Entre o canto lírico e a música popular, Wladimir Cabanas revela os caminhos de uma carreira construída com técnica, sensibilidade e versatilidade. Nesta entrevista, o artista fala sobre sua trajetória no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, suas referências musicais e os desafios do universo operístico. Também compartilha sua atuação como professor e explica o conceito de crossover, que marca sua identidade artística. Um mergulho nos bastidores da ópera e da música que atravessa estilos.
Chico Vartulli – Olá, Wladimir! Qual é o balanço que você faz da sua carreira como tenor?
Wladimir Cabanas – Comecei a estudar canto lírico aos 28 anos, na classe da professora contralto Anna Maria Silvestro, que me ensinou a técnica da “voz natural” para chegar à impostação lírica. Depois, frequentei a CIA de Ópera TORJ – Teatro de Ópera do Rio de Janeiro, onde participei, como solista, de vários festivais de ópera pelo Brasil. Preparei repertório operístico com o pianista Aurélio Vinícius Meller (saudoso), o que possibilitou a minha entrada como contratado no Theatro Municipal, onde faço parte, agora como concursado, até os dias de hoje.
Chico Vartulli – Quais são os seus compositores preferidos?
Wladimir Cabanas – Meus compositores preferidos são Gioachino Rossini e Donizetti.
Chico Vartulli – No âmbito das óperas, quais são os papéis que você mais gostou de interpretar?
Wladimir Cabanas – O papel que eu mais gostei de interpretar foi o Conde de Almaviva, na ópera O Barbeiro de Sevilha.

Chico Vartulli – Quem você prefere: Carlos Gomes ou Villa-Lobos?
Wladimir Cabanas – Carlos Gomes, ele me inspirou e fez com que eu despertasse para a música.
Chico Vartulli – Como se deu o seu ingresso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ)?
Wladimir Cabanas – Através do pianista Aurélio Vinícius, que me indicou para o maestro do coro, Maurílio, com o qual realizei uma audição e fui aprovado como contratado para integrar o coral da ópera Nabucco, de Verdi, no ano de 1999.
Chico Vartulli – Como está estruturado o TMRJ na parte dos corpos artísticos de canto lírico?
Wladimir Cabanas – O Theatro Municipal conta com os corpos artísticos Ballet, Orquestra e Coro, onde eu faço parte como estatutário desde 2002. Cada setor tem o seu representante, que é chamado de presidente. Nós estamos sempre pleiteando melhores salários, melhores condições de trabalho e espetáculos que nos valorizem, pois temos orgulho de fazer parte de uma instituição com mais de 90 anos de existência.
Chico Vartulli – Você também leciona! Quais são os espaços onde você atua como professor?
Wladimir Cabanas – Eu dou aulas de canto em minha residência, onde possuo um estúdio com piano, e nas residências dos alunos.
Chico Vartulli – Comente o que é Tenor e Popular.

Wladimir Cabanas – Tenor é uma classificação vocal que descreve a voz mais aguda do homem, que também possui médios e graves. Temos como referência Luciano Pavarotti e Andrea Bocelli, entre outros. Tenor é a emissão necessária para se cantar ópera, música de câmara e concertos clássicos. Geralmente tem a tonalidade mais aguda para que a voz se projete sem microfone em teatros ou salas de concerto. Já o canto popular exige a tonalidade mais grave e média da voz, pois necessita do microfone para cantar, e uma voz menos impostada e apoiada, que resulta em um som mais próximo da fala. Eu me considero um cantor lírico e popular. Consigo transitar do tenor, voz encostada, à voz popular, que não necessita de colocação lírica, e sim de uma outra colocação popular, que inclusive eu ensino nas minhas aulas com um método próprio. Crossover é o nome que deram a essa habilidade.
Chico Vartulli -Quais são os seus planos futuros?
Wladimir Cabanas – Realizar um recital em homenagem póstuma ao amigo pianista Aurélio Vinícius Meller, em julho deste ano. Na próxima segunda-feira, dias 23 e 24, apresentar o projeto Ópera do Meio-Dia, O Elixir do Amor, onde farei Nemorino, o protagonista da ópera. Realizarei shows populares homenageando Frank Sinatra, Tom Jobim e Elis Regina. Em julho, apresentarei o cantor Julio Iglesias no espaço Dolores, dentro do Rio Scenarium.


