A curadoria é de Gao Xiuqing, que organizou a exposição de forma didática e bem explicativa, dividindo-a em cinco núcleos temáticos. Neles, há paredes onde são expostos textos e imagens que ilustram e complementam as informações. Ademais, há vitrines com um conjunto de objetos, como xícaras, tigelas, jarras, pratos, garrafas, panelas, recipientes, vasos, entre outros, produzidos a partir de uma diversidade de materiais, como cerâmica, bronze, porcelana, ouro, prata, jade, pedras preciosas, laca e madeira. Há também telas com projeções.

No total, há cerca de 120 objetos originários do Museu Nacional da China, em Pequim. Todos esses fragmentos auxiliam a narrar a longa história da alimentação na China, desde a pré-história agrícola até 1911, quando se encerra a dinastia Qing e, com ela, a China imperial.

A exposição é de excelência não apenas pelo rico e diversificado material que a integra, oriundo do museu chinês, mas também pela proposta curatorial de ampliar o significado da alimentação, vista não apenas como um elemento de sobrevivência, mas também como expressão de cultura, sociabilidade e conhecimento.

Panela hot pot em cerâmica zisha da Mansão Xing You Heng, produzida durante a Dinastia Qing (1644–1911). — Crédito: Acervo do Museu Nacional da China, Pequim / Divulgação
Vaso hu em bronze, com decoração de nuvens e alças em forma de cabeças de animais, produzido durante o Período das Primaveras e Outonos (770–476 a.C.). — Crédito: Acervo do Museu Nacional da China, Pequim / Divulgação

A exibição apresenta um conteúdo histórico muito rico e culturalmente impactante, mostrando a diversificação das práticas de alimentação no mundo antigo chinês, com o cultivo do arroz, do milheto, do trigo e das leguminosas, além da domesticação de animais, entre outros aspectos. Também aborda a utilização do fogo e o cozimento dos alimentos, para que fossem servidos quentinhos. Além das comidas, há também partes dedicadas às bebidas, como o chá e o vinho.

A exposição mostra como a alimentação estava associada às práticas sagradas, pois os chineses tinham o costume de oferecer sacrifícios aos ancestrais e às divindades. Ademais, os utensílios utilizados à mesa apresentavam uma estética bonita e também eram símbolos de status e de poder.

Pelo mundo, espalharam-se produtos e hábitos alimentares chineses, como o arroz e o chá. Em terras brasileiras, o arroz fincou pé e se associou ao nosso feijão, formando nosso prato predileto. Por sua vez, a partir de 1808, com a instalação da monarquia portuguesa na cidade do Rio de Janeiro, os chineses foram trazidos para cá e desenvolveram a prática da cultura do chá nas imediações do atual Jardim Botânico. Intercâmbios culturais alimentares!

Há diversos momentos marcantes na exposição. Um deles, que gostaríamos de destacar, é o banquete chinês, visualizado em uma mesa redonda que exibe a fartura e a diversidade da culinária chinesa. Momento ápice da exposição!

Pintura em rolo Cenas de Embriaguez Coletiva (detalhe), de Xing Zhiru, produzida durante a Dinastia Ming (1368–1644). — Foto: Divulgação

Para os profissionais do campo da História, a exposição é um manancial de conhecimento. Um prato cheio para levar seus alunos de graduação, pós-graduação ou aqueles do ensino fundamental e médio. Uma verdadeira sala de aula no museu. E, para aqueles que não são da História, vale a visita também, independentemente da idade e do gosto.

A exposição apresenta um teor profundo, produto de uma pesquisa bem realizada e incrementada pelo conjunto de materiais oriundos do museu chinês, por sinal uma verdadeira preciosidade. Eles são testemunhos que servem para narrar a história da alimentação na China antiga. Apresenta-se bem organizada e estruturada, com textos e imagens que facilitam o entendimento do público.

Excelente produção de artes plásticas!

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Alex Varela é colunista da Revista Vislun, historiador e professor da UERJ, com foco em cultura. Seus artigos trazem análises críticas, cobertura de espetáculos e exposições, além de reflexões sobre o cenário cultural brasileiro contemporâneo.

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