Vencedora do Prêmio Shell de Teatro na categoria Figurino, Ananda Almeida vive um momento de consolidação e expansão na carreira, com projetos em andamento no teatro e incursões no audiovisual. A figurinista, que alcançou o reconhecimento profissional pelo trabalho assinado em parceria com Raphael Elias, no espetáculo “Negra Palavra Poesia do Samba”, compartilha agora os bastidores do processo criativo.
Em cena, cada roupa vestida no elenco traz um caráter muito específico, com referências que atravessam diferentes temporalidades do samba. “A gente partiu dos próprios atores. Cada um trouxe um sambista com quem se identificava, e a partir disso fomos construindo esse universo. É possível identificar a personalidade de vários sambistas e também o cuidado com o jeito de vestir, estrutura corporal e subjetividade dos atores”, explica.
O processo criativo se desdobra em uma investigação estética detalhista, que vai da escolha de tecidos à composição final do grupo. “Cada elemento importa, desde os anéis e botões de camisa personalizados, às cores utilizadas. No palco, o conjunto mostra essa beleza do samba que não está só na música ou nas letras, mas também nessa poesia do vestir. São homens pretos muito elegantes, preocupados com a sua beleza e o seu autocuidado, o que é bonito de ver”
Um desafio foi vestir a única mulher em cena, a atriz Olívia Araújo. “Eu e Rapha precisávamos coloca-la de forma empoderada, ela era a única mulher no meio de muitos homens e queríamos que a força dela ocupasse todo o espaço, como uma luz, uma estrela. Ela representa todas as mulheres sambistas que ocuparam esse lugar dominado por homens, então ela precisava ser reconhecida, assim como outras mulheres citadas no espetáculo, Alcione, Jovelina, Beth Carvalho, mulheres que furaram a bolha para estar ali junto daqueles sambistas. Então isso também se traduz na roupa dela, que traz uma referência de realeza, de brilho”, comenta.
Atualmente, Ananda integra um novo projeto no teatro, desta vez com a Inepta Cia, previsto para estrear em maio, e também amplia sua atuação no audiovisual, como assistente de figurino dos filmes “Cacilda Becker em cena aberta” e “Na linha de fogo”. Para o futuro, os planos não são pequenos: “Se é pra sonhar, eu sonho alto. Ainda quero trabalhar com a Ruth E. Carter.”, manifesta.



