O espetáculo é uma produção de Ana Capella e Guilherme Nanni – Nanni Produções Artísticas.

O texto é uma adaptação do livro homônimo de Mariana Reade e Wagner Cinellié, que se caracteriza por ser ficcional, baseado em fatos reais; crítico; pedagógico; sensível; tenso; denso; problematizador; denuncia a violência contra a mulher (violência física, moral, psicológica, sexual e patrimonial), bem como as relações abusivas e o machismo estrutural da sociedade brasileira; antimísogino e contemporâneo. Argumenta que o feminicídio é um processo que se desenvolve por meio de inúmeras práticas abusivas (ciclo de controle, medo e violência) e vai, paulatinamente, se institucionalizando de forma a alcançar situações graves de violência e, inclusive, a morte da vítima. Denunciar a violência contra a mulher é urgente e emergente.

O elenco é constituído por quatro integrantes, sendo três atrizes e um ator: Taina Senna, Ana Carbatti, Julia Tupinambá e Eduardo Hoffmann. Eles estão unidos, entrosados e afinados. Interpretam com qualidade e emocionam. Ganha destaque a atriz Ana Carbatti, no papel da mãe de Luana. Ela deixa transparecer maturidade e experiência, passando com firmeza a figura materna, preocupada com a maternidade e, num segundo momento, com a vida da sua filha. Dominam o texto, utilizam uma linguagem de fácil entendimento e estabelecem diálogos densos e emocionantes. Dominam o palco, preenchendo todos os espaços, e estabelecem boa comunicação com o público. Portanto, apresentam uma atuação segura e comovente.

O último dia -Foto de Rafael Oliveira

A direção de Paulo Reis focou no texto e deixou os atores livres no palco para realizar uma atuação de qualidade.

Os figurinos criados por Rosângela Nascimento são simples, adequados e facilitam a locomoção pelo palco. São roupas do cotidiano.

A cenografia criada por José Dias é mínima, constituída por quatro assentos, posicionados dois em cada lado do palco.

A iluminação criada por Brisa Lima apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação dos atores. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando as falas.

O Último Dia é um espetáculo que apresenta uma montagem simples e sem sofisticação; um texto crítico que denuncia a violência contra a mulher; e um elenco com uma atuação de qualidade.

Ótima produção cênica!

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Alex Varela é colunista da Revista Vislun, historiador e professor da UERJ, com foco em cultura. Seus artigos trazem análises críticas, cobertura de espetáculos e exposições, além de reflexões sobre o cenário cultural brasileiro contemporâneo.

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