A idealização, produção e o texto são de Mouhamed Harfouch.

O texto é biográfico, mistura realidade e ficção, mescla comédia e drama, cultural, familiar e ancestral.

Associando elementos autobiográficos e ficcionais, a peça, que, já na escolha do título, faz referência a uma situação vivida com o seu nome de batismo – e é explicada em cena -, apresenta um monólogo íntimo, costurado a algumas canções, entre “hits” e paródias, cantadas e tocadas ao vivo, marcando transições importantes da narrativa, em que o autor recria personagens que representam figuras significativas nas duas primeiras décadas da sua vida, mantendo, ao mesmo tempo, a privacidade de sua própria história.

Com uma abordagem sensível e densa, a obra convida o público a refletir sobre a importância da autocompreensão e do existir de cada um.

O ator Mouhamed Harfouch tem uma atuação de forte qualidade. Ele interpreta de forma correta, e emociona, contagia e é intenso. Ele domina o texto, passando com clareza e uma boa retórica; bem como o palco, se movimentando intensamente e ocupando todos os espaços. Estabelece uma boa comunicação com o público, dialogando e perguntando em alguns momentos ao público. Além de interpretar, ele dança, realiza alguns passinhos, canta e toca violão, com afinação e equilíbrio. Portanto, o talento e a entrega do ator fazem com que ele tenha uma atuação digna de elogios e louvor.

Um dos momentos marcantes da peça é aquele em que o autor explica o título “meu remédio”. Nasceu de uma incompreensão da pronúncia do seu nome por um porteiro de um edifício onde residia um amigo. Ao informar o nome do visitante, o porteiro disse a expressão “meu remédio” ao invés de pronunciar o nome de forma correta.

A direção de João Fonseca focou no texto e deixou o ator livre e à vontade para realizar a sua interpretação. Naquela ribalta, ele está como pinto no lixo!

O figurino criado por Ney Madeira e Dani Vidal é simples e de bom gosto. Ele é todo verde, constituído por camisa de manga comprida e calça. Ao final, ele coloca uma bata branca.

A cenografia criada por Nello Marrese é simples, criativa e adequada. Ela é constituída por um baú com rodinhas e contendo diversos objetos dentro do mesmo, que o ator vai retirando e lançando pelo chão do palco. Inclusive, ele entra no baú e realiza cena no local. Há também uma cadeira e um violão.

A iluminação criada por Dani Sanchez apresenta um bonito desenho de luz e contribui para realçar a interpretação do ator.

Meu Remédio é um monólogo com um texto potente, emocionante e valoriza a sua herança familiar; um ator com uma atuação digna de elogios; e figurino, cenografia e iluminação adequados, formando um bonito conjunto.

Excelente produção cênica!

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Alex Gonçalves Varela é historiador, professor do Departamento de História da UERJ, e autor de diversos enredos para escolas de samba, tendo sido autor dos enredos campeões do carnaval de 2006 e 2013. É autor de livros e artigos.

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