No período em que São Paulo recebe a Bienal Internacional do Livro, que nesta edição tem a Espanha como País Convidado de Honra, o Instituto Cervantes de São Paulo amplia esse diálogo cultural também para a fotografia. A partir de 5 de setembro, recebe a exposição “Palmira Puig / Marcel Giró. Humanismo na fotografia modernista brasileira”, com curadoria de Rocío Santa Cruz.
A mostra integra o Confluências Fotográficas e apresenta as trajetórias de Palmira Puig (1912–1979) e Marcel Giró (1913–2011), dois fotógrafos catalães que fizeram de São Paulo um espaço fundamental para sua produção e participaram diretamente da construção da fotografia moderna brasileira.
Esta é a primeira grande exposição dedicada conjuntamente aos dois artistas. O percurso passa pelas experiências anteriores ao exílio, pela chegada ao Brasil, pela atuação no Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), pela parceria criativa do casal e pelo Estúdio Giró, que se tornou referência na fotografia publicitária em São Paulo.
“É uma grande satisfação para o Instituto Cervantes receber uma exposição desta relevância. Recuperar e apresentar essa história por meio do olhar e da curadoria de Rocío Santa Cruz torna a mostra ainda mais especial. A exposição também traduz a missão do Instituto Cervantes: promover a língua espanhola, difundir a riqueza e a diversidade de nossas culturas e criar espaços de encontro, diálogo e intercâmbio com a sociedade brasileira. Esse significado se amplia em um momento em que a Espanha é o País Convidado de Honra da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, uma oportunidade para fortalecer os vínculos culturais entre Espanha e Brasil e ampliar o conhecimento sobre nossos autores, artistas e criadores.” comenta Daniel Gallego Arcas, diretor do Instituto Cervantes de São Paulo.
Republicanos e ligados à cultura catalã, Palmira e Marcel deixaram a Espanha em consequência da Guerra Civil. Após passarem pela Colômbia, estabeleceram-se em São Paulo em 1946 e encontraram uma cidade em plena transformação. Arquitetura, ruas, geometrias, personagens e cenas cotidianas passaram a fazer parte de uma produção que conciliava experimentação formal e atenção à experiência humana.
A participação no Foto Cine Clube Bandeirante foi decisiva. Marcel ingressou em 1950 e Palmira, em 1956, passando a integrar um ambiente que reuniu nomes como Thomaz Farkas, Geraldo de Barros, German Lorca, Gertrudes Altschul e Eduardo Salvatore e que teve papel central na renovação da linguagem fotográfica no país. Fotografias de alguns desses autores também estarão presentes na exposição, ao lado de trabalhos de outros nomes ligados a esse importante momento da fotografia moderna brasileira.
Embora tenham compartilhado experiências e referências, Palmira Puig e Marcel Giró construíram olhares autorais próprios. Palmira voltou sua atenção especialmente às relações humanas, aos gestos cotidianos e aos pequenos acontecimentos da vida, enquanto Giró explorou com mais intensidade as formas, os contrastes e as geometrias da cidade moderna.
Durante décadas, porém, a trajetória de Palmira ficou em segundo plano diante da projeção alcançada por Giró. Uma das poucas mulheres a integrar o Foto Cine Clube Bandeirante, ela atuou em um contexto em que a presença feminina ainda era reduzida nos salões, nas estruturas do fotoclube e nos espaços de decisão. Pesquisas recentes vêm revendo essa história e reconhecendo a força e a importância de sua produção para a fotografia moderna brasileira — um protagonismo que a exposição também busca recuperar.
Essa relação criativa esteve presente também no Estúdio Giró, fundado pelo casal em 1953. Palmira participava ativamente dos processos de criação e produção das campanhas, com uma atuação muito além de um papel de apoio. O estúdio se consolidou como referência da fotografia publicitária brasileira e como espaço de formação e circulação profissional, por onde passaram nomes como J.R. Duran e Marcio Scavone.
Hoje, obras de Palmira Puig e Marcel Giró integram coleções de instituições como Museum of Modern Art (MoMA), MASP, MAM-SP, Instituto Moreira Salles (IMS), Museu Nacional d’Art de Catalunya (MNAC) e MORERA – Museu d’Art Modern i Contemporani de Lleida.
“Esta mostra recupera e valoriza o legado de Palmira Puig e Marcel Giró a partir da trajetória de um casal extraordinário que construiu pontes entre Espanha e Brasil. Suas obras são hoje um testemunho importante de como o exílio espanhol enriqueceu o ambiente cultural brasileiro e contribuiu de forma decisiva para a construção da modernidade fotográfica no país”, afirma a curadora Rocío Santa Cruz.
Ao receber a exposição, o Instituto Cervantes reforça sua atuação na difusão da língua espanhola e das culturas do mundo hispânico e na criação de espaços de encontro entre Brasil e Espanha. Esse papel ganha ainda mais relevância em 2026, com a Espanha como País Convidado de Honra da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, ampliando a presença de seus autores, artistas e diferentes expressões culturais na cidade.
Nos dias 8 e 10 de setembro, às 19h, a fotografia também será tema de dois encontros do Confluências Fotográficas. No dia 8, Rocío Santa Cruz e João Kulcsár conversam sobre fotografia, memória e intercâmbios culturais entre Brasil e Espanha. Já no dia 10, o fotógrafo José Manuel Ballester e Juan Manuel Bonet participam de um bate-papo os 20 anos de pesquisas brasileira e lançamento do livro da Exposição “Maravilha”. Esses e outros eventos integram a programação especial do Instituto Cervantes de São Paulo por ocasião da participação da Espanha como País Convidado de Honra da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, ampliando para além do pavilhão da Bienal os encontros entre cultura, literatura, fotografia e artes visuais.
SERVIÇO
Exposição “Palmira Puig / Marcel Giró. Humanismo na fotografia modernista brasileira”
Abertura: 5 de setembro, às 18h
Local: Instituto Cervantes
Ingressos gratuito: https://www.sympla.com.br
Confluências Fotográficas
Data: 8 de setembro, às 19h – Fotografia, memória e intercâmbios culturais entre Brasil e Espanha.
Participantes: Rocío Santa Cruz e João Kulcsár
Local: Instituto Cervantes
Confluências Fotográficas
Data: 10 de setembro, às 19h – Os 20 anos de pesquisas brasileiras e lançamento do livro da Exposição “Maravilha”.
Participantes: José Manuel Ballester (fotógrafo) e Juan Manuel Bonet
Ingressos gratuitos: https://www.sympla.com.br


