Na data de 03.11.2023, a Cia. Teatro de Máscaras estreou o espetáculo Zum ou Zois, comemorando 35 anos, no teatro Cândido Mendes.

A peça é dividida em 10 (dez) quadros curtos que retratam situações sem nenhum sentido do dia-a-dia para refletir sobre a impotência do habitante das grandes metrópoles.  

As dez cenas são: 1- dois amigos se encontram e criam o nome do espetáculo; 2- o representante da OI indo instalar o modem; 3- café da manhã; 4- porre literal; 5- a faxineira caipira; 6- relembrando Charles Chaplin; 7- o apagão; 8- minhocas; 9- dois amigos descascando banana; 10- o vizinho solicitando para ligar para o médico porque sua mulher estava sentindo dores. Algumas cenas são faladas, outra mudas.

Cada cena é uma roupa e um cenário diferente, e o pique das trocas é realizado de forma rápida.

Os dois atores, Raul Tolledo e Mário Vieira, encenam diversas situações do cotidiano. É uma ideia boa e que funciona, com cenas engraçadas, irônicas, um humor que atinge a todas as faixas etárias.

As cenas são marcadas pelo tom da alegria caracterizando assim o clima do espetáculo e pela boa interpretação dos atores. Eles deixam no ar uma atmosfera de simpatia, com performances interessantes. O melhor momento, no nosso ponto de vista, é a parte que lembra  Charles Chaplin, a faxineira caipira, e o porre literário.

As dez cenas apresentadas não se complementam. Fica no ar a ausência de um complemento ou de uma conclusão. Não há uma sequência cênica. O antes não tem nada a ver com o que acontece a seguir.  Há espaços em branco entre as cenas. Esse é o ponto negativo da produção.

Mas, a interação, a criatividade e a alegria dos atores contagiam a todos. Eles são divertidos!

Boa produção teatral!

Texto crítico redigido por Alex Gonçalves Varela.

Compartilhar.

Alex Gonçalves Varela é historiador, professor do Departamento de História da UERJ, e autor de diversos enredos para escolas de samba, tendo sido autor dos enredos campeões do carnaval de 2006 e 2013. É autor de livros e artigos.

Comentários estão fechados.