O libreto e a coreografia são de Marius Petipa.

A montagem, emocionante, empolgante e pulsante, foi acompanhada pela Orquestra Sinfônica do TMRJ, sob a regência de Tobias Volkmann. Ele regeu de forma firme e segura, deixando transparecer a excelência e a competência da Orquestra, que brindou o público com a música pulsante e vibrante de Ludwig Minkus.

O espetáculo apresenta uma produção feita com dedicação, uma história apaixonante, diversidade de danças e pas de deux de se tirar o chapéu.

A solução, muito bem resolvida, é do próprio Theatro, com a dupla Hélio Bejani e Jorge Teixeira assinando concepção, remontagem e adaptação. Hélio e Jorge, a cada produção apresentada, se superam, deixando transparecer profissionalismo e empenho.

O casal de noivos Kitri e Basílio, na apresentação de 27 de agosto de 2026, quinta-feira, foi interpretado por Manuela Roçado e Rodrigo Hermesmeyer. Os dois integram o corpo de bailarinos do TMRJ como solistas. Embora não sejam primeiros bailarinos, exibiram uma dança de primeira. E o público presente deferiu!

Que belo casal! Defenderam seus personagens com garra e uniram técnica e interpretação, dança e emoção. Esbanjaram simpatia e sedução. Apresentaram-se com qualidade e comoveram o público presente.

Manuela Roçado e Rodrigo Hermesmeyer interpretam Kitri e Basílio em Dom Quixote, apresentado pela Companhia de Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. — Foto: Daniel Ebendinger / Divulgação

No nosso ponto de vista, o melhor momento da apresentação do par foi o pas de deux do casamento, no terceiro ato. Postura, disciplina, simpatia, graça e beleza! Associaram técnica refinada e emoção!

Temos que destacar também o personagem do cavaleiro sonhador Don Quixote, interpretado com maestria por Igor de Lucas. O personagem é desafiador, porque o solista tem que dançar com um conjunto de adereços, como armadura, espada e lança. Ao seu lado está o inquieto e desajeitado Sancho Pança, interpretado por Romilton Santana com entusiasmo. Os dois têm um caráter mais teatralizado. Boa caracterização!

O primeiro ato apresenta uma festa no vilarejo, onde diversas danças típicas espanholas são apresentadas. Os personagens da trama também são apresentados nesse momento. Kitri e Basílio dançam de forma descontraída.

Manuela Roçado e Rodrigo Hermesmeyer, como Kitri e Basílio, em cena de Dom Quixote. — Foto: Daniel Ebendinger / Divulgação

O segundo ato tem um caráter mais lúdico, com os ciganos e os moinhos de vento que levam Don Quixote ao delírio. Imperam danças mais acadêmicas, ao contrário do primeiro ato, quando as típicas predominaram.

E o terceiro ato é o momento do casamento de Kitri e Basílio. O casal fez uma apresentação perfeita, com um emocionante pas de deux, mostrando talento, habilidade e competência.

Os figurinos criados por Tania Agra são bonitos, adequados e de extremo bom gosto. Ganham destaque os figurinos dos toureiros e dos ciganos, além dos trajes de Kitri e Basílio no último ato, em tons de preto e vermelho.

A cenografia criada por Pará Produções e Glauco Bernardi é bem solucionada, arrojada e criativa.

No primeiro ato, vemos uma grande praça bem iluminada, com barraquinhas e uma paisagem ao fundo.

No segundo, vemos o moinho de vento, fumaça e uma iluminação mais escura.

No terceiro ato, retorna a cenografia do primeiro. A praça está decorada para a celebração do casamento.

Manuela Roçado em cena como Kitri em Dom Quixote, produção da Companhia de Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. — Foto: Daniel Ebendinger / Divulgação

A iluminação criada por Paulo Ornellas apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação dos bailarinos e bailarinas. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando as danças dos solistas.

São espetáculos como esse que mantêm a tradição das apresentações da Companhia de Ballet do TMRJ, confirmam a competência da dupla Bejani e Teixeira e nos deixam felizes e satisfeitos com a qualidade do elenco. Eles se apresentaram com garra e esmero, unindo interpretação e emoção. E o público agradece infinitamente.

Excelente produção de balé!

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Alex Varela é colunista da Revista Vislun, historiador e professor da UERJ, com foco em cultura. Seus artigos trazem análises críticas, cobertura de espetáculos e exposições, além de reflexões sobre o cenário cultural brasileiro contemporâneo.

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