O texto de Fil Braz é musical, biográfico, comemorativo, alegre, divertido, bem-humorado, cômico, emocionante, memorialístico, contrário ao preconceito contra pessoas homossexuais, valorizando a diversidade e a importância da família.
A narrativa apresenta, de forma linear, a trajetória de vida do ator Paulo Gustavo, percorrendo toda a sua existência e deixando transparecer a importância dos laços familiares em sua carreira como ator, sobretudo a presença ativa de sua mãe, Dona Déa Lúcia. A família foi o ingrediente fundamental para que ele se formasse como artista e se transformasse em uma estrela.
Como o texto frisa, Paulo não era o mais bonito, era calvo, não tinha o melhor corpo e era chamado de afeminado, mas tinha talento e vocação, características essenciais para ser artista.
O elenco é fabuloso. Interpreta, canta e dança com qualidade.
João Pedro Chaseliov interpreta o humorista na juventude e na idade adulta, enquanto Stella Maria Rodrigues vive Dona Déa. Os dois estão unidos, entrosados e afinados. Interpretam com qualidade refinada e emocionam. Cantam bem, com afinação, entonação e bom timbre de voz. Estão bem caracterizados, sobretudo Chaseliov como o humorista.

Eles dominam o texto, apresentando-o com clareza, boa retórica e estabelecendo diálogos bem-humorados e divertidos. Também dominam o palco, movimentando-se intensamente e preenchendo todos os espaços. Estabelecem uma boa comunicação com o público. Trata-se, portanto, de uma atuação exuberante e digna de elogios.
Dona Déa, mãe de Paulo Gustavo, aparece no início do musical interpretando a música “Fascinação” e, na parte final, no momento da morte do filho, quando ele se transforma em um anjo.
Completam o núcleo familiar de Paulo Gustavo na peça Castorine, como Juju, a irmã; Marcelo Várzea, como Júlio, o pai; e Talita Castro, no papel da madrasta. Eles mantêm o mesmo patamar de qualidade dos dois atores protagonistas supracitados, com destaque para Castorine, que interpreta a irmã com entrega, deixando transparecer o carinho e o afeto que ela tinha pelo irmão.
A direção artística de Ju Amaral e João Fonseca é potente, ousada e irreverente, com marcações precisas que tornam o musical dinâmico e bem conduzido, potencializando a qualidade das interpretações do elenco.
A direção musical de Tony Lucchesi criou arranjos de qualidade, produzindo uma musicalidade que emociona. Ao associar a narrativa textual às músicas, contribui para uma encenação pulsante e intensa.
Os figurinos criados por Theodoro Cochrane são de bom gosto, criativos, coloridos e facilitam a movimentação do elenco pelo palco. Ganha destaque o conjunto de figurinos gregos.
A cenografia criada por Nello Marrese é criativa, bem executada e arrojada. Ela remete ao universo grego do mundo antigo, com pilastras decoradas com estátuas e um paredão “de mármore” com três portais, dos quais surgem pequenos ambientes.
As coreografias criadas por Alonso Barros são intensas e pulsantes, estando em sintonia com as cenas.
A iluminação de Daniela Sanchez apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação do elenco. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando as falas e canções interpretadas pelos atores e atrizes.
Em nosso ponto de vista, o momento arrebatador do musical está em seu último quadro, parte que representa a emoção e a dor da perda, retratando o período da pandemia e a contaminação pela COVID-19, que levou ao falecimento prematuro do artista. Emocionante!
Texto, elenco, direção, cenografia, figurinos, iluminação e trilha sonora formam um conjunto harmônico e equilibrado, que resulta na excelência do musical.
Excelente produção cênica!


