Reconhecido pelo trabalho que transforma um objeto elementar do cotidiano, os clipes de papel, em esculturas imponentes e (por que não?) irreverentes, o artista carioca Sanagê Cardoso colore o Le Jardin, na área externa do luxuoso Rosewood, até novembro. Instalada nos jardins da propriedade em São Paulo, a mostra “Neoclipes” tem curadoria de Marc Pottier e colore o espaço com esculturas de grandes dimensões em laranja – cor recorrente nas suas obras.
Protagonista de uma investigação poética sobre escala, espaço e movimento, desta vez sua produção ganha novos formatos: uma da esculturas chega a remeter, por acaso, a uma grande rosa. A célebre “Poética dos Clipes” do artista estabeleceu um diálogo direto com o espectador ao longo de sua trajetória singular na arte contemporânea brasileira ao elevar elementos comuns e utilitários a outros patamares simbólicos no universo da arte. A forma minimalista do clipe é reinterpretada em esculturas tridimensionais de grande escala, que parecem desafiar o peso do metal e a rigidez da geometria, se conectando com a arquitetura, a paisagem e o público.
O título da exposição combina a palavra “clipe” ao prefixo “neo”, referência à herança do neoconcretismo brasileiro, movimento que valorizou a experiência sensorial, a participação do espectador e a autonomia da obra no espaço. Mais do que um exercício for mal, a exposição convida o visitante a percorrer os jardins do hotel e descobrir diferentes relações entre volume, vazio, equilíbrio e movimento.
“A geometria não é rígida; ela guarda um movimento imponderável que convida o olhar e o corpo a habitarem a obra”, afirma Sanagê. “Escolhi o laranja porque é uma cor que ‘vibra além do limite’, capaz de ativar o espaço ao redor da escultura e conduzir a uma experiência sensorial mais aberta. Para mim, o laranja evoca entusiasmo, alegria, dinamismo e atitudes positivas, convidando o público a interagir de forma livre com a obra”.

Sobre os Neoclipes
Produzidas principalmente em aço corten, aço carbono, aço inox e alumínio, as obras exploram dobras, curvas, sombras e proporções com extraordinária economia de meios. Em linha com a filosofia do artista de “dizer o máximo com o mínimo”, Neoclipes demonstra como uma forma elementar pode gerar infinitas possibilidades de leitura e interação. O clipe abandona sua função original para se tornar um símbolo de conexão.
“‘Neoclipes’ é para Sanagê o novo clip, um título que ele gosta de utilizar faz tempo para falar da ressignificação estética e monumental do clipe de papel, transformando um objeto industrial comum e utilitário em esculturas tridimensionais abstratas. O clipe de papel é visto pelo artista como um elemento de design simples, funcional e eficiente, cuja forma pura inspira investigações de volume e proporção. O prefixo “neo” remete à linguagem neoconcreta, que valoriza a participação do espectador, a geometria, a dobra e a autonomia da obra de arte no espaço físico. O formato pequeno do clipe é ampliado em grandes estruturas de aço (às vezes com metros de altura), desafiando a física, o peso do material e a relação da peça com o ambiente ao redor. A proposta busca “dizer o máximo com o mínimo”, explorando dobras, sombras e texturas em formas puras e equilibradas.
Ao explorar o clipe de papel em múltiplas formas, Sanagê transcende o neoconcretismo e conecta-se à contemporaneidade. Ele ressignifica um ícone duplo: o objeto físico que une folhas no mundo real e o símbolo digital que indica arquivos anexados.
Mais do que uma referência visual, a obra fala sobre vínculos e união. O artista evoca a história dos noruegueses que, na Segunda Guerra Mundial, usavam clipes na lapela para resistir à ocupação nazista. Era um sinal silencioso e poderoso de que “estamos unidos”. Essa união sem palavras resume a grande lição que o artista transmite”, diz o curador, Marc Pottier.
Sobre Sanagê
Nascido no Rio de Janeiro em 1954 e radicado em Brasília desde 1972, Sanagê é artista plástico, escultor e fotógrafo. Formado em Artes Visuais pela Faculdade Dulcina de Moraes, iniciou sua carreira na fotografia editorial e publicitária antes de aprofundar sua pesquisa tridimensional por meio do domínio de técnicas industriais de corte e soldagem. Suas obras integram coleções, museus e espaços públicos em diversas cidades brasileiras, e sua trajetória inclui a criação do troféu oficial do Prêmio ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte). Possui uma produção independente orientada pelo neoconcretismo.
Rosewood São Paulo é um oásis urbano regenerativo, onde a vibrante cultura local e a energia artística florescem em harmonia com a natureza. Instalado em uma antiga maternidade e em uma torre visionária de jardim vertical, projetada pelo vencedor do Prêmio Pritzker Jean Nouvel, o hotel traz nova vida a um enclave histórico da cidade.
Serviço
“Neoclipes” – exposição inédita de Sanagê Cardoso
Curadoria: Marc Pottier
Local: Jardins do Rosewood São Paulo (Rua Itapeva, 435 – Bela Vista, São Paulo)
Visitação: até dia 3 de novembro de 2026
Contatos artista: https://sanage.com.br/
Entrada gratuita
Classificação livre


