernandes?
Silvia Pfeifer – Uma grande felicidade. Conseguimos realizar este nosso projeto. Maior felicidade ainda é sentirmos — e ouvirmos de muitas pessoas — que temos uma ótima química cênica. Amigas queridas.
Chico Vartulli – Como está sendo estabelecida a relação entre as atrizes e a direção?
Silvia Pfeifer – Philbert é um diretor maravilhoso! Sensível, habilidoso, objetivo na sua condução artística. Segunda vez que tenho a felicidade de ser dirigida por ele.
Chico Vartulli – Como foram as apresentações em Portugal? Os portugueses foram receptivos?
Silvia Pfeifer – Espetacular! Não poderia ter sido melhor. Enchemos todos os teatros. Tivemos que abrir sessão extra em duas cidades. No Casino do Estoril, fizemos duas sessões com quase 900 pessoas em cada, no mesmo dia. Já nos querem de volta lá ainda este ano.
Chico Vartulli – Quais são as expectativas para a temporada no Teatro Fashion Mall?
Silvia Pfeifer – A melhor possível. Gilmar ficou apaixonado pelo projeto desde o primeiro momento, nos dando muito ânimo. Ele é um curador muito sensível; o teatro tem apresentado projetos muito interessantes.
Chico Vartulli – Quais são os seus planos futuros?
Silvia Pfeifer – Infelizmente, tive que abrir mão de um convite para TV em função da turnê em Portugal. Tenho outros projetos teatrais; um deles escrito para mim e Leonardo Franco. Mas, agora, minha energia está focada em “Uma Vida de Amizade”. É uma peça linda, amamos este projeto e queremos muito viajar com a peça.
Foto: Nil Caniné | Beauty: Zuh




