O texto de Daniel Bueno e Lucas Oradovschi é um monólogo realista, fruto do encontro de artistas de ascendência árabe e judaica; denunciador; antiguerra; antiopressão; pacifista; crítico; reflexivo; de memória; ancestral; de resistência; poético; contemporâneo. Reflete sobre o papel transformador da arte como instrumento para enfrentar a guerra e os conflitos sociais.
Ainda que o centro da reflexão seja a narrativa das histórias do Teatro de Pedra e do Teatro da Liberdade, experiências reais de teatro comunitário no campo de refugiados de Jenin, na Palestina, o espetáculo também dialoga com o universo social brasileiro, em especial com a cidade do Rio de Janeiro, onde são cometidos atos de violência extrema contra as populações pobres e negras das comunidades, contra as mulheres e contra a população LGBTQIAPN+. O texto clama por um mundo de paz e mais fraternidade.
O protagonismo é de Lucas Oradovschi. Ele apresenta uma atuação de qualidade, merecedora de elogios. É uma encenação concentrada na figura do ator e na valorização do texto narrado. Sua interpretação é refinada e emocionante. Em cena, ele representa uma pedra, um pedaço de escombro do Teatro de Pedra, localizado em Jenin, na Palestina.
Narra as memórias dessa experiência teatral nos campos de refugiados, uma experiência exitosa de luta pela paz e pela justiça, bem como suas memórias individuais, fruto de sua origem judaica e da vivência em terras israelenses, com vigor, potência e verdade, deixando o coração falar e o sentimento fluir. Domina o texto com clareza, utilizando uma linguagem acessível e boa retórica. Domina o palco, movimentando-se intensamente e ocupando todos os espaços. Estabelece boa comunicação com o público. Portanto, entrega uma atuação comovente e merecedora de elogios.
A direção de Adriana Schneider, Cátia Costa e Mar Mordente foca no texto e deixa o ator à vontade no palco para realizar sua comovente apresentação.
O figurino criado por Mel Akerman é simples, de bom gosto e facilita a locomoção do ator pelo palco.
A cenografia criada por Camila Moussallem e Murilo Barbieri é minimalista, constituída por quatro pedras que, inicialmente, estão sobre o piso do palco e, em um segundo momento, são suspensas por uma engrenagem. O ator interage com essas pedras ao longo da encenação.
A iluminação criada por Nina Balbi apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação do ator. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo, dinamismo e complementando as falas.
A direção musical de Azullllllll é potente, apresentando uma trilha sonora que acompanha o texto, conferindo à narrativa uma sonoridade poética e emocionante, além de auxiliar na construção dramatúrgica.
Texto, atuação, direção, cenografia, figurino e trilha sonora formam um conjunto coerente e equilibrado, conferindo ao espetáculo um elevado padrão de qualidade.
Excelente produção cênica!


