Romeu e Julieta é um balé grandioso. São dois atos, diversos bailarinos em cena, cenografia criativa, figurinos de bom gosto e coloridos e iluminação bem cuidada e realizada.

A regência de Tobias Volkmann, que comandou a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, é de qualidade ímpar, dando um sabor a mais à música de Prokofiev.

O coreógrafo Luiz Fernando Bongiovanni criou um estilo capaz de aliar técnicas (como giros, saltos, entre outros) a personagens bem construídos, uma dança com toques teatrais em que a densidade dramática dos intérpretes tem seu ponto diferencial. O universo de Shakespeare é um terreno perfeito para ele.

Mas há espaço para a empatia também. E fica evidente no par que dança Romeu e Julieta, que extrapola sentimentos, como dor, sofrimento e amor.

Romeu, interpretado por Rodrigo Hermesmeyer, em cena de luta com espada no balé Romeu e Julieta, da Companhia do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. — Foto: Daniel Ebendinger / Divulgação

Ademais, há uma intensa movimentação dos corpos dos bailarinos, uma versatilidade intensa. Eles são dinâmicos, vibrantes e pulsantes. Portanto, técnica, movimentação e emoção estão associadas no trabalho do coreógrafo.

Juliana Valadão e Rodrigo Hermesmeyer, Julieta e Romeu, respectivamente, dois dos bailarinos da companhia, mostram que continuam na melhor forma possível. Ambos têm técnica perfeita e muita presença de palco. Bonito de ver! Eles emocionam!

Há dois momentos marcantes do par. O primeiro se dá na cena do primeiro ato, quando Julieta está no balcão e avista Romeu. Ela desce e dançam um exuberante pas de deux, mesclando técnica e emoção. Estão trajando figurinos em tom branco, a paz, contra a guerra que dilacera as suas respectivas famílias. O público desfere aplausos efusivos!

Juliana Valadão e Rodrigo Hermesmeyer interpretam Julieta e Romeu no balé Romeu e Julieta, da Companhia do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. — Foto: Daniel Ebendinger / Divulgação

O outro momento se dá no segundo ato, quando realizam mais um pas de deux de qualidade, momento em que Romeu se despede de Julieta e foge. Momento de sofrimento e dor de Julieta, muito bem expressados pela primeira bailarina!

O balé confirma que o trabalho de direção geral de Hélio Bejani, em parceria com Jorge Teixeira na supervisão artística, tem produzido excelentes resultados. Um conjunto harmônico e equilibrado, em que o elenco demonstra excelente preparo.

Excelente produção de balé!

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Alex Varela é colunista da Revista Vislun, historiador e professor da UERJ, com foco em cultura. Seus artigos trazem análises críticas, cobertura de espetáculos e exposições, além de reflexões sobre o cenário cultural brasileiro contemporâneo.

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