O espetáculo é uma superprodução, com um elenco numeroso, figurinos requintados e cenografia arrojada e sofisticada.
O texto de Newton Moreno e Alessandro Toller é musical, biográfico, memorialístico, poético e emocionante. Oscila entre momentos de alegria e bom humor e outros de tristeza e tensão, mantendo-se emocionante e contemporâneo.
O texto fornece um retrato amplo da trajetória de Edith Piaf, cantora francesa reconhecida internacionalmente, que acumulou iniciativas memoráveis ao longo de sua carreira. Ele inicia com sua infância pobre e simples, sendo criada nas ruas da cidade e em meio às meretrizes de Paris, passando por sua vida amorosa intensa, até chegar à fama e ao estrelato. O processo para alcançar o reconhecimento não foi simples, mas árduo e duro, marcado por muita luta e resistência.
Laila Garin é a protagonista do musical. Ela interpreta de forma refinada, narra, canta com entonação e afinação e emociona. Leva o público ao delírio! Ela transmite o texto com clareza, boa retórica e linguagem acessível. Canta com qualidade, com uma voz potente, meiga, doce e poética, de forma equilibrada e harmônica. Domina o palco, movimentando-se intensamente e preenchendo todos os espaços. Estabelece uma excelente comunicação com o público, que a aplaude vibrantemente. Portanto, uma atuação brilhante e notável.

Laila é acompanhada por uma banda de músicos, que atua de forma excepcional, dando ao musical um toque poético e romântico.
Os demais integrantes do elenco atuam de forma a preservar a qualidade do espetáculo, mantendo o alto nível artístico.
A direção de Sergio Módena é potente, ousada, cuidadosa, acertada e sensível, com marcações precisas que deixam o musical dinâmico e bem conduzido, potencializando a qualidade das interpretações da protagonista e dos demais integrantes do elenco.
A direção musical de Cláudia Elizeu revela competência ao selecionar as mais belas canções interpretadas por Piaf, a maioria em língua francesa e algumas traduzidas, evidenciando a qualidade da trilha sonora do espetáculo. São canções notáveis, eternizadas na voz da cantora francesa.
O coreógrafo e diretor de movimento é Alonso Barros, que realizou um trabalho de alta qualidade. A atriz Laila Garin, que interpreta a cantora francesa, passou por todo um trabalho corporal e gestual. Ela inicia toda ereta, movimentando-se intensamente e, à medida que sua trajetória vai sendo narrada e ela vai envelhecendo, vai definhando e passa a andar curvada, até chegar ao estágio final, sentada em uma cadeira de rodas. Todo o trabalho de movimentação está muito bem realizado e dirigido.

Laila também utiliza todo um gestual com as mãos quando interpreta as canções.
A caracterização e as perucas utilizadas por Laila Garin, criadas por Feliciano San Roman, são de qualidade, bem realizadas e confeccionadas. Laila utiliza, inicialmente, uma peruca de cabelos longos e, num segundo momento, uma peruca de cabelo curto.
Keila Santos foi a responsável pela bem produzida maquiagem.
O elenco é dinâmico, movimenta-se intensamente e realiza movimentos coreográficos harmônicos e equilibrados.
Os figurinos criados por Karen Brusttolin são de bom gosto, apresentam uso adequado das cores e facilitam o deslocamento dos atores pelo palco.
A cenografia criada por André Cortez é criativa, original e bem solucionada. Apresenta uma estrutura grande e móvel, que possui, na parte inferior, portas que permitem a circulação dos atores. A proposta dos “carros-cenografia” funciona muito bem e concede toda uma dinâmica ao espetáculo.
A iluminação criada por Wagner Antônio apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação do elenco. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando a atuação dos atores e atrizes.
Texto, atriz protagonista, elenco, banda de músicos, direção, figurinos, cenografia, trilha sonora e iluminação formam um conjunto equilibrado e coerente, dando o tom de excelência do musical, que é imperdível.


