Ator, cantor e dançarino, Andreas Trotta construiu sua trajetória artística entre o teatro musical, a formação em artes cênicas e trabalhos no audiovisual. Atualmente, protagoniza a peça O Filho, na qual interpreta Nicolas. Ao longo da carreira, integrou os elencos de produções como Ney Matogrosso – Homem com H, Silvio Santos Vem Aí e 13 – O Musical, entre outros trabalhos.
Formado pela Escola Superior de Artes Célia Helena e mentorado por Fernanda Chamma, Andreas também realizou estudos complementares em Nova York e Londres. No audiovisual, participou das séries Use Sua Voz, da HBO Max/Cartoon Network, e O Coro – Sucesso, Aqui Vou Eu, produzida e dirigida por Miguel Falabella. Nesta entrevista, o artista fala sobre o processo de seleção para O Filho, os desafios de interpretar Nicolas, sua formação e os próximos passos da carreira.

Chico Vartulli – Olá, Andreas! Como se deu a sua inserção na peça O Filho?
Andreas Trotta – Eu audicionei para o papel ao lado de mais de 80 atores. Recebi o teste por meio de um antigo professor e rapidamente busquei estudar a obra. Desde o início dos meus estudos, o projeto já me cativava bastante, e levei isso para os testes para o papel. Foi ali que tudo realmente começou.
Chico Vartulli – A interpretação do personagem Nicolas tem sido um desafio para você? Por quê?
Andreas Trotta – Sim. Interpretar Nicolas tem sido um grande desafio, porque envolve construir um adolescente muito humano, sem estereótipos, lidando com temas sensíveis. O texto de Florian Zeller traz muitas camadas, e o papel exige que você as abrace por completo.
Falo não apenas do texto, mas também do corpo. Existe um desafio corporal muito forte, porque o corpo também conta muito sobre quem é esse personagem. Ele passa por estados difíceis e vulneráveis ao longo das cenas, então é um trabalho que exige muita entrega para que tudo o que esse personagem representa possa tocar o público.
Chico Vartulli – Como está o seu entrosamento com o elenco?
Andreas Trotta – Mais do que grandes atores, são grandes seres humanos, com quem tenho o privilégio de dividir os palcos e os camarins. É bonito ver que, ao longo desse ano em cartaz, criamos uma verdadeira família entre nós. Eu não poderia ser mais grato.

Chico Vartulli – O que mais te fascina no texto de O Filho?
Andreas Trotta – O que mais me toca no texto de Zeller é como ele trata temas pesados de um jeito muito humano e real. Ele faz a gente se enxergar ali, se reconhecer em algum personagem ou situação. E, mesmo depois que a peça termina, fica um silêncio que continua com você. Isso é o que torna tudo tão impactante e tão vivo.
Chico Vartulli – Como se deu a sua formação como ator?
Andreas Trotta – Minha formação vem muito da prática. Cresci nos palcos do teatro musical, trabalhando com profissionais que admiro, em produções como Ney Matogrosso – Homem com H e Silvio Santos Vem Aí. Tive Fernanda Chamma como mentora nesse universo e cursei Artes Cênicas na Faculdade Célia Helena.
Sempre encarei a formação como um processo contínuo. Por isso, busquei experiências fora do Brasil, estudando em Nova York, na Open Jar Studios, com Jeff Whiting, além do ICMT, em Londres. Tento manter o estudo sempre presente, porque acredito que o ator nunca para de se construir.
Chico Vartulli – Quais são as suas referências, teóricas e práticas, no âmbito da sua formação teatral?
Andreas Trotta – Tenho, desde cedo, Miguel Falabella como uma referência central, porque ele é um artista completo: ator, diretor e escritor. Admiro como ele transita com tanta propriedade por várias frentes do teatro, do musical e do audiovisual.
Chico Vartulli – Qual é o seu tipo de texto teatral preferido? Por quê?
Andreas Trotta – Atualmente, minha preferência vai para os textos realistas. Autores como Ibsen me cativam muito.
Chico Vartulli – Quais são os seus projetos futuros?
Andreas Trotta – O que posso adiantar é que tem um projeto novo a caminho, mas ainda não posso revelar muitos detalhes. O que posso dizer é que será mais uma história muito forte e humana, que convida o público à reflexão e fica com a pessoa mesmo depois que a peça termina. É esse tipo de trabalho que mais me move como artista, e estou muito feliz com o que vem por aí.


