Desde 2023, o Instituto Cervantes do RJ celebra, anualmente, o Dia da Consciência Negra no Brasil através do programa multidisciplinar “Espanha Afro”, já em sua terceira edição. O projeto consiste numa série de atividades relacionadas com as culturas afro tanto na Espanha como na América Latina, o seu relevante legado intelectual, cultural, artístico e social nos diferentes espaços da diáspora. Este ano, três delas serão relacionadas à memória e à preservação do legado dos mais velhos, enfocando nas pautas de como é envelhecer, sendo pessoa imigrante e negra, na Espanha.
Em parceria com a Embaixada da Espanha e com a FLUP, no dia 28 de novembro, sexta, estarão no Brasil a jornalista, escritora e curadora espanhola Lucía Mbomío e o fotógrafo reunionense Laurent Leger-Adame. Eles participarão de duas mesas-redondas no Viaduto de Madureira, das 17h às 19h30, quando conversarão sobre fotografia, imigração, memória, direitos, entre outros temas também abordados no último livro de Mbomío, Tierra de la luz.
Já em 2 de dezembro, terça-feira, às 19h, o Instituto Cervantes inaugura em Botafogo “Afromayores”, mostra fotográfica assinada por Leger-Adame, que retratou protagonistas desses legados, sob curadoria de Mbomío. Trata-se de um projeto audiovisual e fotográfico autogestionado, que nasceu depois de muitas conversas. Tanto o reunionense Laurent Leger-Adame como a alcorconeira (Alcorcón-Madri) Lucía Mbomío há anos entrevistavam pessoas negras com o objetivo de balancear a narrativa mediática generalista espanhola na qual, ou não aparecem ou somente são vistos de determinada forma. Entre os retratados em destaque estão o pai da curadora, Jose, e também Batata, único carioca, residente em Madri, “afromayor/idoso” da mostra, que entrou especialmente nessa edição no Rio de Janeiro.


Animados pelos conselhos e ação do histórico ativista afroespanhol Yast Solo e pelo trabalho de registro audiovisual que ambos já realizavam com seus próprios familiares, decidiram mudar o foco e centrar-se em pessoas africanas e afrodescendentes com mais de 65 anos residentes na Espanha.
Como incentivo, faltava apenas determinar como e quando – infelizmente precipitado após o diagnóstico de demência com corpos de Lewy do pai da Lucía. Em um processo de perda de lembranças inexorável, era o momento de fazer memória antes de que a dele se apagasse completamente. Foi dessa forma como, durante um bom tempo com o cinegrafista José Oyono, sem nenhum tipo de apoio econômico, começaram a fazer as gravações, os retratos e a encapsular suas vidas com o objetivo de eternizá-los. Perceberam imediatamente como se infiltram nelas o colonialismo, questões administrativas, xenofobia, racismo, amor, renúncias, sonhos desfeitos e realizados, família, pertencimento e muita nostalgia do tipo que não cessa, mesmo que estivessem na Espanha há décadas.
Sua grande meta é publicar um fotolivro no qual seus rostos, sulcados por rugas que evidenciam um longo percurso vital, possam ser vistos e aplaudidos. Todo esse material é compartilhado no perfil de Instagram e no canal de YouTube de Afromayores, e é enriquecido com as exposições e atividades que transformam o olhar sobre a velhice e a afrodescendência na Espanha. Seu lema é “Existimos Porque Existiram”.


Serviço
“Afromayores” – fotografias de Leger-Adame
Curadoria: Mbomío
Abertura: dia 2 de dezembro, terça-feira, às 19h
Visitação: até 10 de janeiro de 2026
Horário: de segunda a sábado, das 10h às 19h (exceto feriados)
Local: Instituto Cervantes do Rio de Janeiro
Endereço: Rua Visconde de Ouro Preto, 62 – Botafogo – RJ
Entrada gratuita, classificação livre


