Ballet em dois atos. Libreto e coreografia original de Jean Daube. A música é de Ferdinand Hérold. A concepção e coreografia são de Ricardo Alfonso, que criou coreografias vibrantes e pulsantes, buscando valorizar, em cada bailarino, sua capacidade de interpretar o personagem e expressá-lo da forma mais real possível. Também conferiu um tom bem-humorado e divertido ao ballet, algo que se evidencia especialmente na personagem Simone.

O espetáculo conta com Ballet e Orquestra Sinfônica do TMRJ. A orquestra foi regida por Jésus Figueiredo, que conduziu os músicos com firmeza e segurança, mantendo a harmonia e o equilíbrio musical e brindando o público com uma execução melodiosa, leve e suave. Ballet com orquestra é sempre mais emocionante e empolgante.

Cena marcada por intensidade visual e atmosfera em registro da produção. — Foto: Filipe Aguiar / Divulgação

A supervisão artística é de Hélio Bejani e Jorge Teixeira, que, a cada nova montagem de ballet, apresentam espetáculos marcados pela associação entre técnica e emoção. A Direção Geral, também assinada por Hélio Bejani, demonstra competência e equilíbrio na condução da montagem.

Juliana Valadão interpreta Lise, enquanto Cícero Gomes vive Colas. Ambos são oriundos da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, espaço de excelência na formação artística, e atualmente integram o corpo de ballet do TMRJ. Os dois realizam uma apresentação notável, marcada por técnica refinada e emoção. Em suas expressões, percebemos o sentimento do amor, da paixão e da felicidade por convencerem Madame Simone de que desejam se casar. Os bailarinos se apresentam de forma sublime.

No primeiro ato, destaca-se o Solo de Colas, marcado pelo rigor técnico, precisão e determinação do bailarino. Já o pas de deux do segundo ato envolve técnica e emoção em uma cena de grande beleza.

Madame Simone é interpretada por Edifranc Alves, que constrói uma personagem divertida, bem-humorada, caricata e jocosa. A comicidade, aliás, é uma das marcas do ballet. Rodolfo Saraiva interpreta Thomas com inquietação e insistência, sempre em torno de Dona Simone. Já Luiz Paulo dá vida a Alain, personagem mais teatral do que propriamente ligado à dança, deixando transparecer um menino infantil, inocente e ingênuo, sempre acompanhado de sua pipa.

Atrizes dividem a cena em momento marcado por força cênica, expressão coletiva e intensidade dramática. — Foto: Filipe Aguiar / Divulgação

A cenografia criada por Manoel dos Santos reproduz o ambiente rústico de uma propriedade rural, destacando ao fundo a paisagem montanhosa. Os figurinos de Tania Agra são de extremo bom gosto, adequados ao universo rural do ballet e favorecem a movimentação dos bailarinos. Ganham destaque os criativos figurinos do galo, das galinhas e dos pintinhos, além da simplicidade dos trajes dos camponeses. O figurino da personagem Simone reforça sua irreverência em cena.

A iluminação de Paulo Ornellas apresenta um desenho de luz que contribui significativamente para valorizar as interpretações. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo, dinamismo e complementando as performances dos solistas.

Direção, orquestra, bailarinos, coreografias, figurinos, cenografia e iluminação formam um conjunto harmônico e equilibrado, conferindo excelência ao espetáculo.

Excelente produção de ballet!

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Alex Varela é colunista da Revista Vislun, historiador e professor da UERJ, com foco em cultura. Seus artigos trazem análises críticas, cobertura de espetáculos e exposições, além de reflexões sobre o cenário cultural brasileiro contemporâneo.

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